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TOP 10: MORRISSEYNIANAS.

Em 1999, a revista Q publicou uma edição especial com uma votação popular definindo os 100 maiores artistas pop do século 20. O público tinha que escolher cinco nomes (individuais; bandas não valiam) e anexar junto a cada voto uma breve justificativa. Dando uma colher de chá aos leitores, a revista pinçou uma dessas justificativas – a mais original, engraçada ou poética – para cada artista da lista. Deu Lennon (1º) e McCartney (2º) na cabeça. Na posição #41 (atrás de nomes como Dr. Dre, Richard Ashcroft e Richey Edwards!) vinha Steven Patrick Morrissey.  Não sei onde está o meu exemplar da Q, mas me lembro até hoje da frase escolhida pela redação, enviada por um leitor:  ”Eu o amo, mas não daquele jeito.”

Creio que esta frase resume meu relacionamento com Morrissey. Já ouvi incontáveis piadinhas por conta da minha admiração incondicional pelo cantor e por causa da importância que sua obra teve em minha formação musical. Fazer o que? Com ou sem os Smiths, sua voz e suas letras sempre fizeram total sentido para mim, e sempre farão. Por isso, inspirado na leitura de minha Mozipedia, relaciono aqui os 10 momentos mais marcantes que passei na companhia do bardo de Manchester. De quebra, preparei para cada item da lista uma tradução de um trecho da Mozipedia que seja pertinente ao momento em questão. Ei, se aparecer alguma editora interessada em lançar o livro aqui, posso indicar um bom tradutor…

(Este post é dedicado aos meus bons amigos Everton e Zervane, que talvez – talvez – gostem mais do Morrissey do que eu.)

1 – “This Charming Man”/ The Boy with the Thorn in his Side” (inícios de 1986)
Eu tinha acabado de fazer 12 anos. Um amigo apareceu lá em casa com um cassete da coletânea Hit Parade 86 - a capa me causou grande impressão.Perdida no repertório que misturava Wham!, Glenn Frey (!) e Simple Minds, lá estava a banda sobre a qual a revista Bizz não parava de comentar. “The Boy with the Thorn in his Side” foi a primeira canção dos Smiths a qual eu ouvisabendo que do que se tratava. Eu já conhecia (sem saber que era deles) “This Charming Man” – ouvia pedaços aqui e ali, tocando no rádio esporadicamente, e me perguntava que banda seria aquela. Não havia MTV, não havia internet, eu nem conhecia a Fluminense FM ainda (só passei a ouvir a rádio em 1987). Então como saber?

Só fui finalmente botar as mãos num fonograma de “This Charming Man” quando comprei, lá pros idos de 1987, meu Hatful of Hollow em vinil. Mas a versão que vinha no disco, como todos sabem, era a versão “devagar” gravada numa sessão para a BBC. Essa versão aqui:

Quando eu comprei meu The Smiths (o primeirão), em meados de 1988, notei que o lado A era encerrado por, vejam só, “This Charming Man”. Era a versão que se segue, finalmente a versão que eu perseguia há anos (em que o Morrissey berra). Completista obcecado, eu?

This Charming Man”: Na cronologia da banda (…) a música chegou depois que grande parte das músicas de The Smiths, o disco, já havia sido composta (…) e marcou o começo de uma nova fase no songbook de Morrissey/Marr; movia-se para longe do fúnebre clima depressivo do repertório inicial, em direção a um território pop mais jovial. (…) Mereceu o elogio do NME: “Um daqueles momentos nos quais renasce a presença elétrica e vívida do poder da música” (páginas 444-445).
“The Boy”: Marr lembra que a alegre melodia “simplesmente jorrou” de dentro dele, durante uma viagem de ônibus em meio à turnê de Meat Is Murder. “Era uma música leve, feita com espírito leve.” (…) É exatamente isso: os Smiths em seu momento mais leve, como uma pluma. Ainda assim, seus versos simples parecem ter um significado pessoal mais intenso para Morrissey; em 2003 ele a elegeu como uma das duas canções favoritas de sua própria obra, ao lado de “Now My Heart Is Full” (páginas 48-49).

