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	<title>TELHADO DE VIDRO versão 2.0.1TELHADO DE VIDRO versão 2.0.1</title>
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	<description>Jornalismo, etc., por MARCO ANTONIO BARBOSA</description>
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		<title>JornaliRmo Corporativo™ &#8211; A SÉRIE!</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Apr 2013 18:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Espanando a poeira do blog, abandonado há meses, retomo o fio da meada iniciada com o GLOSSÁRIO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA. Numa espécie de tumblr improvisado, abrigado dentro do TdV, postarei diariamente &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Espanando a poeira do blog, abandonado há meses, retomo o fio da meada iniciada com o <strong><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/2012/12/10/capitulo-i-o-glossario-da-comunicacao-corporativa/">GLOSSÁRIO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA</a>. </strong>Numa espécie de tumblr improvisado, abrigado dentro do TdV, postarei diariamente conteúdos curtinhos &#8211; uma foto, um <em>image macro</em>, algumas linhas de texto &#8211; sobre as agruras que o profissional da comunicação corporativa enfrenta em sua labuta. Lembrem-se que (praticamente) tudo será extraído de experiências reais, ainda que os nomes e contextos exatos possam diferir um pouco, para proteger inocentes, culpados e, acima de tudo, a mim mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><em>EPISÓDIO III: Habilidades desejáveis: inglês fluente, domínio do MS Office, telepatia</em></h1>
<p>(Clique na imagem para ver uma versão maior.)</p>
<p><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2013/04/cliente-ok.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-485" title="cliente ok" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2013/04/cliente-ok-554x1024.jpg" alt="" width="554" height="1024" /></a></p>
<h1><em>EPISÓDIO II: Mais uma típica rodada de pedidos de revisão </em></h1>
<p>(Clique na imagem para ver uma versão maior.)</p>
<p><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2013/04/revisao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-481" title="revisao" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2013/04/revisao.jpg" alt="" width="956" height="514" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>___________________________________________________________________________________________</p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><em>EPISÓDIO I: Meu Word está sem corressão hortográfica </em></h1>
<p><em></em><span style="font-size: 13px;">Quem nunca, não é mesmo, minha gente? (Clique na imagem para ver uma versão maior.)</span></p>
<p><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2013/04/cliente.jpg"><img class="size-full wp-image-471 alignnone" title="cliente" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2013/04/cliente.jpg" alt="" width="818" height="588" /></a></p>
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		<title>Capítulo I: O GLOSSÁRIO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA.</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Dec 2012 18:51:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Você é jornalista? Está empregado em um veículo de imprensa?  Digo, um veículo DE VERDADE &#8211; um jornal, uma revista, um site?  Presta contas sobre seu trabalho ao seu editor, &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Você é jornalista? Está empregado em um veículo de imprensa?  Digo, um veículo DE VERDADE &#8211; um jornal, uma revista, um site?  Presta contas sobre seu trabalho ao seu editor, e apenas ao seu editor, e ninguém mais?  Acredita que o seu &#8220;compromisso é com a verdade&#8221; e que o &#8220;leitor deve ser o único a julgar o seu trabalho&#8221;? Parabéns!</p>
<p>Ah, sim: você é um animal em extinção.</p>
<p>O conjunto de procedimentos e regras ao qual nos habituamos a chamar de &#8220;jornalismo&#8221; está mudando. E por &#8220;mudando&#8221;, eu quero dizer &#8220;em vias de acabar&#8221;. Vocês têm acompanhado <a href="http://portal.comunique-se.com.br/index.php/editorias/28-carreira/70337-demissoes-na-ejesa-meia-hora-e-o-dia-dispensam-mais-de-20.html" target="_blank"><strong>as últimas notícias</strong></a> sobre o <strong><a href="http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/ultimas_noticias/55326/editora+abril+promove+cortes+cerca+de+150+funcionarios+foram+demitidos" target="_blank">mercado brasileiro</a> </strong>de comunicação? Ou mesmo as <a href="http://newsosaur.blogspot.ca/2012/11/online-sales-are-flat-lining-at.html" target="_blank"><strong>mais recentes conclusões</strong></a> sobre <a href="http://knightcenter.utexas.edu/blog/00-12213-journalism-industry-dead-says-columbia-university-new-essay" target="_blank"><strong>o futuro do jornalismo baseado em anúncios</strong></a>? Pois é, rapaziada, o <em>negóço</em> tá ruço.</p>
<p>Mas ainda que os empregos nas redações estejam desaparecendo (junto com as próprias redações), sempre haverá emprego para quem sabe escrever. Melhor ainda se esse camarada souber escrever de modo claro e conciso; conseguir obedecer a prazos e formatos bem definidos; souber como obter informações de outras pessoas.  Todo mundo tem uma história para contar, e não há profissional mais bem-preparado para conta-las do que os jornalistas. A diferença é que agora vivemos no mundo do conteúdo, e não mais no mundo do jornalismo. Conteúdo é uma espécie de jornalismo <a href="http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070928075553AAOilzr" target="_blank"><strong>denorex</strong></a>: parece, mas não é. Em vez de trabalharmos na velha imprensa, trabalharemos em agências de comunicação, fornecendo palavrinhas, fotinhos e pagininhas para as mais diversas demandas de comunicação das mais diversas empresas. Em vez de termos um compromisso com a verdade (sic!), teremos um compromisso com o cronograma. Em vez de termos o leitor como juiz, teremos os clientes (empresas) nos julgando.</p>
<p>Entender como fazer a transição do jornalismo para o conteudismo é vital para o profissional de comunicação nos dias de hoje, e eu estou aqui para ajudar! Foi pensando nessa transição que resolvi escrever um livro sobre minha incursão no mundo do conteúdo. <em>O Zen e a Arte de Gerenciar Projetos de Comunicação Corporativa </em>é o título provisório da obra, e abaixo segue um trecho inédito: um rápido glossário de termos próprios do universo das agências de comunicação, para ajudar o pobre jornalista recém-chegado ao cenário. A conclusão do livro vai depender do meu tempo livre e, claro, da repercussão obtida por este post. Há algum interessado na plateia?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 505px"><img src="http://debralegg.com/wp-content/uploads/2009/01/paperwork.jpg" alt="" width="495" height="400" /><p class="wp-caption-text">Conteudista em um raro momento de descontração na agência.</p></div>
<p>ATENDIMENTO. O setor responsável por fazer a interface entre o CLIENTE e a CRIAÇÃO e a prova viva de que sim, é possível servir a dois senhores. Isso quando o trabalho é bem feito, o que nem sempre acontece. Idealmente, deveria haver um equilíbrio entre a atenção dada ao cliente e o apoio ao trabalho da agência. Na vida real, na maioria das vezes o atendimento acaba pendendo para o lado do cliente (fazendo aquela média bacana com o pessoal da grana),  aceitando prazos impossíveis de cumprir e prometendo mundos &amp; fundos os quais, muitas vezes, a agência não tem condição de executar. Costuma ser a ala mais arrumadinha e cheirosa da agência, composta basicamente por moças elegantes e dadivosas. Elas também detêm o conhecimento dos misteriosos meandros do MICROSOFT OFFICE, e são capazes de produzir apresentações em Power Point, CRONOGRAMAS em Project e tabelas de status em Excel, de modo profissional, clean e incompreensível.</p>
