Quando Morrissey cantou pela última (e primeira) vez no Brasil, em 2000, o cantor não estava num dos pontos altos de sua carreira. Não lançava um álbum havia três anos (e ficaria mais quatro sem lançar outro). Parecia estar numa descendente, meio esquecido, às vésperas do estouro de uma nova onda de bandas-de-guitarras que revitalizaria o tal do rock alternativo que ele mesmo ajudara a criar. Talvez por isso, pelo relativo descrédito por que passava, Morrissey suou a camisa – figurativa e literalmente – naquele show de 2000. Chegou, enfim, a hora de rever o mito. Doze anos depois daquela visita histórica, o mancuniano encontra-se numa posição bem diferente. Continua resmungando, pessimista, desencantado com o pop contemporâneo. Mas efetuou, na década passada, um bem-sucedido comeback e hoje conta com um nível de respeito de crítica e público mainstream bem maior do que em 2000. Não chega a ser estranho constatar, então, que o cantor agora parece mais relaxado – “bonachão” não chega a ser o termo, mas sem dúvida… menos… intenso. Mais populista, talvez? O gongo (!) trazido pelo baterista Matt Walker para o show na Fundição Progresso (RJ), na noite de sexta (09/03), poderia dar a impressão que Morrissey teria, afinal, se atirado nos braços do classic rock, abandonando o ethos indie de vez. Não, o ex-Smith na verdade pulou essa etapa e foi direto para a terceira idade da música pop. Com sua camisa entreaberta, suas canções de desamor que hoje soam sentimentalescas, o público a seus pés, Morrissey é hoje o Tom Jones do rock alternativo.
Veja bem, não há nada errado nisso. E isso também não significa que o atual espetáculo do cantor seja ruim, muito pelo contrário. Verdade seja dita que o repertório decepcionou um pouco – mas não à grande massa para quem Morrissey sempre será, apenas, o vocalista dos Smiths. As canções da antiga banda vieram em número mais generoso que da última vez (seis, em lugar de quatro), incluindo os hits “There’s a Light that Never Goes Out”, “Still Ill” e “I Know It’s Over”, em versões bem parecidas com as originais. “Meat Is Murder”, o velho libelo pró-veganismo, vem num arranjo meio esquisito, a voz um tom acima e uma torrente de noise no lugar da sonoridade descarnada da primeira versão. No telão, imagens pavorosas de matadouros, para “conscientizar” o povão… que na verdade mal continha a ansiedade por “How Soon Is Now?”, que fecha o set antes do bis numa performance pesada, mas que também falha ao capturar todo o pathos da gravação de 1984 (diga-se de passagem, é uma música difícil de tocar ao vivo; mesmo os Smiths raramente a interpretavam no palco). Ainda teve, antes, “Please Please Please Let Me Get What I Want”, dedicada pelo cantor “àquelas pessoas que nunca se desapegam de nada”. Esticada, sem a delicadeza perfeita do registro original, agradou a quem estava lá pela nostalgia, e só a esses.
A ironia é que em 2000, quando estava numa entressafra do trabalho solo, Morrissey dava muito mais valor à sua obra pós-Smiths do que dá agora. O setlist é meio incongruente. Esquece as músicas mais fortes dos últimos discos (exceção: “First of the Gang to Die”, que abre o show com gosto), privilegia semi-hits (“Ouija Board, Ouija Board”?! “Alma Matters”?!) e praticamente ignora seus melhores solos, Vauxhall and I e Your Arsenal, colocando uma música de cada, apenas (respectivamente “Speedway”, um dos melhores momentos do show, e a grata lembrança “You’re the One for Me, Fatty”). Teve “Everyday Is Like Sunday”, mas… e “Irish Blood, English Heart”, “The More You Ignore Me”, “November Spawned a Monster”, “We Hate it When Our Friends Become Successful”? Ao menos, os números recentes vieram interpretados com vontade, com destaque para “Let me Kiss You”, que rende a melhor passagem “teatral” da noite: ao cantar os versos “But then you open your eyes /And you see someone / That you physically despise”, Morrissey arranca a própria camisa, num supremo gesto de autocomiseração – e a plateia urra.