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2 – The Queen Is Dead, o LP (provavelmente outubro/novembro de 1986)

Não importava. Já impressionado por “The Boy…”, resolvi que compraria um disco dos Smiths para saber se, afinal, a banda realmente correspondia a todos aqueles elogios da Bizz. Detalhe: eu nunca tinha comprado um disco na vida. Pouco depois de comprar a Bizz 15 (outubro de 1986), que vinha com o Morrissey na capa – foi a primeira Bizz que comprei por conta própria – comprei, num espaço de poucas semanas, The Queen Is Dead, True Blue (sim, Madonna) e Dois, da Legião Urbana. Os dois primeiros foram comprados, Deus meu, numa loja que não existe mais há uns 20 anos. Da lista de canções, eu só conhecia “The Boy”.  Como eu não sabia o título de “This Charming Man”, tinha esperança que alguma das outras faixas fosse, afinal, aqueeeela música que me intrigava há meses. Frustrei-me, o que não impediu que eu amasse todo o resto do disco, especialmente “I Know It’s Over”, “Never Had no one Ever”, “Some Girls Are Bigger Than Others”  e “There’s a Light that Never Goes Out”. Tudo para mim era ali era misterioso, fascinante: as letras, que eu me esforçava para entender, os vocais idiossincráticos, o enigmático descompasso entre a imagem da capa e o título do disco (Alain Delon = abaixo a monarquia = WTF?), os detalhezinhos dos arranjos (os fades na intro de “Some Girls…”, o sample arcano na abertura da faixa-título, as cordas sintéticas de “There’s a Light…”). Versos como “If you’re so funny, than why are on your own tonight?”, para um rapaz introvertido como eu, eram a pura perdição – afinal, alguém também entendia o que significava ser adolescente e “criminosamente tímido”, mesmo que esse alguém estivesse na distante Manchester. Os Smiths não soavam como nada que tocasse no rádio ou aparecesse na TV, naquele distante ano de 1986.  Meus pais não ouviam rock, eu não tinha o proverbial irmão/primo/amigo mais velho para me emprestar discos. Eu não conhecia nem os Beatles naquela época.

Post-scriptum: hoje não tenho mais meu vinil de The Queen Is Dead, o primeiro LP que comprei na vida. Emprestei prum vizinho que deu uma festa (para qual eu não fui convidado!) e deixou que algum convidado levasse o disco. Ao menos foi essa história que ele contou. Numa incrível coincidência, minha primeira cópia em CD do disco também seria roubada; tive de recomprar toda a minha discografia dos Smiths depois de um assalto a meu apartamento.

“I Know It’s Over:” “Era algo que os Smiths sempre ameaçaram fazer”, lembra Marr. “Uma grande balada melancólica, mas ainda assim do-it-yourself, pós-punk. Não é uma superprodução mas ainda ainda assim é carregada de emoção. É uma música que somente nós poderíamos fazer.” (…) Entre os leviatãs inquestionáveis do repertório de Morrissey/Marr, para muitos fãs esta música só fica atrás de “There’s a Light that Never Goes Out” na hora de decidir qual é a mais perfeita balada dos Smiths (páginas 181-182).

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- Hatful of Hollow (algum momento de 1987)

The Queen Is Dead foi o primeiro.  Meat Is Murder, que comprei depois, é para mim o melhor. Mas provavelmente o disco dos Smiths que mais ouvi foi HoH, que adquiri entre TQID e MIM. Oito músicas de cada lado, todas excelentes, cada uma exibindo uma faceta diferente do som e da poesia da banda. “Heaven Knows I’m Miserable Now” tornou-se o hino para os momentos de depressão/autocomiseração/autodepreciação. “Girl Afraid” era para dançar (lembram que tocava numa vinheta do Realce?). “Accept Yourself”, “You’ve Got Everything Now”, “These Things Take Time” e “What Difference Does it Make?” eram para pular e berrar junto. “How Soon Is Now?” era para ficar ouvindo quieto, tentando entender que sons eram aqueles. “Reel Around the Fountain”, “Back to the Old House” e “Please Please Please Let me Get What I Want” eram para tentar tocar ao violão (e para se emocionar). Meu vinil, comprado de segunda mão, não tinha o envelope com as letras, então eu tentava tirar os versos de ouvido. Devo um pouco de minha (relativa) fluência no inglês a aquelas tardes.

Hatful of Hollow: Julgado puramente em termos de composição, suas 16 faixas (…) são uma coleção de originais de Morrissey/Marr tão impecável quanto qualquer outro dos quatro discos oficiais de estúdio da banda. (…) Documentava o desenvolvimento musical do grupo, de “Hand in Glove”, de maio de 1983, aqui na versão original do single, até o polido esplendor pop de “William, It Was Really Nothing” (agosto de 1984). (…) Uma introdução acessível para os não-iniciados e desinformados entenderem a singularidade dos Smiths (páginas 159-160).

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Rank (finais de 1988? Começo de 1989?)