<p>APROVAÇÃO. O ritual místico no qual o CLIENTE dá seu OK ao material entregue pela agência. É um momento ansiosamente aguardado pelo cliente (que afinal vai ter o produto em mãos) e pela agência (que afinal vai poder faturar pelo trabalho). Mas nada é tão simples. As aprovações, via de regra, são feitas em vários níveis, após uma série de mudanças e correções (veja REFAÇÃO). No mínimo, o projeto precisa ser aprovado por um coordenador, um gerente de área e, na maioria dos casos, o diretor de comunicação da empresa-cliente. Esse diretor nunca tem tempo para nada e só vai ver o material às 17h55 de sexta-feira, para aí sim mandar refazer tudo do zero. A lentidão nas aprovações é um fator crítico no descumprimento dos CRONOGRAMAS.</p>
<p>BRIEFING. Todo JOB se inicia com um briefing, que vem a ser um resumo daquilo que o CLIENTE espera que a agência cumpra. Orientações básicas sobre estilo, conteúdo, contatos de pessoas a serem entrevistadas, objetivos principais do material a ser entregue, etc. Um bom briefing é sucinto e objetivo, descrevendo exatamente o que o cliente quer que a agência produza, sem se estender muito. Entretanto, bons briefings são artigos raros no mundo da CC. Em geral, os briefings são <em>A</em>) imprecisos, <em>B</em>) longos e confusos, <em>C</em>) crivados de expectativas irrealistas e/ou <em>D</em>) simplesmente imbecis. Boa parte das vezes, um único briefing se enquadra em todas as categorias descritas abaixo.</p>
<ul>
<li>Exemplo de briefing <em>A</em>): &#8220;A reportagem tem que ter declarações das fontes X e Y, mas isso pode mudar. De qualquer maneira, ambos estão de férias agora. Talvez o diretor Z também entre. Mas não dá para confirmar isso agora. Vamos resolver depois de discutirmos internamente. Adiantem o que der enquanto isso.&#8221;</li>
<li>Exemplo de briefing <em>B</em>): &#8220;Temos de usar os recursos de storytelling, com um conteúdo bem em primeira pessoa, reforçando a busca pelo engajamento do usuário&#8230;&#8221; (<em>seguem-se três páginas de yadayadayada</em>)</li>
<li>Exemplo de briefing <em>C</em>): &#8220;Reportagem sobre as novas tendências da tecnologia. Entrevistados: Bill Gates, Larry Page, Mark Zuckerberg e Steve Jobs. Sim, sabemos que o Jobs morreu, mas vocês dão um jeito, né?&#8221;</li>
<li>Exemplo de briefing <em>D</em>): &#8220;Tema: o futuro das mídias digitais. Entrevistem dois especialistas, um contra e outro a favor.&#8221; (<em>Esse é verdadeiro, eu mesmo fiz a reportagem.</em>)</li>
</ul>
<p>CLIENTE. A entidade em torno do qual gravitam as agências. Fonte de aporrinhações, noites mal-dormidas, trabalho no fim de semana, choro e ranger de dentes, mas também fonte do todo-poderoso faturamento. A galera do CONTEÚDO e  da CRIAÇÃO tem uma relação de amor e ódio com o cliente. Sem cliente, não há trabalho, nem dinheiro&#8230; mas também não há REUNIÕES, CRONOGRAMAS ou REFAÇÕES. Já a turma do ATENDIMENTO se sente muito à vontade com os clientes &#8211; claro, precisam fazer aquele social bonito para garantir que tudo saia bem. Nas palavras imortais de uma bela jovem (profissional de atendimento, claro) com quem trabalhei: &#8220;Vocês não deveriam reclamar tanto dos clientes. Eles pagam os seus salários.&#8221;</p>
<p>CONTEÚDO. Os textos, layouts, websites, fotos, ilustrações, infográficos, vídeos, animações, podcasts, aplicativos etc. que são produzidos pela agência e entregues aos CLIENTES. Acerta-se o JOB, recebe-se o BRIEFING, produz-se o conteúdo, entrega-se ao cliente, faz-se as REFAÇÕES pedidas, devolve-se o material e aguarda-se a APROVAÇÃO. É meio confuso explicar o conceito para os profissionais da velha guarda (especialmente jornalistas). Quanto mais rapidamente o profissional se desapegar do conteúdo que produz, mais tranquila será a sua vida. Ver também CONTEUDISTA.</p>
<p>CONTEUDISTA.  O conteudista é um profissional altamente demandado nas agências de comunicação. Sua função é produzir todo o tipo de textos: revistas, jornais, sites, posts de redes sociais, informes publicitários, slogans, anúncios, legendas para vídeos&#8230;  Não me canso de repetir: o jornalismo como o conhecíamos no século passado é uma arte morta. Resta às legiões de jornalistas desempregados realizar o salto definitivo rumo ao conteudismo &#8211; ou seja, escrever qualquer tipo de CONTEÚDO que demande texto. Nas agências de publicidade de formato clássico, essa é a seara dos redatores. Com a multiplicação dos projetos de comunicação corporativa e de branded content, mais e mais jornalistas estão se enquadrando no perfil. No começo, a adaptação é difícil. O jornalista que vem de uma redação vai sofrer muito até se encaixar nesse estranho mundo de CRONOGRAMAS, APROVAÇÕES e DUPLIPENSAR CORPORATIVO. Mas não se enganem, coleguinhas: caminhamos rumo a um futuro em que o jornalismo &#8220;puro&#8221; será algo cada vez mais raro. O conteudismo é única saída.</p>
<p>CRIAÇÃO. A porção da agência que concretamente trabalha no CONTEÚDO a ser entregue ao CLIENTE: (ex-)jornalistas, redatores, designers, consultores de mídias sociais. A CRIAÇÃO vive acossada, lutando contra CRONOGRAMAS pouco realistas, rebatendo os pedidos de REFAÇÃO enviados pelos CLIENTES e as incessantes demandas repassadas pelo ATENDIMENTO, e tentando se esquivar das constantes REUNIÕES.</p>
<p>CRONOGRAMA. Peça ficcional produzida em conjunto pela agência e pelo CLIENTE, fixando datas para a execução das várias etapas de um dado JOB. Funciona assim: depois de estabelecido o escopo do projeto, a agência apresenta o cronograma ao cliente, produzido com o misteriosíssimo e impenetrável Microsoft Project (ver MICROSOFT OFFICE). É um tabelão cheio de datas, linhas e prazos de entregas; o pessoal da CRIAÇÃO dá uma olhada, finge que entendeu e aprova. O cliente olha e diz que X dias devem ser diminuídos do tempo de produção &#8211; o que vai obrigar a agência a trabalhar mais rápido. A agência corre atrás, se desdobra e entrega o negócio no prazo menor&#8230; apenas para o projeto emperrar no labirinto das REFAÇÕES e das APROVAÇÕES. Não há, nunca houve e nunca haverá um cronograma cumprido à risca. Como costumo dizer, mais inútil que um cronograma, só mesmo o corretor ortográfico do Word. Ou, de acordo com uma das mais exatas <strong><a href="http://www.murphys-laws.com/">leis de Murphy</a></strong>, &#8220;Nunca há tempo suficiente para que o trabalho saia perfeito, mas sempre há tempo para refações.&#8221;</p>
<p>DUPLIPENSAR CORPORATIVO. O jargão muito específico usado nas agências de conteúdo. Várias palavras aparentemente corriqueiras têm seu sentido modificado, enquanto outras, inventadas, surgem para explicar (ou não) situações inauditas. Seguem alguns exemplos:</p>
<ul>
<li><em>Alinhamento: </em>tentativa de garantir que todas os profissionais envolvidos em dado projeto estejam trabalhando com os mesmos objetivos, metas e prazos em mente. Nunca dá certo.</li>
<li><em>Demanda</em>: problema.</li>
<li><em>Desafio:</em> problema.</li>
<li><em>Desenvolvimento de competências</em>: o popular desvio de função. &#8220;Fulana, do atendimento, saiu? Ah, vamos passar os clientes dela para a Beltrana. Será ótimo para ela desenvolver mais competências.&#8221;</li>
<li><em>Em negociação: </em>enrolando.</li>
<li><em>&#8220;Estamos muito preocupados&#8221;:  </em>prenúncio polido para algum tipo de esporro mais sério. &#8220;Estamos muito preocupados com o atraso no CRONOGRAMA&#8230;&#8221;</li>
<li><em>Oportunidade: </em>problema.</li>
<li><em>Parceiro</em>: profissional ou empresa disposto a trabalhar de graça, já que &#8220;vai ser bom para ele aparecer&#8221;.</li>
<li><em>Questão: </em>problema.</li>
<li><em>&#8220;Vai ser bom pra você aparecer&#8221;</em>: argumento principal usado para convencer alguém a se tornar um parceiro. O conceito é intimamente ligado ao de desenvolvimento de competências. Variações: &#8220;Vai enriquecer seu currículo&#8221; ou &#8220;Quebra essa agora, que mais trabalhos virão no futuro&#8221;.</li>
