(Publicado originalmente em 04/06/2007).
Eis a segunda parte da série de reportagens que fiz recentemente sobre a crise no mercado fonográfico. São mais dois textos publicados no Jornal Musical, devidamente interligados: a cobertura da Feira Música Brasil, que rolou em março, no Recife, e uma entrevista com Carlos de Andrade, presidente da ABMI (Associação Brasileira da Música Independente), entidade que organizou a Feira.
Feira Música Brasil: talento é tudo, a crise não é nada
12/03/2007
Tantas foram as direções apontadas, perguntas levantadas e conclusões tiradas da Feira Música Brasil (realizada entre os dias 7 e 11 deste mês) que só mesmo uma cidade tão múltipla musicalmente como Recife (PE) poderia ser o habitat natural do evento. “A diversidade foi uma das maiores características da Feira. E quer lugar melhor para reunir tudo isso que Pernambuco, cujo nome tem dez letras e nenhuma se repete?”, gracejou Carlos de Andrade, presidente da ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), entidade que coordenou a FMB. A reafirmação da força dos selos independentes no mercado brasileiro; a constatação de que a música brasileira é um produto de potencial comercial imenso, e que precisa ser tratada como tal; sugestões de caminhos alternativos para a crise da indústria fonográfica; uma intensa programação de negócios envolvendo acordos e parcerias entre gravadoras, produtores, artistas e órgãos governamentais; e por fim, mas nunca por último, uma batelada de shows dos mais diversos estilos, pondo em prática o que as dezenas de debates e palestras não cansaram de afirmar: que a nossa música vai muito bem, sim. Mesmo que o mercado, sempre ele, vá mal, muito mal.
A primeira edição da Feira Música Brasil (a segunda já está confirmada, no mesmo Recife, no ano que vem) ofereceu palestras, cursos, mostras de filmes, um espaço com stands de produtos e outro para negócios e parcerias e, como ninguém é de ferro, mais de 60 shows espalhados em diversos palcos. A mira era uma só: despertar a atenção do público e da mídia para a importância da música para a economia brasileira. “A música é o pilar principal da economia da cultura no Brasil e a Feira quer deixar isso claro”, afirmou Andrade. Ao final da FMB, a ABMI distribuiu publicamente um documento intitulado Carta de Recife, no qual resumiu os resultados obtidos na Feira:
“Graças às parcerias, patrocinadores e apoiadores, a Feira Música Brasil 2007 foi um sucesso.
A Feira Música Brasil 2007 foi uma plataforma de estrutura para o setor da música como pilar da economia da cultura.
A Feira Música Brasil concretizou os ideais da ABMI mostrando a importância do associativismo, da diversidade e da descentralização.
Fruto dos debates e discussões, a ABMI propõe as seguintes questões:
- A criação de mecanismos de financiamento para a música independente;
- A equiparação tributária dos bens culturais;
- O cumprimento da legislação que regula as concessões públicas de rádio e TV;
- O aperfeiçoamento do sistema de arrecadação e distribuição de direitos autorais;
- A criação de um órgão nacional para auxiliar na definição de regras de utilização dos direitos autorais, que proporcionem ao Brasil agilidade e competitividade no mercado mundial de música digital.
Recife, 10 de fevereiro de 2007″
Em termos de acordos econômicos, a ABMI considerou a primeira FMB um sucesso. As rodadas de negócios promovidas pelo Sebrae e BNDES geraram perspectivas de acordos comerciais que, confirmados, podem movimentar R$ 8 milhões, entre gravadoras, editoras, produtoras e distribuidoras. Setenta e cinco empresas tiveram seus planos de negócios de avaliados pelos analistas do Sebrae, e oito empresas foram selecionadas pelo BNDES para receber investimento do Fundo de Capitalização de Risco. As estatísticas da Feira Música Brasil apontam quase 2 mil e 100 pessoas que circularam nos auditórios e corredores do evento: 900 inscritos nas conferências e rodadas de negócios, shows que envolveram 270 músicos, 180 profissionais de imprensa em circulação, estandes de 200 expositores, 36 conferencistas, 550 profissionais de produção e apoio. No site www.feiramusicabrasil.com.br, pode-se ver fotos e notícias sobre todos os setores da feira. Na foto acima, a praça do Marco Zero, no bairro do Recife Antigo, que foi o quartel-general da feira. Foi na praça que aconteceu o show em comemoração aos 100 anos do frevo, na última sexta, dia 9.