Os Smiths se dissolveram em meados de 1987. Morrissey lançaria seu primeiro solo em 1988.  Rank, primeiro e único  disco ao vivo do grupo, sairia em outubro de 88, e creio que no Brasil saiu simultaneamente à versão britânica. Considero o álbum um dos melhores registros de show de todos os tempos. Perdi muitas tardes ouvindo incansavelmente o disco e cantando junto.  Neste contexto, obviamente a versão de “Still Ill” era o highlight:

Rank: Como documento ao vivo, Rank é uma justa indicação do poder e da paixão expostas  pela banda no prematuro fim de sua carreira nos palcos, que ganhou solidez extra com a guitarra adicional de Craig Gannon e destacava o vigor rítmico de Mike Joyce como uma indispensável âncora. Houve, como Morrissey diz, “momentos mais brilhantes” (e piratas melhores), mas Rank é a prova de que um show dos Smiths poderia ser uma ocasião ruidosa e selvagem (páginas 342-343).

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5 – “The Last of the Famous International Playboys” (meados/final de 1989)

Eu já era bem grandinho, já tinha superado o fim do grupo e já tinha me conformado com a ideia de Morrissey solo. Só que  a carreira individual do bardo não me convencera de todo. Claro que Viva Hate tinha vários momentos brilhantes, alguns dos quais (“Alsatian Cousin”, “Late Night, Maudlin Street”) até fugiam do padrão smithiano mais óbvio. A primeira música solo do cantor que relamente me empolgou foi “The Last of the Famous…”, que, claro, não fugia nem pouco ao padrão smithiano mais óbvio. Quando vi o vídeo que juntava nada menos que três ex-Smiths (Mike Joyce, Andy Rourke e o bissexto Craig Gannon) a Morrissey, confesso que cheguei a me emocionar. “Cara, os bons tempos voltaram! Eu sabia que ele não iria me decepcionar!” Infelizmente, Bona Drag, o disco que trazia o single, não me desceu muito bem de primeira. (Um adendo: comprei o disco numa Ultralar, outra loja que não existe mais.)

The Last of the Famous International Playboys”: Após admitir que amava “a romantização do crime”, “Playboys” era um exame explícito do tema: uma descarada carta de admiração aos notórios gangsters londrinos dos anos 60 Reggie e Ronnie Kray, “escrita” por um jovem criminoso iniciante desejoso de alcançar a fama através de similares métodos vilanescos. (…) Sem dúvida, em seu confiante balanço musical e com a audaciosa  proclamação de seus versos, “Playboys” permanece como um dos mais vibrantes singles de toda a carreira de Morrissey (páginas 215-216).

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6 – “We Hate It When Our Friends Become Sucessful” (meados de 1992)

Os tempos eram outros, então. Eu já ouvia eletrônica, hip hop e MPB; bandas como Pixies, Stone Roses e Nirvana já haviam entrado em minha vida. Os Smiths continuavam lá, no seu panteão sagrado, mas Morrissey não tinha mais a importância que um dia tivera.  Kill Uncle, seu segundo trabalho solo (descontando a coletânea Bona Drag) me desanimou bastante. Por isso, quando ouvi “We Hate it…” na Fluminense, me espantei – positivamente. O som era pesado, rascante; a letra era engraçada (existe título mais morrisseyniano que este?); a performance, empolgada. Morrissey parecia rejuvenescido. Contendo minha animação, aguardei o álbum e não me frustrei.Your Arsenal marcava a estreia oficial dos dois guitarristas-compositores (Boz Boorer e Alain Whyte) que ajudaram o cantor a, afinal, achar sua sonoridade própria, cinco anos após o fim dos Smiths.  A nova banda trazia guitarras roncando alto (“You’re Gonna Need Someone on Your Side”, “Tomorrow”, “The National Front Disco”)  herdadas do interesse de Morrissey pela cena rocakbilly/psychobilly de Londres. Mas também era  capaz de momentos de sutileza e melancolia ímpares (“We’ll Let You Know”, “I Know It’s Gonna Happen”, “Seasick, Yet Still Docked”). “CARA, OS BONS TEMPOS VOLTARAM! EU SABIA QUE ELE NÃO IRIA ME DECEPCIONAR!”

“We Hate It When Our Friends Become Sucessful”:  O título espelhava uma das frases mais famosas de Oscar Wilde – “Qualquer um pode se compadecer com o sofrimento de um amigo, mas é necessária uma natureza muito delicada para alegrar-se com o sucesso do mesmo amigo” (…) Rumores que a  música era uma afiada mensagem destinada ao vocalista da banda James, Tim Booth, afinal foram confirmados (…) Era uma bem-vinda adição ao repertório de canções sobre fama e frustração, algo como uma “You Just Haven’t Earned It Yet, Baby” (…) com uma lambada extra de sarcasmo, até mesmo resgatando a risada despeitada de “Bigmouth Strikes Again” (páginas 469-470).