</ul>
<p>JOB. Sinônimo anglicizado para &#8220;projeto&#8221;. Participar de um job é a garantia certa de encontrar demandas, desafios e oportunidades para desenvolvimento de competências (ver DUPLIPENSAR CORPORATIVO, acima).</p>
<p>MICROSOFT OFFICE. A fonte de onde emana todo o CONTEÚDO, devidamente formatado e empetecado. Antes de o jornalista aderir às hostes d<span style="text-decoration: line-through;">o</span>a <span style="text-decoration: line-through;">jornalismo</span> comunicação corporativ<span style="text-decoration: line-through;">o</span>a, é perfeitamente possível que ele tenha passado a vida usando apenas o bom e velho MS Word &#8211; e apenas para escrever, e olhe lá. O primeiro choque vem quando ele descobre que é possível deixar comentários (gasp!) em textos do Word. É assim que o CLIENTE sinaliza as REFAÇÕES inevitáveis que precisam ser feitas no texto. Depois, ele vai ter de aprender a usar o Excel, para acompanhar o status do CRONOGRAMA, saber quais pendências precisam ser resolvidas, etc. O próximo passo é compreender os recursos infinitos do Power Point, usado para fazer lindas e convincentes apresentações multimídia para os CLIENTES. Finalmente, quando o cansado ex-jornalista em atividade for um CONTEUDISTA pleno, vai dar o grande salto: aprender a usar o Project, com o qual se constroem os CRONOGRAMAS. Ninguém disse que seria fácil, colega.</p>
<p>REFAÇÃO. Palavra favorita do CLIENTE, aplicada quando surge a necessidade de refazer alguns, vários, ou TODOS os detalhes de algum item de CONTEÚDO. Outro termo exclusivo do universo das agências de comunicação/marketing. Eu mesmo só fui conhecer depois que entrei para o mundo da comunicação corporativa &#8211; e franzi a testa ao ouvir pela primeira vez, achando tratar-se de um erro. Para minha surpresa, conferi que a palavra existe no dicionário. Provavelmente vem do inglês remake. Ao menos uma vez, já ouvi a variação &#8220;refazimento&#8221; sendo usada, mas essa eu tenho certeza que não existe no Aurélio.</p>
<p>REUNIÃO. Ritual em função do qual toda a comunicação corporativa se organiza. Se a CC fosse um religião, a reunião seria a missa. Tudo em um projeto de CC gira em torno de reuniões, que são marcadas para iniciar o processo, para dar continuidade ao processo, para acompanhar o processo, para acompanhar o acompanhamento do processo, para promover o alinhamento, distribuir novos desafios, delimitar novas competências (ver DUPLIPENSAR CORPORATIVO), rediscutir o CRONOGRAMA, debater as REFAÇÕES a serem feitas, apresentar propostas em ppt (ver MICROSOFT OFFICE)&#8230; Entre uma reunião e outra, os CONTEUDISTAS tentam trabalhar. Às vezes, eles até conseguem.</p>
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		<title>DA SÍNDROME DA MISOGINIA INVOLUNTÁRIA.</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jun 2012 01:44:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este post era um dos campeões absolutos de audiência do antigo TdV, escrito originalmente em 2002. A postagem original tinha literalmente centenas de comentários (a grande maioria de rapazes misóginos &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este post era um dos campeões absolutos de audiência do antigo TdV, escrito originalmente em 2002. A postagem original tinha literalmente centenas de comentários (a grande maioria de rapazes misóginos mesmo, que não entenderam muito bem a mensagem). <strong><a href="https://www.google.com.br/search?sugexp=chrome,mod=4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;q=sindrome+da+misoginia+involuntaria" target="_blank">Foi republicado/citado/tungado em vários lugares web afora</a></strong>. Resgato-o, muito oportunamente, no Dia dos Namorados.</em></p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/dkPQinEEB94?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/dkPQinEEB94?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>A história que relatarei a seguir é <del>verídica</del> baseada em fatos. <img src='http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Lá pelos idos de 1992, nos meus loucos anos de faculdade, conheci um cara que até hoje é um dos meus melhores amigos. (Vamos por isso preservar sua identidade; digamos que ele se chame… Jake Barnes). Esse rapaz era estudante de cinema, um sujeito boa-praça, inteligente, tímido e sensível. E, claro, um tanto inexperiente no trato com o sexo oposto. Ele travou contato com uma colega de sala (vamos chamá-la… Lady Brett) e não demorou muito para que os interesses em comum entre os dois gerassem uma singela amizade. Ou algo mais. Papo vai, papo vem, conversa daqui, conversa dali, Jake resolve – em uma festa, já devidamente aditivado alcoolicamente – abrir seu coração para Brett. Não foi a primeira vez, nem será a última, que ouviu-se numa pista de dança as clássicas palavras: “Não, que isso, você tá confundindo as coisas…” A rejeição pegou o rapaz desprevinido. Em sua cabeça, ele não tinha confundido pitomba alguma. Como poderia? A garota era carinhosa com ele, gostava de falar sobre as mesmas coisas, eles tinham opiniões e gostos parecidos, passavam muito tempo juntos no campus… É claro que ela só poderia estar correspondendo ao visível interesse afetivo dele.</p>
<p>Mas não estava. E assim, amigos e amigas, instala-se no coração de mais um incauto a SMI – Sindrome da Misoginia Involuntária.</p>
<p>Misoginia, como vocês sabem (ou não, sei lá), é o termo que define a aversão e /ou desprezo masculino pelas mulheres – não confundam como viadagem, por favor! É uma patologia, um distúrbio mental no qual o camarada, mesmo mantendo sua sexualidade, não consegue controlar seu ódio ao sexo oposto. Cogita-se, por exemplo, que Jack, o Estripador tenha sido um misógino radical.</p>
<p>Mas há uma forma muito mais branda, porém não menos nociva, da misoginia. É a SMI, que geralmente ataca rapazes tímidos e sensíveis e se manifesta depois de decepções amorosas. Não qualquer decepção, claro; tem de ser traumática, humilhante, daquelas que escorcham com a auto-estima do cidadão. O requinte final, que enraiza a SMI mais fundo na alma, são os discursos femininos do tipo “Ah, Fulano é como se fosse meu irmãozinho…”, “Eu gosto de você, mas não ‘desse’ jeito…” e o clássico “Mas a gente é só amigo…”. Destroçado qual um personagem de letra de bolero, o rapaz sente um desejo atávico de mandar à merda tudo quanto é mulher que cruzar seu caminho.</p>
<p>Dois componentes têm de ser analisados nesse processo. Um: o acometido pela SMI não chega, efetivamente, a odiar a mulherada. Uma feijoada de sentimentos contraditórios – tristeza, ressentimento, frustração e dor-de-cotovelo – é o que cria essa aversão ao sexo oposto. Mas é só na superfície. Por dentro, o coitado ainda abriga todo o amor do mundo… só não tem quem o receba. É como o suicida, que se mata não por odiar a vida, mas sim por não conseguir viver a vida do jeito que queria. Dois: que ninguém fique pensando que a mulherada se comporta assim de propósito. Na maioria das vezes, elas simplesmente não têm noção do estrago que fazem na psique do seu ex-futuro pretendente. E muitas vezes, o rapaz, na sua inexperiência, interpreta como “jogo de sedução” (heheh) um comportamento que, para a menina, é absolutamente normal. Ainda mais se a moça for amiga, tiver algum tipo de intimidade, e não for apenas um “alvo”. Atire a primeira pedra o rapaz que nunca achou que aquela mãozinha dada, aquele papinho furado a dois, aquele afago ligeiro no rosto eram sinônimo de: “Ôpa, deu mole, tá doidinha pra que eu pule em cima”… E acabamos todos aprendendo, da pior maneira possível, como interpretar os sinais femininos.</p>