O negócio é que essa dramaticidade toda, em meio ao clima meio galhofeiro do resto do show, soa fake. Os caras da banda, quase todos fortinhos, entram sem camisa. A exceção foi o gorducho Boz Boorer, parceiro de longos anos (e que tocou com o cantor aqui em 2000), que disfarçou as banhas com um vestido azul (!), completo com uma peruca ruiva (!!). Teve gente perguntando: “Ué, a Adele agora toca com o Morrissey?” O cantor diz que “arrumou os músicos numa visita a uma praia de nudismo”. Não chega a cair no olê-olê geriátrico de Paul McCartney, mas abusa da manipulação e da provocação – esfregando as partes baixas durante uma longa pausa em “Speedway”, aproveitando a camisa entreaberta para passar a mão pelo peito… E provoca ainda mais com suas breves falas. ”Vocês desataram o nó do meu coração, e… só isso”. ”Andei pelas ruas do Rio, vi muita gente linda e posso dizer que aqui todas as pessoas são bonitas. As pessoas dos três sexos”. “O príncipe Harry está no Rio atrás do seu dinheiro. Não o deem a ele”. Apesar de todo o populismo, as idiossincrasias do homem continuam a toda. Trouxe como atração de abertura a desconhecida Kristeen Young, jovem cantora americana que faz um som eletrônico absolutamente descolado do rock morrisseyinano. Sozinha no palco (o show é só ela e um teclado), a moça surpreendeu, evocando Kate Bush e Björk, por um viés minimalista. Entre os dois shows, uma montagem de videoclipes deslindando as obsessões musicais do jovem Steven Patrick: Shocking Blue, The Sparks, Nico, Brigitte Bardot (!) e, claro, os New York Dolls.
Quer dizer: aos 52 anos, Morrissey já não exibe mais a angústia que o levou a criar seus versos doloridos. Mas continua cantando-os assim mesmo, numa espécie de teatrinho existencial que agrada a muita gente. E convence, em boa parte do tempo. Talvez seja um novo paradigma para os espetáculos dos cassinos de Las Vegas: uma recriação irônica das mazelas existenciais que o impeliram ao longo dos anos. Aliás, não seria um mau fim para um fã de Elvis Presley. E, claro, nós estaremos lá com ele.
Em 1999, a revista Q publicou uma edição especial com uma votação popular definindo os 100 maiores artistas pop do século 20.O público tinha que escolher cinco nomes (individuais; bandas não valiam) e anexar junto a cada voto uma breve justificativa. Dando uma colher de chá aos leitores, a revista pinçou uma dessas justificativas – a mais original, engraçada ou poética – para cada artista da lista. Deu Lennon (1º) e McCartney (2º) na cabeça. Na posição #41 (atrás de nomes como Dr. Dre, Richard Ashcroft e Richey Edwards!) vinha Steven Patrick Morrissey. Não sei onde está o meu exemplar da Q, mas me lembro até hoje da frase escolhida pela redação, enviada por um leitor: ”Eu o amo, mas não daquele jeito.”
Creio que esta frase resume meu relacionamento com Morrissey. Já ouvi incontáveis piadinhas por conta da minha admiração incondicional pelo cantor e por causa da importância que sua obra teve em minha formação musical. Fazer o que? Com ou sem os Smiths, sua voz e suas letras sempre fizeram total sentido para mim, e sempre farão. Por isso, inspirado na leitura de minha Mozipedia, relaciono aqui os 10 momentos mais marcantes que passei na companhia do bardo de Manchester. De quebra, preparei para cada item da lista uma tradução de um trecho da Mozipedia que seja pertinente ao momento em questão. Ei, se aparecer alguma editora interessada em lançar o livro aqui, posso indicar um bom tradutor…
(Este post é dedicado aos meus bons amigos Everton e Zervane, que talvez – talvez – gostem mais do Morrissey do que eu.)
1 – “This Charming Man”/ The Boy with the Thorn in his Side” (inícios de 1986)
Eu tinha acabado de fazer 12 anos. Um amigo apareceu lá em casa com um cassete da coletânea Hit Parade 86 -a capa me causou grande impressão.Perdida no repertório que misturava Wham!, Glenn Frey (!) e Simple Minds, lá estava a banda sobre a qual a revista Bizz não parava de comentar. “The Boy with the Thorn in his Side” foi a primeira canção dos Smiths a qual eu ouvisabendo que do que se tratava. Eu já conhecia (sem saber que era deles) “This Charming Man” – ouvia pedaços aqui e ali, tocando no rádio esporadicamente, e me perguntava que banda seria aquela. Não havia MTV, não havia internet, eu nem conhecia a Fluminense FM ainda (só passei a ouvir a rádio em 1987). Então como saber?
Só fui finalmente botar as mãos num fonograma de “This Charming Man” quando comprei, lá pros idos de 1987, meu Hatful of Hollow em vinil. Mas a versão que vinha no disco, como todos sabem, era a versão “devagar” gravada numa sessão para a BBC. Essa versão aqui:
Quando eu comprei meu The Smiths (o primeirão), em meados de 1988, notei que o lado A era encerrado por, vejam só, “This Charming Man”. Era a versão que se segue, finalmente a versão que eu perseguia há anos (em que o Morrissey berra). Completista obcecado, eu?