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7 – Vauxhall and I (meados de 1995)

O melhor solo de Morrissey viria logo depois de Your Arsenal. Mais melódico e pop, com guitarras domesticadas e substituindo a hiperatividade pela melancolia, o disco reúne pérolas melodramáticas como “Now My Heart Is Full”, “The More You Ignore Me, the Closer I Get”, “Hold on to Your Friends” e “The Lazy Sunbathers”. E fecha com uma das melhores, se não a melhor canção da trajetória individual do homem: “Speedway”.  Minha fé no mancuniano estava plenamente reestabelecida, e eu – diferentemente de muitas pessoas menos esclarecidas – já superara a ideia de que a carreira solo de Morrissey deveria ser considerada à sombra do legado dos Smiths. Morrissey era apenas Morrissey. E por mais que a parceria com Johnny Marr tenha rendido, sim, os anos mais inspirados de sua trajetória, a banda era passado e deveria ser considerada como mais uma parte da progressão artística do cantor – que seguia evoluindo, de forma independente. Em mais uma dessas cagadas que costumam assolar a minha vida, perdi meu primeiro VaI num assalto (era um CD importado!) e fui obrigado a comprar outro.

Vauxhall and I: (…) 1993 seria um dos anos mais traumáticos para o cantor, com a morte de pessoas próximas e uma ”longa fase” de depressão. (…) Ainda assim, desta abissal escuridão veio o álbum insuperável de Morrissey. Sua “obra-prima solo” definidora. (…) “Antes de Vauxhall and I, nunca tinha me sentido tão completo, satisfeito”, ele afirmou. “Um álbum no qual nenhuma faixa destoa, e em que todos os títulos são um sucesso. É uma nova e terrivelmente excitante emoção. (…) Encaixa-se na minha ideia de perfeição. Eu não poderia fazer nada melhor.” (páginas 455-458)

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8 – “Moonriver” (finalzinho de 1995)

Havia uma garota de quem eu gostei muito. E ela gostava de mim, mas… não o suficiente. E na primeira vez que ouvi essa versão morrisseyniana para o clássico de Henry Mancini, eu estava ao lado dela. Enfim. Eu já tinha uma ligação anterior com a música – o filme para o qual ela foi composto é um dos meus favoritos de todos os tempos. Fiquei impressionado com a ousadia da versão, na qual a performance vocal é escanteada em favor de um longo,  lindo e etéreo interlúdio instrumental, encharcado de reverbs e samples de choro feminino.  O disco que trazia a canção, a coletânea World of Morrissey, tinha outros ótimos momentos, como “Whatever Happens, I Love You” e “Boxers”.

“Moonriver”: Parecia surpreendente ouvir Morrissey apropriando-se de um clássico de cabaré, mas uma inspeção detalhada da letra (celebrando amor, amizade eterna e ambição juvenil) a coloca em posição análoga à de “Hand in Glove”. (…) Há uma suave tristeza pairando em sua interpretação, invertendo o otimismo original com uma sensação de perda e tragédia iminentes e que o sonho, “logo ali depois da curva”, nunca vai chegar. (…) O choro sampleado pertence à atriz Peggy Evans, soluçando em agonia depois de ser estapeada no rosto pelo canalha Dirk Bogarde no filme The Blue Lamp (1950) (páginas 270-271).

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9 – O show (5 de abril de 2000)

Morrissey se apresentou no Rio em abril de 2000, no ATL Hall (depois Claro Hall, hoje Credicard Hall). O texto que se segue foi publicado na edição 25 da revista Rock Press (junho de 2000).