<p>A Síndrome da Misoginia Involuntária não costuma durar para sempre. Em geral, acomete os homens na adolescência e, dependendo do grau de maturidade emocional do indíviduo, persiste até uns 20 e poucos anos. A coisa melhora quando o camarada aprende a encarar o “doce esporte” da maneira correta. Para o pobre e sensivel misógino involuntário, a regra é se apaixonar primeiro e só DEPOIS demonstrar o interesse na mina. A chance de ele se decepcionar amargamente aumenta muito assim. Se ele inverte a equação – demonstrando de cara que está a fim, para depois ver o que rola – tudo flui de modo muito mais simples. (Eu sei disso, por experiência própria.) Persistem seqüelas, entretanto. Eu, por exemplo, jurei para mim mesmo: da próxima vez que eu ouvisse uma garota dizendo “A gente é só amigo” pra mim, a porrada iria comer. Nunca pude por o juramento em prática, graças a Deus.</p>
<p>E o que foi feito de Jake Barnes e Lady Brett? Ele, como eu disse, é meu amigão. E carrega até hoje um profundo ressentimento em relação à rapariga que partiu seu coração – o suficiente para provocar algumas idas ao divã de uma psiquiatra. Sobre ela, soube que se juntou com um professor da faculdade, depois largou-o, depois engordou… enfim. Pior foi saber que, na mesma época em que nosso Jake suspirava por ela (e afogava suas mágoas em conhaque Dreher), ela também suspirava. Mas por outro colega de turma, que, na verdade, era homossexual enrustido. (Ei, será que também existe um equivalente feminino da SMI?). Mulheres, bah.</p>
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		<title>O BARALHO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA INTERNA.</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2012 17:56:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lembram do Baralhinho do Momento? Não? Como assim? Onde vocês estavam em 2009? Ah, deixa para lá. Enfim, ofereço agora meu próprio conjunto de úteis imagens macro, para serem usadas &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Lembram do <strong><a href="http://www.antipropaganda.com.br/antipropaganda/comentarios/Entries/2006/6/1_Baralhinho_do_Momento.html" target="_blank">Baralhinho do Momento</a></strong>? Não? Como assim? Onde vocês estavam em 2009? Ah, deixa para lá. Enfim, ofereço agora meu próprio conjunto de úteis imagens macro, para serem usadas especificamente no ambiente de trabalho. A sabedoria dos grandes narradores de futebol da Globo/SporTV pode ser aplicada de modo perfeito a várias situações do mundo corporativo. Basta clicar sobre as imagens, salva-las em seu PC/celular/tablet/gadget e remetê-las (por email, MSN, sei lá) aos colegas de trabalho, posta-las em redes sociais, etc. Confira:</p>
<div id="attachment_387" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/mliton-1.jpg"><img class="size-full wp-image-387" title="mliton 1" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/mliton-1.jpg" alt="" width="290" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">Para usar naquele momento em que tudo parece estar dando errado.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_388" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/milton-2.jpg"><img class="size-full wp-image-388" title="milton 2" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/milton-2.jpg" alt="" width="290" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">Use quando um camarada no çirvisso cometer uma mancada catastrófica.</p></div>
<div id="attachment_389" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/mliton-3.jpg"><img class="size-full wp-image-389" title="mliton 3" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/mliton-3.jpg" alt="" width="290" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">Use quando um co-worker cometer um mau passo não tão grave quanto o anterior.</p></div>
<div id="attachment_390" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/milton-4.jpg"><img class="size-full wp-image-390" title="milton 4" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/milton-4.jpg" alt="" width="290" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">Para levantar a moral de um camarada que tenha levado um esporro.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_391" class="wp-caption aligncenter" style="width: 413px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/galvao1.jpg"><img class="size-full wp-image-391" title="galvao1" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/galvao1.jpg" alt="" width="403" height="290" /></a><p class="wp-caption-text">Quando você quiser tripudiar de algum co-worker que tenha se metido numa roubada.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_392" class="wp-caption aligncenter" style="width: 413px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/GALVAO-2.jpg"><img class="size-full wp-image-392" title="GALVAO 2" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/GALVAO-2.jpg" alt="" width="403" height="290" /></a><p class="wp-caption-text">Para sacar naqueles momentos em que, em meio ao caos total, surge um fio de esperança.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_393" class="wp-caption aligncenter" style="width: 413px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/GALVAO-3.jpg"><img class="size-full wp-image-393" title="GALVAO 3" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/GALVAO-3.jpg" alt="" width="403" height="322" /></a><p class="wp-caption-text">Encaminhe para o chefe quando ele redobrar a carga de trabalho e reduzir o prazo do projeto.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_394" class="wp-caption aligncenter" style="width: 413px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/GALVAO-4.jpg"><img class="size-full wp-image-394" title="GALVAO 4" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/GALVAO-4.jpg" alt="" width="403" height="290" /></a><p class="wp-caption-text">Para desdenhar daquele co-worker cuja opinião não vale porra nenhuma.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_395" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/CM.jpg"><img class="size-full wp-image-395" title="CM" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/CM.jpg" alt="" width="290" height="403" /></a><p class="wp-caption-text">Use quando estiver pedindo para esticar o cronograma mais uns dias. De preferência, quando o prazo já estiver bem estouradão.</p></div>
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		<title>FLAMENGO: CRISE NA GÁVEA, CRISE DO BRASIL.</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jun 2012 16:09:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vocês sabem (ou não) que eu nunca fui do futebol. Nunca fui peladeiro, só fui ao Maracanã para ver show (e o Papai Noel), não encosto numa bola desde que &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/flaaa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-376" title="flaaa" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/06/flaaa.jpg" alt="" width="550" height="367" /></a></p>
<p>Vocês sabem (ou não) que eu nunca fui do futebol. Nunca fui peladeiro, só fui ao Maracanã para ver show (e o Papai Noel), não encosto numa bola desde que terminei o ensino secundário. Costumo dizer que futebol para mim é esporte, e não essa coisa louca que transtorna as pessoas, arruína amizades, desfaz casamentos, mata uns e faz de outros assassinos. Contudo, entendo perfeitamente porque o futebol é tão apaixonante para todo mundo. É porque o nobre esporte bretão é um simulacro quase perfeito da vida, no qual os poderosos são sempre poderosos e os pequenos, sempre pequenos &#8211; até o dia em que, por sorte, azar ou pelo tal do destino, a situação se inverte. Nenhum outro esporte se presta tanto ao sabor do acaso, às reviravoltas que permitem que a esperança seja, enfim, a última que morre. É isso que enlouquece os torcedores: a certeza de que ali, durante aqueles 90 minutos, tudo pode acontecer. E às vezes acontece.</p>
<p>Por osmose (minha mulher é torcedora, daquelas chatas), acabo acompanhando com interesse antropológico as idas e vindas do Flamengo.  Por curiosidade profissional, acompanho também o noticiário sobre o clube, sempre eivado de especulações, recadinhos cifrados, espetadelas e indiretas. E depois de concluir que o futebol é um resumo da vida, arrisco afirmar que o Flamengo é um resumo do Brasil.</p>