“This Charming Man”: Na cronologia da banda (…) a música chegou depois que grande parte das músicas de The Smiths, o disco, já havia sido composta (…) e marcou o começo de uma nova fase no songbook de Morrissey/Marr; movia-se para longe do fúnebre clima depressivo do repertório inicial, em direção a um território pop mais jovial. (…) Mereceu o elogio do NME: “Um daqueles momentos nos quais renasce a presença elétrica e vívida do poder da música” (páginas 444-445). “The Boy”: Marr lembra que a alegre melodia “simplesmente jorrou” de dentro dele, durante uma viagem de ônibus em meio à turnê de Meat Is Murder. “Era uma música leve, feita com espírito leve.” (…) É exatamente isso: os Smiths em seu momento mais leve, como uma pluma. Ainda assim, seus versos simples parecem ter um significado pessoal mais intenso para Morrissey; em 2003 ele a elegeu como uma das duas canções favoritas de sua própria obra, ao lado de “Now My Heart Is Full” (páginas 48-49).
2 – The Queen Is Dead, o LP (provavelmente outubro/novembro de 1986)
Não importava. Já impressionado por “The Boy…”, resolvi que compraria um disco dos Smiths para saber se, afinal, a banda realmente correspondia a todos aqueles elogios da Bizz. Detalhe: eu nunca tinha comprado um disco na vida. Pouco depois de comprar a Bizz 15 (outubro de 1986), que vinha com o Morrissey na capa – foi a primeira Bizz que comprei por conta própria – comprei, num espaço de poucas semanas, The Queen Is Dead, True Blue (sim, Madonna) e Dois, da Legião Urbana. Os dois primeiros foram comprados, Deus meu, numa loja que não existe mais há uns 20 anos.Da lista de canções, eu só conhecia “The Boy”. Como eu não sabia o título de “This Charming Man”, tinha esperança que alguma das outras faixas fosse, afinal, aqueeeela música que me intrigava há meses. Frustrei-me, o que não impediu que eu amasse todo o resto do disco, especialmente “I Know It’s Over”, “Never Had no one Ever”, “Some Girls Are Bigger Than Others” e “There’s a Light that Never Goes Out”. Tudo para mim era ali era misterioso, fascinante: as letras, que eu me esforçava para entender, os vocais idiossincráticos, o enigmático descompasso entre a imagem da capa e o título do disco (Alain Delon = abaixo a monarquia = WTF?), os detalhezinhos dos arranjos (os fades na intro de “Some Girls…”,o sample arcano na abertura da faixa-título, as cordas sintéticas de “There’s a Light…”). Versos como “If you’re so funny, than why are on your own tonight?”, para um rapaz introvertido como eu, eram a pura perdição – afinal, alguém também entendia o que significava ser adolescente e “criminosamente tímido”, mesmo que esse alguém estivesse na distante Manchester. Os Smiths não soavam como nada que tocasse no rádio ou aparecesse na TV, naquele distante ano de 1986. Meus pais não ouviam rock, eu não tinha o proverbial irmão/primo/amigo mais velho para me emprestar discos. Eu não conhecia nem os Beatles naquela época.
Post-scriptum: hoje não tenho mais meu vinil de The Queen Is Dead, o primeiro LP que comprei na vida. Emprestei prum vizinho que deu uma festa (para qual eu não fui convidado!) e deixou que algum convidado levasse o disco. Ao menos foi essa história que ele contou. Numa incrível coincidência, minha primeira cópia em CD do disco também seria roubada; tive de recomprar toda a minha discografia dos Smiths depois de um assalto a meu apartamento.
“I Know It’s Over:” “Era algo que os Smiths sempre ameaçaram fazer”, lembra Marr. “Uma grande balada melancólica, mas ainda assim do-it-yourself, pós-punk. Não é uma superprodução mas ainda ainda assim é carregada de emoção. É uma música que somente nós poderíamos fazer.” (…) Entre os leviatãs inquestionáveis do repertório de Morrissey/Marr, para muitos fãs esta música só fica atrás de “There’s a Light that Never Goes Out” na hora de decidir qual é a mais perfeita balada dos Smiths (páginas 181-182).
The Queen Is Dead foi o primeiro. Meat Is Murder, que comprei depois, é para mim o melhor. Mas provavelmente o disco dos Smiths que mais ouvi foi HoH, que adquiri entre TQID e MIM. Oito músicas de cada lado, todas excelentes, cada uma exibindo uma faceta diferente do som e da poesia da banda. “Heaven Knows I’m Miserable Now” tornou-se o hino para os momentos de depressão/autocomiseração/autodepreciação. “Girl Afraid” era para dançar (lembram que tocava numa vinheta do Realce?). “Accept Yourself”, “You’ve Got Everything Now”, “These Things Take Time” e “What Difference Does it Make?” eram para pular e berrar junto. “How Soon Is Now?” era para ficar ouvindo quieto, tentando entender que sons eram aqueles. “Reel Around the Fountain”, “Back to the Old House” e “Please Please Please Let me Get What I Want” eram para tentar tocar ao violão (e para se emocionar). Meu vinil, comprado de segunda mão, não tinha o envelope com as letras, então eu tentava tirar os versos de ouvido. Devo um pouco de minha (relativa) fluência no inglês a aquelas tardes.