E, numa noite quente de outono, ele veio até nós. Alguns já esperavam há pelo menos uma década. Outros (em números surpreendente) estavam no jardim de infância quando os Smiths eram a maior banda do mundo, levados ao show pela campanha idiótica de alguma “rrrrrrrádio rrrrock”. (Dois flagrantes da plateia: ao meu lado, um sujeito de uns 30 anos ficava de braços cruzados, olhando para todos os lados – menos para o palco – durante as músicas da carreira solo do cantor. Quando surgia alguma música dos Smiths, ele pula, cantava junto, erguia as mãos… Do outro lado, uma menina que não podia ter mais de 17 anos berrava sem parar: “Ask Me”, “Ask Me” – sic! Pobres e desavisados infieis.)
O fato é que, como ou sem Smiths no repertório, ver Morrissey ao vivo é a oportunidade única de encarar aquele que talvez seja o último pop star que mereça o termo. Nesta época de DJs anônimos, adolescentes louras peitudas e garotos da rua de trás, o velho mancuniano é a única figura inconfundível, o único com carisma real, o único digno de adoração – por parte de gente que esperou mais de 10 anos ou de gente que acabou de conhecê-lo.
E ao vivo, meus amigos, o bicho pega. Se ouvir Morrissey em casa é uma viagem introspectiva, que pode levar o ouvinte aos risos ou à comoção, no palco o negócio é só rock’n’roll, celebração, diversão, showmanship. O “inglês deprimido” é um mito; o ATL Hall (quase) lotado pôde comprovar isso. O cara suou, literalmente, e fez todo mundo suar  (os mais comovidos sempre podiam dizer que não eram lágrimas, mas o suor escorrendo…) Conversou com a plateia, tentou arrastar um fã afoito para o palco, pegou flores, cartazes, peças de roupa; negou, com um sorriso, pedidos de músicas (“‘Bigmouth’? No, no. Small mouth.”); atirou pelo menos umas cinco camisetas molhadas de suor ao público – a última, esfregada por dentro da calça em suas partes pudendas. Depressão, onde? Ritmo de festa.
O repertório não teve obviedades; na verdade, os hits foram praticamente evitados. Com sua banda afiadíssima, comandada pelo guitarrista Boz BorrellBoorer, Mozz lascou rock de cara, com “The Boy Racer” e “Billy Budd” – e foi inacreditável vê-lo entrar no palco, sorridente, todo de couro preto (suava!). Vários momentos brilhantes de sua carreira solo estiveram presentes. “Now My Heart Is Full” (numa versão sutil), “November Spawned a Monster”, “Trouble Loves Me”, “The More You Ignore Me…” Faltaram alguns sucessos, claro, mas não deu para sentir saudade, tal era o vigor com que o topetudo e sua banda se entregavam às canções. Pérolas menores como “Break Up the Family” ou “Hairdresser on Fire” foram mais que suficientes para completar.
E teve Smiths? Apenas quatro, e nenhum big hit. “Meat Is Murder”, “Half a Person”, “Is It Really So Strange?” e (no único bis) “Shoplifters of the World, Unite”. Foi ótimo – especialmente para contrariar os bobalhões que pediam “I Know It’s Over” e coisas do tipo. A emoção de ouvir aquelas maravilhas, mesmo sendo de segunda mão, é algo que só quem cresceu ouvindo Smiths pode entender. Mas nem precisava. Tanto que o momento mais iluminado da noite foi a magistral versão de “Speedway”, a melhor música do melhor disco solo de Morrissey.
P.S. 1: Não, ele não está gordo.
P.S. 2: Não, ele não está careca.

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10 – Ringleader of the Tormentors (2006)

Sete anos se passariam entre Maladjusted, o último disco que Morrissey lançaria no século 20, e seu retorno com You Are the Quarry, em 2004. De modo geral, os fãs e a crítica tendem a preferir YAtQ em lugar de RotT. Mas eu não. Foi muito bom reencontrar o cantor, ainda com a verve poética vigorosa e capaz de compor ótimas músicas como “Irish Blood, English Heart”, “The World Is Full of Crashing Bores” e “First of the Gang to Die”. Entretanto, para mim, o comeback só foi realmente concretizado com o lançamento deRingleader, a contrapartida mais melodramática e musicalmente mais rebuscada de YAtQ, que era soava mais direto. Nas letras, Morrissey parecia obcecado com a ideia de morte (“You Have Killed Me”, “In the Future When All’s Well”, “The Father who Must be Killed”). Em “On the Streets I Ran”, ele dá um dos mais memoráveis chiliques de sua carreira (“Dear God, take him, taker her, take anyone – the newborn, the stillborn, the infant, take anyone, take/ People from Pennsylvania, Pittsburgh but spare me”). Com “Dear God Please Help Me”, ele descrevia um encontro homossexual com riqueza de detalhes (algo que não passou despercebido pelos patrulheiros de plantão) ao som de um arranjo de cordas de Ennio Morricone. Já “I Will See You in Far-Off Places” e principalmente “Life is a Pigsty” davam seguimento às ousadias instrumentais que marcaram álbuns como Southpaw Grammar. Equilibrando punch roqueiro e melodias inspiradas, foi o melhor trabalho do homem desde Vauxhall and I. Belíssimo reencontro.

Ringleader of the Tormentors: Mesmo durante o auge do triunfante comeback de 2004, circulavam rumores de que You Are the Quarry nada mais era que um último hurrah, cuidadosamente planejado, antes de o cantor aposentar-se. (…) A reação a Ringleader foi tudo o que Morrissey poderia ter desejado. (…) Houve comentários na imprensa com termos como “gênio” e “a obra-prima” (…) e o disco estreou no topo da parada inglesa. (…) Sejam quais forem suas falhas, ao consolidar o comeback de Morrissey no século 21,Ringleader of the Tormentors foi um triunfo incontestável (páginas 354-357).

RENATO RUSSO, 15 ANOS DEPOIS.