<p>Como o Brasil, o Flamengo também sofre de um agudo <strong><a href="http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=721" target="_blank">sebastianismo</a></strong>. A cada temporada, anuncia-se um novo salvador para o time, um supercraque contratado a peso de ouro que vai, enfim, levar o clube de volta <strong><a href="http://www.lancenet.com.br/flamengo/Fla-Mundial-jogo-Historia-Rubro-Negra_0_607739322.html" target="_blank">aos tempos áureos da geração Tóquio.</a> </strong>Apenas nos últimos quatro anos, falou-se em Ronaldo Fenômeno, o que não deu em nada; trouxeram Adriano, ele veio, viu e venceu, mas acabou derrotado pela má disciplina e hábitos ainda piores. Ronaldinho Gaúcho, o último candidato a ungido, chegou com muita fanfarra, mas conseguiu fazer um papelão ainda maior que o de Adriano. Acabou de deixar o clube, sem rumo certo, depois de derrubar um treinador (Luxemburgo), faltar a concentrações e jogos e &#8211; dizem &#8211; ter se apresentado bêbado para treinar. Não há de ser nada, Adriano, ele mesmo, está se recuperando para voltar ao Mengão&#8230;</p>
<p>O sebastianismo que herdamos dos portugueses ajuda a explicar a necessidade que o brasileiro tem de achar um &#8220;pai&#8221;, um guia, um responsável por essa porra toda que está aí. O cara que vai resolver. Gente esperta e não muito bem intencionada já se deu muito bem apresentando-se como esse salvador; acreditamos e, invariavelmente, nos decepcionamos. Até vir a próxima promessa. E fechamos os olhos, acreditando que dessa vez vai ser diferente. (Estamos em ano eleitoral, não esqueçam.) Se, por aqui, essa regra vale para a política, para a economia, para o showbiz, por que não valeria para o futebol? Especialmente para o futebol, que nutre-se da fé do torcedor para continuar existindo. O torcedor abraça ansiosamente o candidato a ídolo na chegada, mas joga ovos no craque quando os gols não vêm, já de olho no próximo artilheiro &#8211; esse sim vai salvar a pátria!</p>
<p>Assim como os empresários, empreiteiros e demais lobistas da vida real, quem dá as cartas nos bastidores do futebol já sacou que, no caso do Flamengo, explorar a expectativa por um salvador  pode ser uma fonte inesgotável de lucros. E isso não se restringe a craques: pode ser um novo técnico, um novo patrocinador, um novo dirigente. Muito parecido com o povo que esquece das mamatas e das ligações perigosas, na hora de apertar o botão da urna eletrônica. Reportando tudo com uma avidez quase canibal, está o jornalismo (sic) esportivo carioca, um caldeirão de notícias plantadas, boatos tornados verdade e balões de ensaio &#8211; no qual o Flamengo, como time de maior torcida, está sempre sob os holofotes. (É um fenômeno conhecido nas internas como Flapress.) Não muito diferente da cobertura política, verdadeiro Fla-Flu no qual as torcidas estão cada vez menos dissimuladas.</p>
<p>E, óbvio, não há terra melhor para um clube como o Flamengo do que o Rio de Janeiro. O sebastianismo também ajuda a entender a blindagem que protege os ricos e poderosos no Brasil. Aqui, os ungidos podem tudo, sem se preocupar com as consequências. No Rio, isso é uma verdade ainda mais incontestável. Na Gávea, essa invulnerabilidade é levada ao pé da letra, com o resultado de sempre: o ungido pode faltar treino, criticar o clube em público, arrastar-se em campo, e ainda assim mantém o status de intocável. Em Brasília, guardadas as devidas proporções, também é por aí.</p>
<p>O brasileiro, mesmo que seja vascaíno, corintiano ou colorado, é  flamenguista no âmago. Flamenguista na crença irracional que vai chegar alguém para resolver todos os problemas, flamenguista no oba-oba cego com que recebe o candidato a salvador da vez, flamenguista na decepção e no jeito com que se deixa manipular e ter sua paciência abusada. E flamenguista na disposição para, no dia seguinte, esquecer tudo e rezar pela chegada do próximo Sebastião.</p>
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		<title>RAFINHA BASTOS NA REDETV!: COMO IR DE 4.518.384 A 0.8 EM ZERO SEGUNDO</title>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2012 19:55:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
				<category><![CDATA[JORNALISMO & MÍDIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Não assisti à estreia do Saturday Night Live brasileiro, transmitido ontem (domingo &#8211; não sábado, domingo) pela RedeTV!. Mentira: para não dizer que não assisti, dei uma olhada em dois &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/0vpjz8l8JJE?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/0vpjz8l8JJE?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Não assisti à estreia do<strong><a href="http://www.redetv.com.br/saturdaynightlive/" target="_blank"> <em>Saturday Night Live </em>brasileiro</a></strong>, transmitido ontem (domingo &#8211; não sábado, <em>domingo</em>) pela RedeTV!. Mentira: para não dizer que não assisti, dei uma olhada em dois quadros, um que não entendi (protagonizado por dois caras que se xingavam &#8220;amistosamente&#8221; e duas mulheres que se autoflagelavam) e outro que entendi, mas que não teve graça alguma (o do casamento no qual a noiva era homem). Sou fã do programa original e tinha curiosidade para ver como o negócio iria ficar, ainda que sem muitas expectativas quanto à qualidade do programa ou mesmo sobre a validade da proposta. Afinal, se um <em>SNL </em>brasileiro fosse realmente uma boa ideia, não teria parado nas mãos da RedeTV!, né?</p>
<p>Mas mesmo sendo ruim, péssima ou pavorosa, a versão brasuca do programa despertou em mim umas ideias. Hoje pela manhã, <strong><a href="http://www.bluebus.com.br/show/1/110425/na_estreia_esta_noite_rafinha_bastos_fica_em_0_8_e_decepciona_quem_apostou_no_sucesso" target="_blank">o Ibope anunciava que a estreia do show fora um fracasso de audiência</a>.</strong> Muita polêmica em torno de seu comandante, o comediante Rafinha Bastos, muita expectativa em torno do conteúdo da atração, e no fim deu em quase nada: 0,8 pontos de média na Grande São Paulo, <strong><a href="http://br.tv.yahoo.com/blogs/folhetim/ibope-muda-conta-ponto-audi%C3%AAncia-190300569.html" target="_blank">o que, extrapolando para a média nacional, equivaleria a pouco mais de 152 mil domicílios.</a></strong> Até aí, nada de anormal. A RedeTV! sempre capengou na audiência e nem mesmo os mais otimistas esperariam que o <em>SNL</em> pudesse fazer frente a Gugu, Faustão e Silvio Santos.</p>
<p>O &#8220;anormal&#8221; é que Rafinha Bastos é uma personalidade mundial no tal mundo das redes sociais. Seu twitter é seguido, no momento em que digito, por 4.518.384  outros tuiteiros. Seu perfil para tuites em inglês (!) tem mais de 15 mil seguidores. No ano passado,<strong><a href="http://6thfloor.blogs.nytimes.com/2011/03/24/a-better-way-to-measure-twitter-influence/" target="_blank"> uma pesquisa publicada no site do The New York Times</a></strong> apontava que o comediante era, então, o tuiteiro mais influente do mundo. Ora&#8230; a conta não fecha, né? Desses 4,5 milhões de pessoas que recebem os tuítes de Bastos, seria razoável supor que 99,99% tenham uma TV em casa. Onde estavam todos esses tuiteiros ontem? Por que a personalidade mais influente de uma das redes sociais mais bombadas não conseguiu traduzir esse prestígio internético para o mundo da <em>old media</em>?</p>