Hatful of Hollow: Julgado puramente em termos de composição, suas 16 faixas (…) são uma coleção de originais de Morrissey/Marr tão impecável quanto qualquer outro dos quatro discos oficiais de estúdio da banda. (…) Documentava o desenvolvimento musical do grupo, de “Hand in Glove”, de maio de 1983, aqui na versão original do single, até o polido esplendor pop de “William, It Was Really Nothing” (agosto de 1984). (…) Uma introdução acessível para os não-iniciados e desinformados entenderem a singularidade dos Smiths (páginas 159-160).
Os Smiths se dissolveram em meados de 1987. Morrissey lançaria seu primeiro solo em 1988. Rank, primeiro e único disco ao vivo do grupo, sairia em outubro de 88, e creio que no Brasil saiu simultaneamente à versão britânica. Considero o álbum um dos melhores registros de show de todos os tempos. Perdi muitas tardes ouvindo incansavelmente o disco e cantando junto. Neste contexto, obviamente a versão de “Still Ill” era o highlight:
Rank: Como documento ao vivo, Rank é uma justa indicação do poder e da paixão expostas pela banda no prematuro fim de sua carreira nos palcos, que ganhou solidez extra com a guitarra adicional de Craig Gannon e destacava o vigor rítmico de Mike Joyce como uma indispensável âncora. Houve, como Morrissey diz, “momentos mais brilhantes” (e piratas melhores), mas Rank é a prova de que um show dos Smiths poderia ser uma ocasião ruidosa e selvagem (páginas 342-343).
5 – “The Last of the Famous International Playboys” (meados/final de 1989)
Eu já era bem grandinho, já tinha superado o fim do grupo e já tinha me conformado com a ideia de Morrissey solo. Só que a carreira individual do bardo não me convencera de todo. Claro que Viva Hate tinha vários momentos brilhantes, alguns dos quais (“Alsatian Cousin”, “Late Night, Maudlin Street”) até fugiam do padrão smithiano mais óbvio. A primeira música solo do cantor que relamente me empolgou foi “The Last of the Famous…”, que, claro, não fugia nem pouco ao padrão smithiano mais óbvio. Quando vi o vídeo que juntava nada menos que três ex-Smiths (Mike Joyce, Andy Rourke e o bissexto Craig Gannon) a Morrissey, confesso que cheguei a me emocionar. “Cara, os bons tempos voltaram! Eu sabia que ele não iria me decepcionar!” Infelizmente, Bona Drag, o disco que trazia o single, não me desceu muito bem de primeira. (Um adendo: comprei o disco numa Ultralar, outra loja que não existe mais.)
“The Last of the Famous International Playboys”: Após admitir que amava “a romantização do crime”, “Playboys” era um exame explícito do tema: uma descarada carta de admiração aos notórios gangsters londrinos dos anos 60 Reggie e Ronnie Kray, “escrita” por um jovem criminoso iniciante desejoso de alcançar a fama através de similares métodos vilanescos. (…) Sem dúvida, em seu confiante balanço musical e com a audaciosa proclamação de seus versos, “Playboys” permanece como um dos mais vibrantes singles de toda a carreira de Morrissey (páginas 215-216).
6 – “We Hate It When Our Friends Become Sucessful” (meados de 1992)
Os tempos eram outros, então. Eu já ouvia eletrônica, hip hop e MPB; bandas como Pixies, Stone Roses e Nirvana já haviam entrado em minha vida. Os Smiths continuavam lá, no seu panteão sagrado, mas Morrissey não tinha mais a importância que um dia tivera. Kill Uncle, seu segundo trabalho solo (descontando a coletânea Bona Drag) me desanimou bastante. Por isso, quando ouvi “We Hate it…” na Fluminense, me espantei – positivamente. O som era pesado, rascante; a letra era engraçada (existe título mais morrisseyniano que este?); a performance, empolgada. Morrissey parecia rejuvenescido. Contendo minha animação, aguardei o álbum e não me frustrei.Your Arsenal marcava a estreia oficial dos dois guitarristas-compositores (Boz Boorer e Alain Whyte) que ajudaram o cantor a, afinal, achar sua sonoridade própria, cinco anos após o fim dos Smiths. A nova banda trazia guitarras roncando alto (“You’re Gonna Need Someone on Your Side”, “Tomorrow”, “The National Front Disco”) herdadas do interesse de Morrissey pela cena rocakbilly/psychobilly de Londres. Mas também era capaz de momentos de sutileza e melancolia ímpares (“We’ll Let You Know”, “I Know It’s Gonna Happen”, “Seasick, Yet Still Docked”). “CARA, OS BONS TEMPOS VOLTARAM! EU SABIA QUE ELE NÃO IRIA ME DECEPCIONAR!”
