Camisa 10 v. 09 – Anos 90

O volume nove da nossa coletânea semanal vem como uma edição especial. Convidamos uma turma sensacional para indicar músicas de bandas brasileiras dos anos 90, década onde o mainstream se viu invadido por distorções, raps e ritmos regionais, e principalmente, a cena independente cresceu e se espalhou por todos os lados. São só dez músicas, claro que muita coisa ficou de fora, mas quem sabe não aparecem depois!?

Camisa 10 – Volume 09: Especial Anos 90

01 Raimundos – Eu Quero Ver o Oco

Lucio Ribeiro, do Popload: “Guardadas as devidas proporções, o Raimundos fez um serviço pro rock brasileiro tipo o Nirvana pro rock mundial. Barulheira e espírito punk/metal no mainstream xarope.

02 Maria Bacana – Repeat, Please

Marcelo Costa, do Scream & Yell: “Do único e excelente disco do trio baiano, homônimo, lançado em 1997 e produzido por Dado Villa-Lobos. O líder da banda, André Mendes, lançou este ano seu primeiro disco solo. E começou a fazer shows incluindo canções do Maria Bacana no repertório.

03 Nei Van Soria – Jardim Inglês

Wilson Farina, do Heatwave!: “Cresci nos anos 90, ainda sem ter internet em casa, sem conhecer bandas independentes, e sem conseguir gostar muito mais do que de uma ou duas músicas dos Raimundos, do Planet Hemp e do Chico Science. Era adolescente demais pra admitir que gostava do Skank. O que eu gostava mesmo era de britpop, e que tal foi a surpresa quando ouvi no rádio, num verão de férias em Porto Alegre, um britpop feito em português! Só depois que fui saber de Cascavelletes, Jupiter Maçã e afins, mas na época ouvi o disco do Nei até gastar.

04 Grape Storms – Letters and Tears

Flávia Durante, do Blah Blah Blog: “Inesquecível banda goiana que fazia um indie rock influenciado pelos britânicos. É difícil encontrar material deles na internet (mas estão no myspace). Nossa memória musical é muito mal preservada.

05 Pin Ups – Going On

Martim Batista, da Zefirina Bomba: “O Pin Ups está diretamente relacionado com a minha vontade de tocar e ter banda. Conheci o grupo já nos seus últimos dias, quando descobria o rock alternativo que viria a moldar o meu gosto musical, vi alguns shows e lembro de querer ser exatamente como eles, ter uma banda do caralho sem ser uma “estrela do rock”.

06 Jully Et Joe – The Hole Is Gone To Hole

Fernando Rosa, o Senhor F: “Música do compacto (7′) lançado em 1993. Banda curitibana clássica dos anos 90. Trio formado basicamente por Jr. Ferreira, Rubens K, Luciano e Coelho. Destaque do gênero ao lado da carioca Second Come e a gaúcha Pére Lachaise.

07 Doiseu Mimdoisema – Epilético

Alexandre Matias, do Trabalho Sujo: “Era um moleque com um tascam num quarto em Porto Alegre, gravando Jovem Guarda com a irmã mais nova em backing vocal como se fosse o Beck pobre. Hipster dos tempos em que o Brasil era terceiro mundo.

08 Sleepwalkers – Scandal (Not My Cup of Tea)

Fábio Bianchini, do Tico-tico no Fubap: “O final dos anos 90 foi esquisito em toda parte, mas talvez ainda mais em Florianópolis. Não é que tínhamos, quase ao mesmo tempo, o atleta e a banda mais legais do país? Tá certo que os Sleepwalkers eram de São José, mas a gente não esquece que a do tchutchutchu era o hit.

09 Lovecraft – El Relikário

Sandro Garcia, do Continental Combo: “Faixa encontrada no 1º e único disco da banda lançado em 1996, pela Krakatoa Records e Barra Lúcifer Music.

Desde que comecei a tocar sempre me interessei por fanzines, neles eu encontrava dicas e novidades musicais além de ser também uma maneira de trocar material. Quando li a respeito da Lovecraft em um zine chamado “Jardim Elétrico”, feito no Sul (RS) pelo Laufe Cristiano, gostei de várias bandas e resolvi enviar uma carta para o Plato para conseguir material do grupo.

Em seguida, o Ricardo Alexandre (na época jornalista do caderno ZAP! do Estado de SP), me deu de presente uma demo da banda (o K7 “Rockestra Test”), que adorei, não me lembro com exatidão mas isso deve ter sido em alguma ocasião entre 1994/95. Esse K7 trazia faixas incríveis como “Jazzy Days”, “Crazy e “Unissex Girl” e também “Amonia”, (todas incluídas no 1º álbum da banda lançado em 1996) fiquei curtindo a fita por um bom tempo.

O som da Lovecraft, que trazia músicos sensacionais, Régis no baixo, Gésner e depois Vilson na bateria, Beto Nickhorn (e suas pirotecnias na guitarra) aliados à poesia surrealista do Plato (um mix de Syd Barrett, Jim Morrison e Marc Bolan), foi bem marcante na maneira como eu passei a me relacionar com a música naquele período.

As composições da banda tinham em alguns aspectos as mesmas referências dos sixties que a gente curtia em SP, mas havia também muita extravagância em meio a uma grande abrangência sonora (glam, garage- punk, indie, folk). Em São Paulo eu não me recordo de nenhuma banda que nesta epoca, desde do Violeta de Outono (com composições em português) tenha me causado impacto semelhante. Isso definitivamente me abriu a porta para uma sonoridade mais psicodélica, então me ví esboçando algumas composições, experimentando sons além do ambiente Mod no qual o The Charts estava ligado. O contato com o Plato e a Lovecraft foi um divisor de águas.

10 Astromato – Cadeialimentar

Jesuíno Oliveira, do Meus Sons: “Os anos 90 me lembram bons sons brasucas. Pra mim, a favorita musicalmente falando, tanto nacional como gringa. Por sorte, acompanhei bem o cenário e tenho alguns registros interessantes. Mas o melhor foi ter conhecido muita gente bacana e talentosa.

Então, o disco “Melodias de um Estrela Falsa” (midssummer madness) do Astromato é o resumo sonoro dos anos 90. Essencialmente pelo talento e capacidade de produzir ótimas canções numa época de ebulição que veio refletir anos depois. Difícil escolher qual a melhor. É um álbum perfeito com 17 músicas!!! Uma guitar band que primava por belas melodias, singulares/pegajosas lêtras com riffs e camadas generosas de guitarras. Embora tenha sido gravado e lançado no final daquela década e começo dos 2000, é o melhor exemplo de uma era. Disco indie-rock lendário!

A música “Cadeialimentar” é a faixa final do disco, uma das composições mais antigas e emblemáticas da banda. Minha definição instantânea e superficial dessa canção: ouviram muito Joy Division, tocaram muito Jesus & Mary Chain com vocais à lá 14 Bis!!!

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