<p>Já tinha abordado uma questão semelhante <strong><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/2012/05/28/lol-cats-o-futuro-da-tv/">nesse post aqui, publicado originalmente no ano passado</a></strong>. O fato é que todos nós (produtores, difusores e consumidores de conteúdo) ainda estamos tentando entender como funciona a conversão de valores entre a nova e a velha mídia. Milhares de &#8220;Likes&#8221; no Facebook valem quantos pontos de audiência?  Um vídeo com um milhão de execuções no YouTube foi visto por quem &#8211; por um milhão de pessoas ou por mil pessoas que clicaram mil vezes no link? Quanto vale para um patrocinador a presença de um tuiteiro com 4,5 milhões de seguidores? <strong><a href="http://www.infomoney.com.br/estados-unidos/noticia/2447529-uma+semana+apos+ipo+qual+visao+dos+investidores+sobre+acoes" target="_blank">Quanto vale, em dinheiro do mundo real, uma companhia que presta serviços a (e é amada por) centenas de milhares de pessoas, mas que, na prática, não produz nada?</a> </strong></p>
<p>Quem, como eu e você, passa muito tempo online, pode acabar achando que o mundo todo cabe na internet. Mas não cabe. Se cada um dos seguidores de Rafinha assistisse a seu programa, teríamos aí (considerando um tuiteiro por domicílio) mais de 23 pontos de Ibope nacional. (Humildemente, peço ajuda a qualquer leitor que entenda de estatísticas para corrigir meus cálculos e/ou meu raciocínio.) Mas esse batalhão de gente só segue o cara na web. Na web, o que basta para você dar sua audiência a alguém é um clique. Um retuite, um &#8220;Curtir&#8221;, uma hashtag. A mesma pessoa que faz isso para o Rafinha também o faz para o Luciano Huck, para o Marcelo Tas, para os caras do <em>Pânico</em>. Ao mesmo tempo, eles comentam posts de blogs e de portais de notícias, repassam memes em redes sociais, adicionam material a seus boards no Pinterest. Tudo junto. Essa é a lógica  - e a graça &#8211; da internet: absorver tudo ao mesmo tempo, já que é uma informação que vem de graça, chega rápido e vai rápido. E com a qual as pessoas se relacionam de modo diferente, horizontal e integrado. A fama do Rafinha se deve aos milhares de retuites que seus chistes ganham diariamente. O espectador é, de maneira nem tão indireta assim, um co-produtor do conteúdo que ele solta. Se ninguém o retuitasse, seus 4,5 milhões de seguidores não valeriam nada.</p>
<p><em>Old media</em> não é assim. Mesmo um programa mambembe como o <em>SNL</em> brasileiro custa caro e precisa se pagar para manter-se no ar. E exige de seus espectadores coisas que, hoje em dia, valem muito mais do que dinheiro: tempo e atenção. Retuitar uma piada do Rafinha leva meio segundo. Daí a presumir que essa mesma pessoa vai plantar-se diante da TV por 90 minutos, aturar intervalos comerciais (e sem o botão &#8220;Você pode pular esse anúncio em 5&#8230;&#8221;) e valores de produção duvidosos, aí é esperar um pouco demais. O tchan da internet é a agilidade e o do-it-yourself, é imaginar que um moleque com um Photoshop e uma sacada boa pode criar um meme, atingindo instantaneamente um público enorme. Mas a midia mainstream não é assim. Há equipes, executivos, decisões, produções&#8230; e há a necessidade de retorno, financeiro e/ou de outras formas. E as expectativas do espectador são, naturalmente, mais altas. Na internet, aprovamos um conteúdo quando nos identificamos com o que foi comunicado, ou mesmo quando sacamos que poderíamos fazer igual (ou melhor). Vivemos conectados o tempo todo, consumindo e descartando mídia em alta velocidade &#8211; porque ela está ali, também o tempo todo. Se não olhamos agora, olhamos depois. Ou não olhamos, seguimos adiante; tem sempre um link novo à espera. Na TV (ou no cinema, ou no rádio) &#8211; com hora marcada para começar e terminar, e o pré-requisito da atenção exclusiva &#8211; queremos mais. Ou então ficamos com aquela pulga atrás da orelha. &#8220;Ora, se era para ver isso aí, eu ficava no YouTube mesmo.&#8221;</p>
<p>Dai o abismo entre o prestígio na web e a audiência de massa. Rafinha surgiu ao fazer um barulhão (na web) <strong><a href="http://cqc.band.com.br" target="_blank">participando de um programa</a> </strong>que nunca passou de um barulhinho (para o público de massa). A audiência decepcionante do <em>SNL </em>reafirma, mais uma vez, que alguns fenômenos da web nem sempre se traduzem facilmente para a mídia mainstream. E às vezes são intraduzíveis mesmo e pronto. Por isso é que ficou fácil para o <strong><a href="http://www.redetv.com.br/sexoa3/" target="_blank">Dr. Rey</a></strong>, que estreou ontem na RedeTV! logo depois do Rafinha, <strong><a href="http://diversao.terra.com.br/tv/noticias/0,,OI5799363-EI12993,00-Programa+de+Rafinha+da+menos+audiencia+que+atracao+de+Dr+Rey.html" target="_blank">ultrapassa-lo no Ibope</a></strong>. O programa do médico (?) lança mão de um meme antiquíssimo, que precede toda a mídia, velha ou nova, de massa ou de nicho, mas que continua infalível: mulher pelada.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>LOL CATS: O FUTURO DA TV?</title>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2012 13:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
				<category><![CDATA[JORNALISMO & MÍDIA]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[memes]]></category>
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		<category><![CDATA[viral]]></category>
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		<description><![CDATA[(Publicado originalmente em 19/09/2011.) Domingo à noite, aquela depressão que bate ao pensar na segunda-feira prestes a começar, e você sintoniza no Fantástico. Talvez por inércia, talvez porque não haja mais &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class="entry-content">
<p>(<em>Publicado originalmente em 19/09/2011</em>.)</p>
<p>Domingo à noite, aquela depressão que bate ao pensar na segunda-feira prestes a começar, e você sintoniza no <em>Fantástico. </em>Talvez por inércia, talvez porque não haja mais nada que preste na TV, talvez por gostar de verdade do programa. Aí você nota, entre uma reportagem sobre comportamento de adolescentes e uma entrevista chapa-branca da Patrícia Poeta, uns quadros meio estranhos. Tipo esse aí, do vídeo abaixo.</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mVDysS7qOJo?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/mVDysS7qOJo?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Ou então esse outro aqui:</p>
<p><object width="560" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2di9DrmDQk8?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/2di9DrmDQk8?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Estranho, né? Você pagou uma nota para ter uma TV fininha de LCD, paga outra nota para assinar canais em full HD, e se depara com aquelas imagens em baixa definição, francamente amadoras, registradas com câmeras não-profissionais, e supostamente “divertidas” ou “intrigantes”. Pior: são imagens que você já viu em algum lugar – num linque enviado por email, no YouTube, no seu celular. Pior: você nota que essa, digamos, “opção estética” não se restringe ao <em>Fantástico</em>, mas também está se alastrando para outros programas.</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/HPdLPMLG-kw?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/HPdLPMLG-kw?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Já percebeu quantas vezes a expressão “fenômeno na internet” tem sido usada na TV brasileira? E que cada vez mais, assuntos, personagens e principalmente imagens que nunca teriam espaço na televisão há 10, 15 anos estão ganhando destaque, apenas porque viraram “fenômenos na internet”? Note que nem me refiro a gente como Felipe Neto, que saltou de um canal do YouTube para o <em>Esporte Espetacular</em>. Falo do deslumbramento que a TV está demonstrando diante de qualquer porcaria que alcança notoriedade na web. Estamos tratando aqui da Globo, uma das maiores redes de televisão do mundo, que tem uma verdadeira indústria <em>state of the art</em> de produção de jornalismo e dramaturgia – e que dedica cada vez tempo a imagens tremidas, de gosto e qualidade dúbios, cujo único mérito foi terem se transformado em… “fenômeno na internet”. Sabe no que eu penso quando ouço essa expressão, “fenômeno na internet”?</p>