“We Hate It When Our Friends Become Sucessful”: O título espelhava uma das frases mais famosas de Oscar Wilde – “Qualquer um pode se compadecer com o sofrimento de um amigo, mas é necessária uma natureza muito delicada para alegrar-se com o sucesso do mesmo amigo” (…) Rumores que a música era uma afiada mensagem destinada ao vocalista da banda James, Tim Booth, afinal foram confirmados (…) Era uma bem-vinda adição ao repertório de canções sobre fama e frustração, algo como uma “You Just Haven’t Earned It Yet, Baby” (…) com uma lambada extra de sarcasmo, até mesmo resgatando a risada despeitada de “Bigmouth Strikes Again” (páginas 469-470).
O melhor solo de Morrissey viria logo depois de Your Arsenal. Mais melódico e pop, com guitarras domesticadas e substituindo a hiperatividade pela melancolia, o disco reúne pérolas melodramáticas como “Now My Heart Is Full”, “The More You Ignore Me, the Closer I Get”, “Hold on to Your Friends” e “The Lazy Sunbathers”. E fecha com uma das melhores, se não a melhor canção da trajetória individual do homem: “Speedway”. Minha fé no mancuniano estava plenamente reestabelecida, e eu – diferentemente de muitas pessoas menos esclarecidas – já superara a ideia de que a carreira solo de Morrissey deveria ser considerada à sombra do legado dos Smiths. Morrissey era apenas Morrissey. E por mais que a parceria com Johnny Marr tenha rendido, sim, os anos mais inspirados de sua trajetória, a banda era passado e deveria ser considerada como mais uma parte da progressão artística do cantor – que seguia evoluindo, de forma independente. Em mais uma dessas cagadas que costumam assolar a minha vida, perdi meu primeiro VaI num assalto (era um CD importado!) e fui obrigado a comprar outro.
Vauxhall and I: (…) 1993 seria um dos anos mais traumáticos para o cantor, com a morte de pessoas próximas e uma ”longa fase” de depressão. (…) Ainda assim, desta abissal escuridão veio o álbum insuperável de Morrissey. Sua “obra-prima solo” definidora. (…) “Antes de Vauxhall and I, nunca tinha me sentido tão completo, satisfeito”, ele afirmou. “Um álbum no qual nenhuma faixa destoa, e em que todos os títulos são um sucesso. É uma nova e terrivelmente excitante emoção. (…) Encaixa-se na minha ideia de perfeição. Eu não poderia fazer nada melhor.” (páginas 455-458)
Havia uma garota de quem eu gostei muito. E ela gostava de mim, mas… não o suficiente. E na primeira vez que ouvi essa versão morrisseyniana para o clássico de Henry Mancini, eu estava ao lado dela. Enfim. Eu já tinha uma ligação anterior com a música –o filme para o qual ela foi composto é um dos meus favoritos de todos os tempos. Fiquei impressionado com a ousadia da versão, na qual a performance vocal é escanteada em favor de um longo, lindo e etéreo interlúdio instrumental, encharcado de reverbs e samples de choro feminino. O disco que trazia a canção, a coletânea World of Morrissey, tinha outros ótimos momentos, como “Whatever Happens, I Love You” e “Boxers”.
“Moonriver”: Parecia surpreendente ouvir Morrissey apropriando-se de um clássico de cabaré, mas uma inspeção detalhada da letra (celebrando amor, amizade eterna e ambição juvenil) a coloca em posição análoga à de “Hand in Glove”. (…) Há uma suave tristeza pairando em sua interpretação, invertendo o otimismo original com uma sensação de perda e tragédia iminentes e que o sonho, “logo ali depois da curva”, nunca vai chegar. (…) O choro sampleado pertence à atriz Peggy Evans, soluçando em agonia depois de ser estapeada no rosto pelo canalha Dirk Bogarde no filme The Blue Lamp (1950) (páginas 270-271).
Morrissey se apresentou no Rio em abril de 2000, no ATL Hall (depois Claro Hall, hoje Credicard Hall). O texto que se segue foi publicado na edição 25 da revista Rock Press (junho de 2000).
E, numa noite quente de outono, ele veio até nós. Alguns já esperavam há pelo menos uma década. Outros (em números surpreendente) estavam no jardim de infância quando os Smiths eram a maior banda do mundo, levados ao show pela campanha idiótica de alguma “rrrrrrrádio rrrrock”. (Dois flagrantes da plateia: ao meu lado, um sujeito de uns 30 anos ficava de braços cruzados, olhando para todos os lados – menos para o palco – durante as músicas da carreira solo do cantor. Quando surgia alguma música dos Smiths, ele pula, cantava junto, erguia as mãos… Do outro lado, uma menina que não podia ter mais de 17 anos berrava sem parar: “Ask Me”, “Ask Me” – sic! Pobres e desavisados infieis.)
O fato é que, como ou sem Smiths no repertório, ver Morrissey ao vivo é a oportunidade única de encarar aquele que talvez seja o último pop star que mereça o termo. Nesta época de DJs anônimos, adolescentes louras peitudas e garotos da rua de trás, o velho mancuniano é a única figura inconfundível, o único com carisma real, o único digno de adoração – por parte de gente que esperou mais de 10 anos ou de gente que acabou de conhecê-lo.