“A salvação está nos independentes”
Quem se dispôs a acompanhar as 27 conferências oferecidas pela FMB em torno dos rumos do mercado fonográfico precisou não apenas de fôlego; também tinha de se multiplicar, pois várias das palestras tiveram horários conflitantes. As idéias foram muitas e as mais diversas, mas apontaram para direções semelhantes – o modelo de negócios do mercado atual vai desmoronar em um futuro bem próximo e as gravadoras independentes parecem estar mais preparadas para sair na frente quando a poeira baixar. “É mais fácil para as gravadoras pequenas se adaptarem a mudanças. As majors são como grandes navios, é difícil de virá-los rapidamente. Já os independentes são como lanchas, pequenas, mas que acabam indicando o caminho para o barcos maiores”, compara Carlos de Andrade. Um indício revelador é o fato de nenhuma das gravadoras majors (as multinacionais Sony BMG, Universal, Warner e EMI, que controlam mais de 80% do mercado, ter enviado representantes à FMB. “Todas foram convidadas, mas nenhuma foi cortejada para estar aqui. O comportamento do mercado ao longo de 2007 é que vai dizer se as majors estavam certas ou erradas em não vir”, diz Andrade, ressaltando que algumas independentes de renome, como a Trama, também não estiveram presentes.
Segundo César Prado, representante da distribuidora de CDs A Universal (não confundir com a gravadora homônima), o quadro é negro para quem vive da venda de discos. “Em 2002 tínhamos 7.600 lojas de CD cadastradas. Em 2005 o número caiu para 3.300. Só em 2006 mais de 300 lojas fecharam”. Maurício Bussab, da distribuidora Tratore, confirmou. “2006 foi um ano péssimo, 2007 será pior e 2008, ainda mais trágico”. Para João Augusto, dono da Deckdisc, as práticas viciadas das majors contribuem ainda mais para a crise. “O caso da EMI deu uma estragada violenta nos números de 2006″, diz, referindo-se ao escândalo contábil que derrubou a cúpula da administração brasileira do selo.
“A salvação está nos independentes”, afirma João Moreirão, vice-presidente da ABMI e ele mesmo diretor da gravadora CPC-Umes. “Nós (as independentes) somos o reflexo da capacidade do Brasil de produzir música”, diz, batendo forte no que chama de “sistema McDonalds de produção de discos”: “As gravadoras multinacionais trabalham com objetivos deletérios: querem ter apenas um punhado de artistas que vendam muito em todo o mundo. É inconcebível que um selo gigante como a Warner lance exatamente a mesma quantidade de discos brasileiros em um ano – apenas sete – que a minha gravadora, que é minúscula”.
As alternativas estão aí, e várias foram debatidas nas mesas da FMB. Pena Schmidt, veterano produtor (ajudou bandas como Ira!, Titãs e Ultraje a Rigor a decolar) e diretor do selo Tinitus, pintou um cenário caótico mas cheio de oportunidades. “Hoje música e distribuição digital são a mesma coisa. Temos de abrir mão de nossos antigos deuses e entender que a gravadora como era antes – um representante dos artistas para o mercado de música gravada – não existe mais”. Maurício Bussab, pioneiro na distribuição de música online (sua banda, Bojo, lançou em 1999 o primeiro álbum virtual do Brasil), diz que “o CD está deixando de ser um objeto de desejo. Pode ser que no futuro não haja o negócio de venda de música. O artista vai ganhar dinheiro de outras formas, com acordos corporativos com empresas ou licenciamento para filmes e comerciais, mas não com a venda direta para o ouvinte”. Moreirão reivindicou isenção de impostos para o CD de música brasileira, pedido antigo tanto de indies quanto de majors, e propôs: “Os impostos cobrados sobre os discos de artistas estrangeiros deveriam ir para um fundo de iniciativas de educação musical para o povo”.