<div id="attachment_2582" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2011/09/download.png"><img class="size-full wp-image-2582  " title="download" src="http://fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2011/09/download.png" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Nisso aí. É nisso aí que eu penso quando ouço a expressão &quot;fenômeno na internet&quot;.</p></div>
<p>É compreensível que a TV tenha curiosidade sobre a internet. Ainda é um meio novo, que está ganhando popularidade e influência num ritmo galopante aqui no Brasil, com o (relativo) barateamento das conexões rápidas e dos smartphones. Mas esse fascínio parece contraproducente. Elevar ao nível de “notícia” um meme ou um vídeo viral – coisas que nasceram para ser compartilhadas e descartadas imediatamente – é, na melhor das hipóteses, sinal de que os manda-chuvas da TV não entendem a lógica do fluxo de conteúdo na web. Na pior, significa que a preguiça e o descaso com o telespectador chegou a um nível assombroso. “Ei, tem esse vídeo aqui do gatinho! Milhões de views! Vamos repeti-lo no <em>Fantástico, </em>é sucesso certo!” E aí ficamos todos com nossas telas de LCD, revendo bobeiras registradas em péssima qualidade – e que provavelmente já assistimos na internet mesmo.</p>
<p>Vale fazer uma comparação com a reação que o cinema americano exibiu diante do avanço da TV, há cerca de 60 anos. No começo da década de 1950, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA (<a href="http://www.fcc.gov/"><strong>FCC</strong></a>) começou a regulamentar o serviço das redes de televisão no país, o que coincidiu com a primeira explosão nas vendas dos aparelhos de TV domésticos. Já havia transmissões por lá desde 1928, a princípio experimentais, e a partir de 1946, regulares, com grade de programação e tudo o mais. A TV popularizou-se inicialmente na costa leste dos EUA: em 1947, dos estimados 44 mil aparelhos domésticos existentes no país, 30 mil estavam na região metropolitana de Nova York. Enquanto isso, na costa oeste, o cenário em Hollywood não parecia tão promissor. <strong><a href="http://www.cobbles.com/simpp_archive/1film_antitrust.htm">Em 1948, um processo federal contra os estúdios Paramount</a></strong> abriria o precedente para que, para combater a formação de cartel, a estrutura que permitia a existência do <em>studio system </em>fosse desmontada – o poder dos grandes estúdios de Hollywood provinha da verticalização da atividade cinematográfica, controlando a produção, distribuição e exibição dos filmes. Obrigados por lei a dissolver o esquema, os estúdios <em>major</em> (MGM, RKO, Columbia, Warner e a citada Paramount) perderam grande parte de sua capacidade de dominação dos meios de comunicação. Essa derrota, combinada com a ascensão da televisão – gratuita e conveniente, instalada nas salas de estar de cada família – fez com que os peixes graúdos de Hollywood balançassem. A quantidade de filmes produzidos caiu drasticamente a cada ano, acompanhando a queda nas bilheterias a partir de 1950 (tido como o último ano da era dourada do cinema americano).</p>
<p>Os estúdios, entretanto, contratacaram. E contratacaram fazendo o que sabiam fazer melhor. A TV era de graça e estava na casa de todos? OK, vamos provar que vale a pena pagar o ingresso e ir ao cinema. Vamos fazer filmes maiores, mais elaborados, mais portentosos. Vamos intensificar o uso da cor (afinal, a TV ainda era P&amp;B). Contra a telinha pequena dos aparelhos da época, dá-lhe Vistavision, Cinemascope, filmes rodados em 70mm, em 3-D, exibidos em telas ultrapanorâmicas. Ou seja, o cinema tentou provar seu valor e suas vantagens, diante do novo e rapidamente massificado meio de comunicação. A reação de Hollywood não impediu que a TV dividisse, na segunda metade do século 20, o espaço que antes cabia apenas aos filmes no imaginário popular. Mas ao menos eles tentaram. E tentaram da maneira certa: reforçando aquilo que eles sabiam fazer de melhor.</p>
<p><object width="420" height="345" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/I2qinw-qgLA?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="345" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/I2qinw-qgLA?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Corta para a segunda década do século 21. A internet é, para a <em>old media,</em> o que a TV representava para o cinema nos anos 50. Algo novo, acessível, (mais) barato, abrindo várias possibilidades para distribuição de áudio &amp; vídeo &amp; jogos &amp; textos &amp; etc. De repente, a TV não é mais o modo preferencial e <em>default </em>pelo qual as pessoas acessam seus interesses (jornalismo, entretenimento, esportes, etc.). Assim como, no começo dos anos 1950, o cinema começou a perder sua primazia como principal canal de conteúdo audiovisual. E o que a TV faz, diante desse desafio? Contra-ataca como o cinema o fez, demonstrando aos espectadores que ainda há coisas que só a TV pode fazer? Não. Adere, embasbacada, ao festival de bobeiras que a internet pode produzir. E que deveria continuar restrito aos domínios da internet. Uma coisa é você interromper seu trabalho por 30 segundos para assistir a um linque no YouTube. A outra é uma rede de TV gastar neurônios (de seus profissionais) e tempo (de seu espectador) para exibir isso em horário nobre. A relação que o espectador tem com TV é completamente distinta daquela que ele mantém com a internet (mesmo porque na internet não somos meros espectadores.) Invoco Kurt Cobain e clamo: “Here we are now, entertain us!”… e vocês nos dão isso?!</p>
<p>Na batalha travada contra a TV, o cinema tinha uma vantagem crucial, que a caixinha da sala de estar nunca poderia ter: era uma experiência social, e ainda é. Ir ao cinema, por si só, é um programa com “valor agregado” – mais ainda nessa era de projeções 3-D, som THX, telões IMAX e sacos de pipoca XXL. A TV tem a favor de si apenas a comodidade. E mesmo nesse aspecto vem perdendo terreno para a internet, que está em todo o lugar – no celular, no relógio,<strong><a href="http://www.independent.co.uk/life-style/gadgets-and-tech/news/samsung-unveils-fridge-with-builtin-internet-1916651.html"> na geladeira</a>. </strong>E tudo o que a TV tem a oferecer são… “fenômenos da internet”, ocupando o espaço que deveria ser de produções e conteúdos originais?</p>
<p>Não sei não.</p>
</div>
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		<title>MORRISSEY NA FUNDIÇÃO PROGRESSO: LET THEM GET WHAT THEY WANT.</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 13:37:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
				<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[crítica musical]]></category>
		<category><![CDATA[fundição progresso]]></category>
		<category><![CDATA[morrissey]]></category>
		<category><![CDATA[show]]></category>
		<category><![CDATA[the smiths]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Quando Morrissey cantou  pela última (e primeira) vez no Brasil, em 2000, o cantor não estava num dos pontos altos de sua carreira. Não lançava um álbum havia três &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/05/moz1.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-330" title="moz1" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/05/moz1.jpg" alt="" width="616" height="344" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando Morrissey cantou  <strong><a href="http://fubap.org/telhadodevidro/?p=1060">pela última (e primeira) vez no Brasil</a></strong>, em 2000, o cantor não estava num dos pontos altos de sua carreira. Não lançava um álbum havia três anos (e ficaria mais quatro sem lançar outro). Parecia estar numa descendente, meio esquecido, às vésperas do estouro de uma nova onda de bandas-de-guitarras que revitalizaria o tal do rock alternativo que ele mesmo ajudara a criar. Talvez por isso, pelo relativo descrédito por que passava, Morrissey suou a camisa – figurativa e literalmente – naquele show de 2000.  Chegou, enfim, a hora de rever o mito. Doze anos depois daquela visita histórica, o mancuniano encontra-se numa posição bem diferente. Continua resmungando, pessimista, desencantado com o pop contemporâneo. Mas efetuou, na década passada, um bem-sucedido comeback e hoje conta com um nível de respeito de crítica e público mainstream bem maior do que em 2000. Não chega a ser estranho constatar, então, que o cantor agora parece mais relaxado – “bonachão” não chega a ser o termo, mas sem dúvida… menos… intenso. Mais populista, talvez?  O gongo (!) trazido pelo baterista Matt Walker para o show na Fundição Progresso (RJ), na noite de sexta (09/03), poderia dar a impressão que Morrissey teria, afinal, se atirado nos braços do classic rock, abandonando o <em>ethos </em>indie de vez.  Não, o ex-Smith na verdade pulou essa etapa e foi direto para a terceira idade da música pop. Com sua camisa entreaberta, suas canções de desamor que hoje soam sentimentalescas, o público a seus pés, Morrissey é hoje o Tom Jones do rock alternativo.</p>