E ao vivo, meus amigos, o bicho pega. Se ouvir Morrissey em casa é uma viagem introspectiva, que pode levar o ouvinte aos risos ou à comoção, no palco o negócio é só rock’n’roll, celebração, diversão, showmanship. O “inglês deprimido” é um mito; o ATL Hall (quase) lotado pôde comprovar isso. O cara suou, literalmente, e fez todo mundo suar (os mais comovidos sempre podiam dizer que não eram lágrimas, mas o suor escorrendo…) Conversou com a plateia, tentou arrastar um fã afoito para o palco, pegou flores, cartazes, peças de roupa; negou, com um sorriso, pedidos de músicas (“‘Bigmouth’? No, no. Small mouth.”); atirou pelo menos umas cinco camisetas molhadas de suor ao público – a última, esfregada por dentro da calça em suas partes pudendas. Depressão, onde? Ritmo de festa.
O repertório não teve obviedades; na verdade, os hits foram praticamente evitados. Com sua banda afiadíssima, comandada pelo guitarrista Boz BorrellBoorer, Mozz lascou rock de cara, com “The Boy Racer” e “Billy Budd” – e foi inacreditável vê-lo entrar no palco, sorridente, todo de couro preto (suava!). Vários momentos brilhantes de sua carreira solo estiveram presentes. “Now My Heart Is Full” (numa versão sutil), “November Spawned a Monster”, “Trouble Loves Me”, “The More You Ignore Me…” Faltaram alguns sucessos, claro, mas não deu para sentir saudade, tal era o vigor com que o topetudo e sua banda se entregavam às canções. Pérolas menores como “Break Up the Family” ou “Hairdresser on Fire” foram mais que suficientes para completar.
E teve Smiths? Apenas quatro, e nenhum big hit. “Meat Is Murder”, “Half a Person”, “Is It Really So Strange?” e (no único bis) “Shoplifters of the World, Unite”. Foi ótimo – especialmente para contrariar os bobalhões que pediam “I Know It’s Over” e coisas do tipo. A emoção de ouvir aquelas maravilhas, mesmo sendo de segunda mão, é algo que só quem cresceu ouvindo Smiths pode entender. Mas nem precisava. Tanto que o momento mais iluminado da noite foi a magistral versão de “Speedway”, a melhor música do melhor disco solo de Morrissey.
P.S. 1: Não, ele não está gordo.
P.S. 2: Não, ele não está careca.
Sete anos se passariam entre Maladjusted, o último disco que Morrissey lançaria no século 20, e seu retorno com You Are the Quarry, em 2004. De modo geral, os fãs e a crítica tendem a preferir YAtQ em lugar de RotT. Mas eu não. Foi muito bom reencontrar o cantor, ainda com a verve poética vigorosa e capaz de compor ótimas músicas como “Irish Blood, English Heart”, “The World Is Full of Crashing Bores” e “First of the Gang to Die”. Entretanto, para mim, o comeback só foi realmente concretizado com o lançamento deRingleader, a contrapartida mais melodramática e musicalmente mais rebuscada de YAtQ, que era soava mais direto. Nas letras, Morrissey parecia obcecado com a ideia de morte (“You Have Killed Me”, “In the Future When All’s Well”, “The Father who Must be Killed”). Em “On the Streets I Ran”, ele dá um dos mais memoráveis chiliques de sua carreira (“Dear God, take him, taker her, take anyone – the newborn, the stillborn, the infant, take anyone, take/ People from Pennsylvania, Pittsburgh but spare me”). Com “Dear God Please Help Me”, ele descrevia um encontro homossexual com riqueza de detalhes (algo que não passou despercebido pelos patrulheiros de plantão) ao som de um arranjo de cordas de Ennio Morricone. Já “I Will See You in Far-Off Places” e principalmente “Life is a Pigsty” davam seguimento às ousadias instrumentais que marcaram álbuns como Southpaw Grammar. Equilibrando punch roqueiro e melodias inspiradas, foi o melhor trabalho do homem desde Vauxhall and I. Belíssimo reencontro.
Ringleader of the Tormentors: Mesmo durante o auge do triunfante comeback de 2004, circulavam rumores de que You Are the Quarry nada mais era que um último hurrah, cuidadosamente planejado, antes de o cantor aposentar-se. (…) A reação a Ringleader foi tudo o que Morrissey poderia ter desejado. (…) Houve comentários na imprensa com termos como “gênio” e “a obra-prima” (…) e o disco estreou no topo da parada inglesa. (…) Sejam quais forem suas falhas, ao consolidar o comeback de Morrissey no século 21,Ringleader of the Tormentors foi um triunfo incontestável (páginas 354-357).