(Republicado em 11/10/2011.)
“Artigo” que escrevi para o finado website Jornal Musical, analisando a obra da Legião Urbana. Vem a calhar hoje, dia 11 de outubro, quando completam-se 15 anos de morte do líder Renato Russo (o texto foi publicado originalmente em 2006, quando o funéreo completou 10 anos). A Legião foi um dos grupos mais importantes na minha formação musical. Mas hoje (e na verdade, já na época em que escrevi as linhas abaixo), minha opinião sobre Russo & a banda mudou muito. Considero o culto à figura de RR um equívoco, algo de que ele mesmo (provavelmente)  discordaria. Russo era um cara contraditório. Obcecado com a mitologia hedonista do sexo-drogas-rock’n’roll, tornou-se famoso pelo terceiro, pegou pesado no segundo e acabou morrendo por conta do primeiro. Ainda assim, é tido na conta de santo e guru por geração após geração de adolescentes. Tenho os discos da Legião em casa, não os escuto mais, mas quando, por acaso, ouço a introdução de “Tempo Perdido”, sinto uma emoçãozinha.

 

Renato Russo morreu há dez 15 anos, no dia 11 de outubro de 1996. Pouco depois de seu falecimento – por mazelas devidas à Aids – no dia 22 daquele mesmo mês de outubro, a Legião Urbana anunciava oficialmente seu fim. Mas nem a morte, nem a dissolução se fazem notar. No imaginário de mais de uma geração de roqueiros nativos, a Legião e Renato ainda seguem como as figuras mais importantes dos últimos 20 anos. Direta ou indiretamente. Basta lembrar que a Legião é um dos poucos, talvez o único, grupo surgido nos anos 80 que continua com todos os seus discos em catálogo (e ainda vendendo). E mesmo em bandas que (à primeira vista) não teriam muito em comum com a LU, como Charlie Brown Jr. e CPM 22, o legado de Russo e seu grupo persiste – se não diretamente no som, ao menos na postura e atitude (messiânicas?) traduzidas em letras “sérias” e cheias de “mensagens”.

Observada à distância dos anos, a discografia da Legião consegue parecer absolutamente singular – e, ao mesmo tempo, representar com bastante exatidão os altos e baixos de nosso rock, dos festivos anos 80 à ressaca do começo dos 90.  A trajetória de Russo e sua turma rumo a uma identidade sonora própria coincide com o paulatino processo de amadurecimento de nossa cultura roqueira. As circunstâncias que propiciaram a ascensão da Legião precisam ser levadas em conta, quando se pensa no prestígio que o grupo ainda tem até hoje. O ano de 1986 marcou a chegada do “triunvirato” representado pela LU, os Paralamas do Sucesso e os Titãs ao topo das paradas – contando com uma ajuda nada casual da conjuntura econômica. A breve estabilidade proporcionada pelo Plano Cruzado do governo Sarney permitiu que o rock brazuca deslanchasse de vez como produto de massa. Para além da coincidência macroeconômica, o culto à Legião (indiscutivelmente mais forte e influente que a popularidade dos Paralamas e dos Titãs) se deve à inegável capacidade do grupo de capturar a imaginação do público jovem – graças à poética de Russo, criticada por alguns e enaltecida por multidões de outros. O lançamento de Dois, segundo disco da  Legião, surgido no emblemático ano de 1986, marca a consolidação da imagem da banda no imaginário coletivo. E também o início da busca do grupo por um som individual, misturando as influências (às vezes, à beira do plágio) do rock britânico com a musicalidade própria, ainda que vacilante, de seus membros.

Coisa que ainda não havia no primeiro álbum do grupo, intitulado apenasLegião Urbana, lançado em 1985. A estréia da LU representou, na época, uma novidade. Havia uma densidade nas letras de Russo inexistente na média do rock brasileiro da época. E o grupo apoiava-se em referências sonoras que ainda não eram comuns por aqui. Era impossível não se impressionar com os climas de faixas como “Soldados”, “Ainda é cedo” e “Por enquanto”, ou o punch de “Será”, “Geração Coca-cola” e “A dança”. Mas os “truques sujos” de RR e sua gangue (na época ainda completa, com Dado Villa-Lobos, Renato Rocha e Marcelo Bonfá)  resistiram mal à passagem do tempo. A malandragem do grupo era copiar, por vezes descaradamente, no som de grupos britânicos como Gang of Four, U2 e Joy Division – os quais, não por coincidência, não eram muito conhecidos no Brasil na época. Legião Urbana, o disco, sustenta-se com a qualidade de suas canções, especialmente a das já citadas. Sua sonoridade, entretanto, hoje tem valor de souvenir de uma época mais ingênua de nosso rock.