E dentro da mesma independência, variam muito os caminhos individuais para a sobrevivência. Caso inconteste de sucesso no segmento das independentes, João Augusto apontou as diretrizes que levaram a Deckdisc a abiscoitar 2,24% do mercado em 2005, ficando atrás apenas das majors e da Indie Records. “Você pode ficar reclamando ou entrar na briga. Eu preferi entrar na briga. A gente não faz disco por favor a ninguém, e sim para fazer sucesso. Temos uma liberdade artística que as grandes gravadoras não têm, mas nossa estrutura não é nada inovadora, nossos valores são os mesmos das majors”, confirma João, que já passou por altos cargos em gravadoras como EMI, Abril Music e Polygram (atual Universal). Já o independente radical Fabrício Nobre, dono do selo Monstro e organizador dos festivais Bananada e Goiânia Noise, vai na contramão do capitalismo. “Fazemos música que é uma alternativa ao que está estabelecido aí, usando os princípios do trabalho da economia solidária e autosustentável”, diz Nobre, cujas iniciativas, entre selo e festivais, geram cerca de 100 empregos temporários.
A pirataria, online ou na banquinha do camelô, também esteve em pauta. E não necessariamente vista com maus olhos. “Nunca fomos pirateados. Acho isso uma ofensa”, brincou Bussab, da Tratore, a maior distribuidora de gravadoras independentes do Brasil. Pena Schmidt causou polêmica ao afirmar que “a pirataria é o maior serviço de divulgação que existe”. Mais ponderado e falando em nome da ABMI, Carlos de Andrade (de branco na foto abaixo, junto a Fabrício Nobre) atacou tanto o mercado de CDs piratas quanto os internautas que baixam música de graça. “Isso tudo desvaloriza o sentido da música, o valor do conteúdo daquele produto. O conceito da pirataria é um só: roubo. Precisamos educar, conscientizar o público, reprimir firmemente o pirata e investir em novas estratégias de marketing para convencer o cara que ainda compra CD a continuar comprando – e ampliar essa base”, afirma Andrade, também diretor do selo Visom.
Para além das discussões mercadológicas, ficou clara a fé que os representantes da indústria têm na força da música brasileira. Quem investir nessa força, independentemente do fim do CD ou de sua sobrevida, vai vencer. “Os números pioram a cada ano, mas a música continua”, diz Bussab. “Tudo se resume ao talento. Se a música vai ser paga ou não, isso é uma pequeníssima questão comercial. O que importa é: quantas pessoas querem ouvir aquela determinada canção? Música de graça sempre existiu”, reforça Schmidt. E o presidente da ABMI contou uma historinha que exemplifica o poder supremo do artista. “Certa vez Caetano Veloso discutiu com um diretor da Universal, que veio argumentar com ele dizendo ‘Eu sou o presidente’, e coisa e tal. E o Caetano rebateu: ‘Você é o presidente da Universal. Eu sou a Universal’”. Como redargüir?
____________________________________________________
‘Gravadoras precisam ouvir o público’, diz presidente da ABMI
08/04/2007
Haja bola de cristal para tentar prever para onde o mercado fonográfico brasileiro vai. Uma boa bússola pode ser seguir a orientação dada pelos selos independentes. Afinal, enquanto as gigantes do setor – as multinacionais Sony BMG, EMI, Warner e Universal – acusam prejuízos, balanços no vermelho e promovem demissões coletivas, as indies transformam a crise em oportunidade. Olhando tudo disso à distância está a ABMI – Associação Brasileira da Música Independente (www.abmi.com.br), órgão que congrega cerca de 100 gravadoras independentes. Fundada em janeiro de 2002, a associação vem provendo a seus sócios meios de aumentar suas forças na dura batalha por uma fatia maior do mercado (hoje dominado em mais de 80% pelas multinacionais). E, no começo do mês passado, deu sua maior demonstração pública de força ao organizar, com apoio de entidades como Petrobras e BNDES, a Feira Música Brasil (www.feiramusicabrasil.com.br), um dos maiores eventos já realizados no país em torno da indústria musical. Em entrevista ao Jornal Musical, o presidente da ABMI, Carlos Eduardo de Andrade, o popular Carlão, ele mesmo dono do selo Visom (especializado em música instrumental), falou sobre as perspectivas dos independentes em relação ao momento atual do mercado.