Não existem muitas enciclopédias dedicadas a artistas de rock, por mais populares que sejam. Sei que os Beatles têm mais de uma, mas outros casos não me vêm à mente de imediato. Então, quando deparei-me com a aparição da Mozipedia - The Encyclopedia of Morrissey and The Smiths, fiquei naturalmente intrigado e interessado. Afinal, mais interessante que o formato e o conceito do livro, só mesmo seu assunto: Morrissey & seu mundo. Os Smiths são um dos motivos pelos quais eu passei a me interessar por música pop. Depois que a banda acabou, seu vocalista permaneceu na minha vida, e o acompanhei através de altos e baixos, e ele (ou melhor, sua música) também seguiu meus altos e baixos. O sossego só veio quando a Amazon, numa demonstração de surpreendente agilidade, deixou na porta de casa o meu exemplar da Mozipedia, comprado ainda em pré-venda (claro).
As cifras impressionam. São 544 página e um total de 350 mil palavras divididas em cerca de 600 verbetes em ordem alfabética cobrindo aparentemente todos os aspectos da vida de Steven Patrick Morrissey, sobre o ou fora do palco, antes, depois e durante os Smiths. Parece não ter ficado coisa alguma de fora – dos “grandes temas” que regem a vida do cantor (ambiguidade sexual & celibato, New York Dolls, vegetarianismo, a parceria com Johnny Marr) a minúsculas minúcias como os programas de TV favoritos de Morrissey durante a adolescência e detalhes sobre sua dieta (basicamente “batatas, torradas e ovos”). A revista Q classificou o calhamaço como “a obra de um maníaco”. O autor, Simon Goddard, tem estofo para a tarefa. O cara escreveu The Smiths: Songs that Saved Your Life, considerado a analíse definitiva do cancioneiro smithiano (música a música, num formato similar ao de Revolution in the Head, sobre os Beatles). Há dois bons cadernos de fotos, misturando imagens de todas as fases da carreira do mancuniano e retratos de seus ídolos – Oscar Wilde, os citados New York Dolls, a dramaturga Shelagh Delaney, atores como Terence Stamp, Harvey Keitel e Dirk Bogarde.
A escolha do formato deve ter sido a forma que o autor – naturalmente um smithófilo/morrisseymaníaco juramentado – encontrou para manter o distanciamento crítico em relação ao assunto. E também para garantir a própria confecção do livro. Biografias de rock costumam seguir dois padrões. Um é o texto corridão, que garantiu narrativas já clássicas como os livros sobre Dylan, Zeppelin e, uma vez mais, os Beatles. A hipótese se provaria difícil, sabendo-se previamente que o personagem principal não colaboraria. Avesso a expor sua intimidade, Morrissey não falou nem com Johnny Rogan, autor da biografia definitiva dos Smiths (Morrissey & Marr: The Severed Alliance). E também não conversou com Goddard para a enciclopédia (os outros membros da banda falaram). No prefácio, Goddard diz que muitos dos amigos, ex-amigos e associados de Morrissey não toparam falar ou só quiseram falar em off – e vários deram para trás em cima da hora, temendo a fúria de cantor. Essas dificuldades não inviabilizariam, mas sem dúvida dificultariam o trabalho de apuração. A outra opção de formato seria a tal da história oral, que se provou válida em livros como Mate-me Por Favor e, que coisa, o Anthology dos Beatles. Ora, uma história oral de Morrissey sem falas do próprio seria… nada.
Há incontáveis referências, todas minuciosamente pesquisadas, aos filmes/livros/discos/atores/atrizes/escritores/novelas de TV favoritas de Morrissey. Todos os artistas obscuros que ele já citou como influência, especialmente nos primeiros anos dos Smiths, estão lá (com direito a alentados verbetes biográficos). Trechos das cartas que o cantor trocava com amigos nos anos 70. Excertos das resenhas escritas por Morrissey nos breves anos em que tentou ser jornalista musical freelancer. Seus jogadores de futebol favoritos. Fontes originais de onde sairam cada uma das citações, por mais crípticas que sejam, a figurar nas letras do cantor. Os fatos por trás das várias polêmicas que o artista já protagonizou, sejam inventadas por ele (como o mito do celibato ou sua sempre nebulosa opção sexual), seja aquelas para as quais foi arrastado (como as acusações de racismo, xenofobia e associação com a extrema direita britânica). É uma obra fanática, feita por um fã e dirigida apenas aos outros fãs. E nesse quesito, é irresistível e insuperável. Morrisseyianos são seres devotos, obcecados e minuciosos no que tange o objeto de sua adoração. Sim, é IMPORTANTE saber que os Smiths, em sua fase mais embrionária, pensaram em gravar uma versão da música “I Want a Boy for Birthday” (hit menor do grupo vocal The Cookies), apenas pelo potencial provocativo/andrógino do título. É FUNDAMENTAL saber que, apesar de dizer publicamente que nunca usara drogas, Morrissey batia na porta do baixista Andy Rourke pedindo o que chamava de “docinhos” – tranquilizantes e antidepressivos. É ESSENCIAL saber do paradeiro (desconhecido, aliás) de Annalisa Jablonska, moça que o cantor diz ter sido sua namorada (!) no começo dos anos 80 – e que só foi vista por Marr e o resto da banda uma ou duas vezes, tendo depois desaparecido. Se Morrissey é, para usar uma expressão criada por Wilde, uma “esfinge sem segredos”, é NECESSÁRIO apreender todos os fragmentos possíveis de sua persona, tentando capturar o incapturável: sua essência, tão debatida em milhares de entrevistas, e mesmo assim tão nebulosa.