Dois representou um passo mais largo rumo a uma Legião mais individual, com uma cara própria. Russo estava em 1986 no auge de sua fase morrisseyniana – e o amor pelo grupo The Smiths dominava, é certo, faixas como “Tempo perdido”, “Andrea Doria”  e “Acrylic on canvas”, de resto três das melhores do disco. Havia, contudo, mais  personalidade em momentos como o blues “Música urbana 2”, o manifesto “Índios” (de sonoridade eletrônica), a discursividade folk de “Eduardo & Mônica”, na brejeirice acústica do instrumental “Central do Brasil”  e na agressividade remanescente do punk de “Fábrica” e “Plantas embaixo do aquário”.  A poesia de Russo começava, de leve, a incursionar por temas mais pessoais, mais introspectivos que as palavras de ordem do disco de estréia. Os mais atentos puderam pescar as primeiras alusões ao (ainda não declarado) homossexualismo do cantor em “Daniel na cova dos leões” (“Teu corpo é meu espelho e em ti navego”). Nem tudo funcionava, mas o segundo álbum, primeiro produzido por Mayrton Bahia, apostava em uma maior diversidade sonora e poética. E procurava soluções simples mas criativas para vencer as limitações instrumentais do trio de apoio, que por anos teve de agüentar comparações desfavoráveis com a voz e as letras de Russo. Ainda que não seja o disco mais vendido da Legião, é sem dúvida o que ocupa o lugar de destaque na opinião da crítica.

As supostas “limitações” não chegaram a ser problema no terceiro disco da banda, Que país é este, lançado em 1987. Em vez de apostar em um repertório novo, a Legião escarafunchou seus baús da época punk brasiliense. Musicalmente, é um disco que, à primeira vista, representava um retrocesso para o então quarteto. Todo o lado A do antigo vinil vinha com uma sonoridade crua, tosca, emoldurando canções igualmente básicas. Por trás dadiscurseira panfletária e assumidamente adolescente (afinal, Russo & Cia eramadolescentes, ou quase, quando escreveram as canções), o repertório acrescentava novas nuances à banda. Por exemplo, havia o humor de “Química” (já gravada anteriormente pelos Paralamas) e “Tédio”, característica insuspeita nos seriíssimos dois primeiros álbuns. O segundo lado trazia a surpreendente “Faroeste caboclo”, que com quase 10 minutos de duração se tornou um hit radiofônico, sem cortes, e mostrava o grupo vasculhando variações rítmicas que iam do sertanejo ao baião, desembocando num rock pesado. Fechando com duas canções inéditas (“Angra dos Reis” e “Mais do mesmo”), Que país é este acertava as contas da Legião com seu próprio passado e preparava o grupo para a segunda fase de sua carreira, aberta auspiciosamente com seu disco de maior sucesso.

As quatro estações (1989) é, em muitos sentidos, o trabalho mais importante da Legião. Foi o mais vendido dos discos do grupo (1,7 milhão de cópias, com direito a nove sucessos radiofônicos). E também é o disco no qual Russo assumiu de vez sua homossexualidade (na letra de “Meninos e meninas”), numa atitude comportamental que marcou época. A citada canção era apenas uma entre várias outras (“Pais e filhos”, “Feedback song for a dying friend”, “Maurício”, “Há tempos”) que rompiam com o padrão discursivo-messiânico dos discos anteriores e apostavam numa poesia mais pessoal, intimista. Outra mudança marcante foi a saída do baixista Renato Rocha, firmando a formação da LU como o trio Russo-Dado-Bonfá. Mudanças e ousadias várias no som, como em “Monte Castelo” (na qual Renato declamava versos adaptados de Camões, sobre uma base folk), “Feedback song” (um rockão pesado fechado por uma coda  instrumental de sonoridade oriental) e a longa e climática “Eu era um lobisomem juvenil”. Essas músicas conviviam com outras “com a cara da Legião”, como “Há tempos”, “Quando o sol bater na janela do seu quarto” e “Pais e filhos”. Pode se dizer que, no quarto trabalho, a banda enfim depurou o passado remoto (punk) e o mais imediato (as influências do pós-punk inglês) e construiu um som pessoal. O estrondoso sucesso foi uma bela recompensa.