Jornal Musical: As gravadoras independentes parecem estar enfrentando a crise do mercado fonográfico de modo mais eficiente do que as multinacionais. Qual é o segredo?
Carlos Eduardo de Andrade: Para um selo independente, é mais fácil tomar iniciativas novas. Somos pequenos e ágeis. Uma comparação boa; as multis são como navios, grandes, poderosos, mas lentos. E nós, os independentes, somos lanchas, pequenas mas rápidas. E podemos indicar a direção aos navios grandes. Sei que isso pode parecer inveja ou despeito – ah, quem sou eu para falar das grandes gravadoras? Elas são gigantes, tem o poder de alavancar o mercado. Mas as multis não acreditaram que pudéssemos levantar uma bola tão grande quanto essa da Feira Música Brasil. A Warner recusou o convite para participar da Feira e, poucos dias depois, anunciou que teve perdas em seu balanço financeiro de 2006. Eles fizeram mal em não participar? Só podermos afirmar isso vendo os rumos que o mercado vai tomar em 2007.
Selos independentes como a Deckdisc, a Trama e a Indie ocupam hoje parcelas do mercado que seriam inatingíveis há 15, 10 anos. Já é possível falar em uma nova divisão do mercado, com os selos independentes oferecendo alternativas reais e acessíveis à música produzida pelas grandes gravadoras?
Sim. Estamos nos sentindo como parte do mercado agora. A representatividade – e a visibilidade – dos independentes só vem crescendo. Eles, os grandes, as majors, podem nos chamar de pequenos. Mas o que importa é o que o público quer. E não podemos desprezar o poder da associação. Organizações como a ABMI, a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) e a Abeart (Associação Brasileira dos Empresários Artísticos) estão se reunindo. E em ações conjuntas, com todo mundo reunido, o Golias do mercado fica parecendo pequenininho. Entre nós, os independentes, não há concorrência; as informações e os projetos são trocados entre os associados. Esses casos que você citou, como a Trama, a Deck e a Atração, por exemplo, são gravadoras muito bem sucedidas na exploração de determinados formatos que elas identificaram e que não estavam sendo atendidos pelas majors.
Queremos provar que, apesar da crise, é viável investir na indústria, pois existe uma demanda popular por música que só cresce. Se você pensar bem, tudo que nos cerca tem música: o carnaval, a televisão, o som ambiente nos restaurantes… Por isso mesmo o nosso nome é Associação Brasileira de Música Independente, e não ABDI – Associação Brasileira do Disco Independente. Porque a música é muito maior que o disco.
Fala-se muito no papel que a pirataria tem na crise do mercado. Os independentes, por apostarem em produtos e estratégias de marketing diferenciadas, sofrem menos com os piratas. Que lições os selos pequenos podem dar às grandes gravadoras?