Como toda enciclopédia, a Mozipedia não foi feita para ser lida direto, e sim consultada quando em dúvida. (Mas que fã resistiria?) O retrato que emerge não é 100% agradável. Steven Patrick cresceu superprotegido pela mãe, que o influenciou a tornar-se vegetariano e o apoiou incondicionalmente em cada decisão de sua vida. Sabemos como pessoas criadas assim podem ser “difíceis” e “sensíveis”, certo? O cantor é um declarado misantropo. E ainda assim busca sempre estar cercado de amigos e colaboradores – que podem ser descartados sem aviso prévio, em geral por terceiros (e não pelo próprio Morrissey). Brigou com sucessivos parceiros (Stephen Street, Mike Joyce, Mark Nevin) por comportar-se como um unha de fome incorrigível, protelando pagamentos e negando royalties. No verbete dedicado a David Bowie, Goddard explica como Morrissey abandonou na cara dura a turnê conjunta que empreendeu em 1995 com o Camaleão… e saiu falando cobras e lagartos do (ex?-)ídolo. No relacionamento com os vários melodistas com quem compôs após separar-se de Marr, o cantor assume um papel passivo (ops): os músicos mandam constantemente ideias para novas canções em fitas-demo e o vocalista, olimpicamente, seleciona as que julga mais dignas de seus versos. Goddard sugere, mais de uma vez, que isso já causou fricções entre os guitarristas Boz Boorer e Alain Whyte, principais parceiros do cantor desde 1993 (Whyte teria até gabado-se: “Eu sei do que Morrissey gosta”).
Morrissey é um ser humano extremamente complicadinho – em todos os sentidos da expressão – e isso fica evidente em suas entrevistas e mais ainda em suas letras. O calhamaço de Goddard dá as pistas para o caminho através do qual essas complicações foram construídas. Garoto nos anos 60, “Steven” cresceu assombrado por uma Inglaterra cinzenta, empobrecida e melancólica, uma construção mental que se deve menos à observação da realidade do que à sua obsessão com os filmes, peças de teatro e livros sobre a classe operária britânica. Esse interesse por uma imagem (romantizada) do povão inglês permanece até hoje, manifesto no apreço do cantor por boxe, futebol e pubs estilo pé-sujo. A confusão/ambiguidade sexual sem dúvida foi amplificada pelosrole models que o adolescente Morrissey adotou – Bolan, Bowie, Jobriath, os New York Dolls (sem esquecer de Oscar Wilde). O advento do punk afinal permitiu que o vislumbre de uma carreira musical se tornasse realidade. Quando ele se encontra com Marr, em 1982, “Steven” já era Morrissey; e não se engane, a persona ambígua, irônica, depressiva e contraditória foi cuidadosamente construída, projetada para causar o máximo impacto num cenário pop marcado por frivolidades e fru-frus.
Minha desconfiança é de que Goddard deixou o lado fã falar mais alto. Ao “limitar-se” a apresentar os fatos, com um mínimo de interpretação e/ou de intervenção, o jornalista certamente escolheu o caminho mais exaustivo. Mas também evita a tentação de explicar o mito, algo que seria quase inevitável num livro de narrativa mais convencional. Não por acaso, na introdução ele compara seu trabalho ao do repórter que protagoniza Cidadão Kane – mas exime-se de apontar o que seria o Rosebud de Morrissey. Ele joga todas, ou praticamente todas, as peças do quebra-cabeças lá, e cabe ao leitor juntar tudo. Talvez Goddard, ao juntar as peças por conta própria, tenha chegado à mesma conclusão pouco agradável a que cheguei – a de que Morrissey é, ora essa, humano também. E por isso lavou as mãos. Admiração absoluta não rima com conhecimento absoluto. Voltando a Goddard: “Aprendi a amar Morrissey pelo grande artista que ele é”. Bem, nós também. Ou não?
Este blog é um repositório atualizável dos textos que eu, MARCO ANTONIO BARBOSA, ou Marco Antonio Bart, ou Bart, escrevi e publiquei (ou não) como jornalista profissional desde 1996. O antigo http://fubap.org/telhadodevidro pifou sem dó nem piedade. O renascido TdV 2.0.1 está sendo montado aos poucos, inicialmente com os arquivos do antigo. Stay tuned!
No anúncio de carro em q o cara fala como o fim de semana foi bom, c/ festas, shows, etc, seria legal mostra-lo parado na blitz da Lei Seca 6 hours ago