A inquietação artística e as várias complicações pessoais de Russo sem dúvida marcaram a composição e a gravação de V, o disco mais idiossincrático – para não usar o gasto termo “experimental” – da Legião. O vocalista já tinha sido diagnosticado como soropositivo e se via às voltas com excessos alcoólicos e drogas pesadas. No campo musical, abandonava as raízes punk e mergulhava em influências do rock progressivo, da psicodelia e até da música européia medieval. A soma desses fatores gerou um trabalho sombrio, ainda mais tristonho do que de costume, mas artisticamente mais instigante. A guinada orientava as músicas mais longas e aventureiras do disco, como “Metal contra as nuvens” e “A montanha mágica”, que investiam em alternâncias de climas e variações rítmicas. No lado das canções mais “normais”, como “Vento no litoral”, “Teatro dos vampiros” e “O mundo anda tão complicado”, a banda buscou uma sonoridade mais leve, semi-acústica, que fazia o contraponto às mais roqueiras “Sereníssima” e “L’age d’or” e às viagens das músicas mais lentas. Quando o disco saiu, em 1991, o rock brasileiro estava numa maré baixa mercadológica. Paralamas e Titãs, os outros componentes do “triunvirato” que dava as cartas em nosso pop, estavam em entressafra criativa e não contavam mais com o prestígio da crítica. E ainda não havia surgido uma nova geração de bandas que pudesse substituí-los. Enquanto isso, a queda nas vendas havia empurrado outros gêneros (sertanejo-romântico, lambada) para o topo das paradas. Em meio a esse turbilhão, a Legião lançou seu disco mais complexo e francamente anti-comercial, que não foi bem de vendagem, mas confirmou a independência e imprevisibilidade do grupo.

Quando o sexto disco da banda, O descobrimento do Brasil, chegou às lojas em 1993, a Legião já estava em franco processo de se tornar uma lenda. A ausência do grupo dos palcos, devido aos problemas de saúde de Russo, e a própria reclusão do vocalista emprestava uma aura misteriosa sobre os bastidores do grupo. A resposta em forma de disco veio em uma obra surpreendentemente otimista e “pra cima”, contrastando com os inúmeros conflitos pessoais do líder da Legião. As letras eram abertamente românticas e pessoais, adornando um disco de melodias leves, sem arroubos de agressividade. Russo falava de perda e saudade, mas não deixava de incluir toques de esperança mesmo nas letras mais tristonhas. Mais uma vez, a sonoridade acústica e baseada em violões e teclados dominava o álbum, dessa vez a serviço de canções curtas, menos ambiciosas que em V. Belas  e simples melodias, como as de “Giz” (que Russo afirmou ser sua canção favorita no repertório da LU), “Vamos fazer um filme”, “O descobrimento do Brasil” e “29”, davam a tônica do disco. O contraponto mais crispado vinha apenas ocasionalmente, como em “Só por hoje” e “A fonte”, num disco que trazia a face mais plácida e, por que não, zen da Legião até o momento.

A tempestade ou o livro dos dias, lançado apenas 21 dias antes da morte de Russo em 1996, encerra a trajetória da Legião no estúdio. (Enquanto a banda existia, foi lançada a coletânea de faixas ao vivo Música para acampamentos;depois da morte de RR, ainda chegaram o disco de sobras Uma outra estaçãoe  Acústico MTV, Como é que se diz eu te amo As quatro estações ao vivo, todos ao vivo.) Quem se perturbou com o tom melancólico e depressivo de Vdeve ficar longe do disco final do grupo. Visivelmente influenciado pela deterioração da saúde do vocalista, o álbum é impregnado de ponta a ponta pela sensação que Russo estava se despedindo da vida. A fraqueza do cantor é palpável em boa parte das gravações, que ficaram apenas com a voz-guia (Russo não quis registrar as vozes definitivas). Musicalmente, é um disco mais pobre que todos os anteriores. As melodias, pouco inspiradas, se desdobram para encaixar-se na métrica das letras desesperançadas de Renato. A predominância dos teclados fornecidos pelo músico convidado Carlos Trilha acabou deixando as músicas todas muito parecidas umas com as outras. O disco foi planejado originalmente como um álbum duplo, mas acabou chegando ás lojas como simples. Quando, cerca de um ano depois, o disco Uma outra estação foi afinal lançado (contendo o resto das canções do projeto original), foi impossível evitar um suspiro: a Legião deixou de fora algumas músicas, como “Marcianos invadem a Terra” e “Antes das seis”, que deixariam A tempestade um disco mais equilibrado  e menos deprimente.

O balanço artístico da discografia da Legião Urbana é, apesar de todos os pesares, positivo. O grupo representa uma época mais romântica, “séria” de nosso rock pós-Blitz, e nesse sentido disseminou uma influência incomparável entre fãs e músicos que vieram depois. E a figura de Russo bem pode ter sido nosso primeiro rockstar trágico, um mito – infelizmente –  indispensável a qualquer cultura pop que se preze, vide o culto infindável a figuras como Jim Morrison, Jimi Hendrix ou Kurt Cobain.  Muita gente hoje em dia vê  “ingenuidade” nas pregações de Russo, ou “fragilidade” no acompanhamento instrumental que emoldurava suas letras. Não importa: a Legião ajudou o rock brasileiro a evoluir, e o fez de maneira completamente pessoal, alheia a modas ou tendências mercadológicas. E isso é o que se pode chamar de influência.