Posso falar pela minha gravadora, a Visom. Eu sei que nunca serei pirateado, porque o meu público é bem formado, tem educação suficiente para saber que pirataria é o mesmo que roubo. E além de tudo ele quer o produto, o encarte, o CD legítimo. É como os discos da (gravadora) Biscoito Fino: são lindos, embalagens bacanas, som ótimo. É realmente um biscoito fino, não é rosquinha Mabel (risos). Mas também tem público para a rosquinha, tudo é questão de fazer um marketing inteligente. É possível pensar em lançamentos com preços diferenciados, edições com mais ou menos atrativos para atingir todo os públicos – desde o cara que quer pagar mais para ter o digipack, o encarte especial de fotos, o DVD-bônus, até o outro que só quer o CD mesmo e mais nada, e quer pagar mais barato. Um escalonamento de versões. As gravadoras têm de conversar com o público e saber o que ele quer, para atraí-lo. Por exemplo, acho um erro tratar o camelô como inimigo. Se as majors soubessem lidar com os camelôs, que é o cara que tem acesso direto ao público, poderia colocar na banquinha dele um CD legítimo, com encarte e tudo, a R$ 5. Já pensou?
Se o departamento de marketing servisse ao A&R (artists & repertoire, o setor artístico das gravadoras), estaria tudo resolvido. Mas acontece o contrário. O problema é que, em termos de marketing, gravadora grande é tudo igual. Eles não inventam, não ousam. Nós independentes estamos mais preparados para isso, pois atuamos em nichos de mercado.
E em termos imediatos, qual é o pensamento da ABMI sobre o combate à pirataria e ao download ilegal de MP3?
A pirataria tem um efeito maléfico. É a desvalorização do sentido do conteúdo da obra. Não adianta pensar em combater a pirataria abaixando o preço do CD na loja – não se combate roubo com preço baixo, o pirata sempre vai ser mais barato. O problema é que o público enxerga o artista de cima para baixo. Olha para o cara cantando lá no palco e pensa: “Ele é rico, eu sou pobre. Vou comprar o pirata, o artista não precisa do meu dinheiro”. Isso é errado! Falta é educar esse cara, fazê-lo entender que ele está cometendo um crime. Já para quem baixa música sem pagar, o que falta é repressão, pois ele em geral tem dinheiro e um nível cultural mais alto e sabe que está fazendo algo errado. Cito o exemplo do meu filho adolescente, que baixa música da internet usando Soulseek e outras ferramentas, e me disse: “Não concebo a idéia de pagar por música”. Ora, é o que eu falei sobre a desvalorização da obra. A repressão é antipática? É, mas mais antipático ainda é o cara que rouba.
Outro assunto em pauta é o potencial da música brasileira como produto de exportação. Como a ABMI está se preparando para essa nova realidade?
Precisamos transformar o Brasil em um país completo. Agora somos apenas um agrupamento de sons regionais. A música de Pernambuco, por exemplo, chega mais fácil no mercado exterior do que no Rio de Janeiro! O Silvério Pessoa é rejeitado no Rio e em São Paulo porque é “regional demais” e no entanto é isso que desperta o interesse das pessoas lá fora. Já ouvi gente reclamando do sotaque paulista da Céu, porque foram ouvir o disco dela esperando encontrar uma “nova Maria Rita”, e isso é tudo o que ela não quer ser… A diversidade, e esse é o ponto principal da FMB, é o que tem de ser valorizado. Temos de recuperar a visão mais “européia” de mercado que vigorava há alguns anos, com investimentos a longo prazo nas carreiras dos artistas. De uns anos para cá, as filiais das gravadoras passaram a seguir o modelo norte-americano, imediatista, de retorno a curto prazo. Deu no que deu.
A Feira Música Brasil reuniu representantes de todos os setores da indústria fonográfica para um debate amplo sobre os rumos do mercado. Mas nenhuma das gravadoras multinacionais quis participar do evento. Que conclusões podemos tirar disso?
Todas as gravadoras foram convidadas, mas nenhuma foi cortejada. Veio quem quis. E nem todos os associados da ABMI vieram, tampouco. A Trama, por exemplo, é tão independente que quis ficar sozinha, nem veio (risos). Mas garanto que na próxima Feira eles virão, e pelo menos uma ou duas multinacionais também. Não existe este cabo de guerra, “independentes X majors”; a nossa questão é música brasileira X música estrangeira. Temos uma agenda positiva com relação à crise e o importante é que as multinacionais saibam que já estão todas convidadas para a próxima feira.




