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TOP 10: RAP DE BRANCO (& RIP MCA, DOS BEASTIE BOYS).

E a sexta-feira ficou triste com a notícia de que, enfim, Adam Yauch – o MCA dos Beastie Boys – descansou, após uma longa luta contra o câncer. Hora de relembrar este post, publicado originalmente em 07/10/2011, no qual os Beasties ocupam um merecido e destacado espaço. Sou fã do trio desde o primeiro álbum, assisti-os ao vivo duas  vezes (incluindo a antológica estreia no Brasil, no Imperator, aqui no Rio, em 1995) e curto a discografia completa. Um dos mais importantes nomes da história do hip hop.

RIP MCA (1964-2012)

E a mais recente polêmica envolvendo artistas X produtores X jornalistas é em torno do rapper CrioloPara uns, o cara é a última passa recoberta de chocolate num pacote de Bib’s. Para outros, o artista já foi cooptado pela máquina do hype ao parar na capa da revista Serafina da Folha de S.Paulo. E rola papo de “messianismo” pra lá, de “máfia do Studio SP” pra cá, até que chegaram, quem diria, na análise genotípica do cantor. Questionaram se ele realmente merecia o epíteto de Crio(u)lo, já que sua quantidade de melanina pigmentosa não seria o suficiente para classificá-lo como afrodescendente. A que ponto chegamos, meus amigos.

Mas quero tranquiliza-los: o presente post não vai tratar de Criolo, ou nem ao menos de crioulos. Inspirado pela questão “é preto ou não é?”, resolvi compilar um Top 10 com os melhores rappers brancos da história. Tenha em mente que rap  para mim é um conceito elástico, no qual, com boa vontade, caberia até mesmo a ancestral “Subterranean Homesick Blues” na lista. Portanto, encontrar-se-ão na lista artistas que não pertencem estritamente à cena hip hop. E outros que nem são tão brancos assim, mas que escapam do estereótipo homie. A lista vai em ordem crescente.

10) MC 900 Ft. Jesus: Desaparecido há um tempão, o texano Mark Griffin foi um dos  destaques do leftfield hip hop no começo dos anos 90. Tudo nele era meio esquisito, a começar por seu alias artístico (“MC Jesus com 300 metros de altura”). Na verdade, ele foi um dos precursores do indie rap, misturando letras autodepreciativas com samples inusitados, que podiam sair de discos de música clássica ou de rock industrial. De sua curta discografia, recomendo One Step Ahead of the Spider, do qual saiu seu maior quase-hit, “If I Only Had a Brain”.

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9) Clint Mansell (Pop Will Eat Itself): O PWEI nunca foi uma banda de hip hop. Foi uma banda de hip hop & heavy metal & industrial & eletrônico & dub & whatever. Seu grande clássico, This Is the Day…This Is the Hour…This Is This! (1989), empregava uma pregada de samples vindos das mais variadas fontes. E tinha rap, sim senhor. Como mais classificar “Def Con One”, “Wise Up! Sucker” e “Can You Dig It?” Minha favorita era essa aqui, ó:

Clint Mansell, quem diria, virou um disputado compositor de trilhas cinematográficas, levando até indicação ao Oscar por A Árvore da Vida, do Aronofsky.

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8) Beck: Claro que definir Beck Hansen como rapper é, no mínimo, limitar bastante sua criatividade. Mas foi com um rap – e com um novo gênero, o folk-rap – que ele apareceu para o mundo:

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7) De Leve: Esse é djênio. Seja com o Quinto Andar, seja solo, o cara personifica o flow e o humor tipicamente cariocas – diferentemente da caricatura na qual Marcelo D2 se transformou. Claro que ele não é 100% branco, mas qual brasileiro é?

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6) The Yah Mos Def: Banda interessantíssima, e obscuríssima, ao menos no Brasil. No Brasil nada; eles nem tem verbete no AllMusic! Conheci por acaso, baixando algumas músicas aleatoriamente no Soulseek. O nome junta uma banda punk underground (Yah Mos) com, obviamente, o rapper Mos Def. Comparados aos Beastie Boys dos primeiros anos, eles sampleiam Television, Minor Threat e Crass, e fazem questão de reforçar seu background branco/nerdão em seus raps.

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5) 3rd Bass: Os caras tiveram um momento de glória em 1991, com “Pop Goes to Weasel”, que sampleava marotamente “Sledgehammer” (Peter Gabriel) e sacaneava Vanilla Ice (na letra e no clipe). Pouco depois, o duo (MC Serch e Pete Nice) se separaria, mas sozinhos nunca chegariam ao ápice de 1991 (e olha o diabo do ano aí de novo).

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4) Edu K (DeFalla, solo): Esqueçam D2, Gabriel o Pensador, esqueçam até mesmo Mano Brown. O maior rapper brasileiro não rapeia em português (exceto em raras ocasiões) e, mesmo sendo formalmente um roqueiro, bota muito b-boy no bolso.

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3) Eminem: Hoje ele é carne de vaca, não representa mais ameaça para ninguém e, francamente, já deixou seus melhores anos para trás.  Mas quando ele resolve (ou resolvia) catar o microfone dicumforça, é impossível não sentir a verdade e a fúria em seus versos.

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2) House of Pain: Se os irlandeses são mesmo os “crioulos da Europa”, Everlast & sua gang, descendentes de imigrantes vindos da Irlanda, estavam mais do que certos ao montarem um grupo de rap para cantar sobre bebedeiras, brigas (de bar) e baseados gordões. Um disco antológico (o primeiro, homônimo), um outro irregular (Same as It Ever Was) e um terceiro francamente esquecível (Truth Crushed to Earth Shall Rise Again). Mas petardos como o que vai abaixo são eternos.

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1) Beastie Boys: Alguma surpresa? Oras, os BBs inventaram essa coisa de branco cantando rap, numa época em que o gênero ainda patinava para ganhar aceitação no mainstream. Reinventaram seu som seguidamente, construindo uma discografia sensacional, capaz de ir ao hardcore tosco ao instrumental tingido de jazz. Com muito hip hop no meio, claro.