<p>Veja bem, não há nada errado nisso. E isso também não significa que o atual espetáculo do cantor seja ruim, muito pelo contrário. Verdade seja dita que o repertório decepcionou um pouco – mas não à grande massa para quem Morrissey sempre será, apenas, o vocalista dos Smiths. As canções da antiga banda vieram em número mais generoso que da última vez (seis, em lugar de quatro), incluindo os hits “There’s a Light that Never Goes Out”, “Still Ill” e “I Know It’s Over”, em versões bem parecidas com as originais. “Meat Is Murder”, o velho libelo pró-veganismo, vem num arranjo meio esquisito, a voz um tom acima e uma torrente de noise no lugar da sonoridade descarnada da primeira versão. No telão,<strong><a href="http://youtu.be/sDea6L9gPD8"> imagens pavorosas de matadouros</a></strong>, para “conscientizar” o povão… que na verdade mal continha a ansiedade por “How Soon Is Now?”, que fecha o set antes do bis numa performance pesada, mas que também falha ao capturar todo o <em>pathos</em> da gravação de 1984 (diga-se de passagem, é uma música difícil de tocar ao vivo; mesmo os Smiths raramente a interpretavam no palco). Ainda teve, antes, “Please Please Please Let Me Get What I Want”, dedicada pelo cantor “àquelas pessoas que nunca se desapegam de nada”. Esticada, sem a delicadeza perfeita do registro original, agradou a quem estava lá pela nostalgia, e só a esses.</p>
<p>A ironia é que em 2000, quando estava numa entressafra do trabalho solo, Morrissey dava muito mais valor à sua obra pós-Smiths do que dá agora. O setlist é meio incongruente. Esquece as músicas mais fortes dos últimos discos (exceção: “First of the Gang to Die”, que abre o show com gosto), privilegia semi-hits (“Ouija Board, Ouija Board”?! “Alma Matters”?!) e praticamente ignora seus melhores solos, <em>Vauxhall and I</em> e <em>Your Arsenal</em>, colocando uma música de cada, apenas (respectivamente “Speedway”, um dos melhores momentos do show, e a grata lembrança “You’re the One for Me, Fatty”). Teve “Everyday Is Like Sunday”, mas… e “Irish Blood, English Heart”, “The More You Ignore Me”, “November Spawned a Monster”, “We Hate it When Our Friends Become Successful”? Ao menos, os números recentes vieram interpretados com vontade, com destaque para “Let me Kiss You”, que rende a melhor passagem “teatral” da noite: ao cantar os versos “But then you open your eyes /And you see someone / That you physically despise”, Morrissey arranca a própria camisa, num supremo gesto de autocomiseração – e a plateia urra.</p>
<p>O negócio é que essa dramaticidade toda, em meio ao clima meio galhofeiro do resto do show, soa fake. Os caras da banda, quase todos fortinhos, entram sem camisa. A exceção foi o gorducho Boz Boorer, parceiro de longos anos (e que tocou com o cantor aqui em 2000), que disfarçou as banhas com um vestido azul (!), completo com uma peruca ruiva (!!). Teve gente perguntando: “Ué, a Adele agora toca com o Morrissey?” O cantor diz que “arrumou os músicos numa visita a uma praia de nudismo”. Não chega a cair no olê-olê geriátrico de Paul McCartney, mas abusa da manipulação e da provocação – esfregando as partes baixas durante uma longa pausa em “Speedway”, aproveitando a camisa entreaberta para passar a mão pelo peito… E provoca ainda mais com suas breves falas. ”Vocês desataram o nó do meu coração, e… só isso”. ”Andei pelas ruas do Rio, vi muita gente linda e posso dizer que aqui todas as pessoas são bonitas. As pessoas dos três sexos”. <strong><a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/03/em-discurso-bem-humorado-harry-exalta-futebol-e-beleza-do-rio.html">“O príncipe Harry está no Rio</a></strong> atrás do seu dinheiro. Não o deem a ele”. Apesar de todo o populismo, as idiossincrasias do homem continuam a toda. Trouxe como atração de abertura a desconhecida <strong><a href="http://kristeenyoung.com/">Kristeen Young</a>, </strong>jovem cantora americana que faz um som eletrônico absolutamente descolado do rock morrisseyinano. Sozinha no palco (o show é só ela e um teclado), a moça surpreendeu, evocando Kate Bush e Björk, por um viés minimalista. Entre os dois shows, uma montagem de videoclipes deslindando as obsessões musicais do jovem Steven Patrick: Shocking Blue, The Sparks, Nico, Brigitte Bardot (!) e, claro, os New York Dolls.</p>
<p>Quer dizer: aos 52 anos, Morrissey já não exibe mais a angústia que o levou a criar seus versos doloridos. Mas continua cantando-os assim mesmo, numa espécie de teatrinho existencial que agrada a muita gente. E convence, em boa parte do tempo. Talvez seja um novo paradigma para os espetáculos dos cassinos de Las Vegas: uma recriação irônica das mazelas existenciais que o impeliram ao longo dos anos. Aliás, não seria um mau fim para um fã de Elvis Presley. E, claro, nós estaremos lá com ele.</p>
<p><object width="560" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ei_Op9dZSW4?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/ei_Op9dZSW4?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>TOP 10: MORRISSEYNIANAS.</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 13:35:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 1999, a revista Q publicou uma edição especial com uma votação popular definindo os 100 maiores artistas pop do século 20. O público tinha que escolher cinco nomes (individuais; bandas não &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1999, a revista Q publicou uma edição especial com uma votação popular definindo <strong><a href="http://www.rocklistmusic.co.uk/qlistspage2.html#100">os 100 maiores artistas pop do século 20.</a> </strong>O público tinha que escolher cinco nomes (individuais; bandas não valiam) e anexar junto a cada voto uma breve justificativa. Dando uma colher de chá aos leitores, a revista pinçou uma dessas justificativas – a mais original, engraçada ou poética – para cada artista da lista. Deu Lennon (1º) e McCartney (2º) na cabeça. Na posição #41 (atrás de nomes como Dr. Dre, Richard Ashcroft e Richey Edwards!) vinha Steven Patrick Morrissey.  Não sei onde está o meu exemplar da Q, mas me lembro até hoje da frase escolhida pela redação, enviada por um leitor:  ”Eu o amo, mas não <em>daquele </em>jeito.”</p>
<p>Creio que esta frase resume meu relacionamento com Morrissey. Já ouvi incontáveis piadinhas por conta da minha admiração incondicional pelo cantor e por causa da importância que sua obra teve em minha formação musical. Fazer o que? Com ou sem os Smiths, sua voz e suas letras sempre fizeram total sentido para mim, e sempre farão. Por isso, inspirado <strong><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/2012/05/22/mozipedia-uma-enciclopedia-para-morrisseymaniacos/">na leitura de minha </a></strong><em><strong><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/2012/05/22/mozipedia-uma-enciclopedia-para-morrisseymaniacos/">Mozipedia</a></strong>,</em> relaciono aqui os 10 momentos mais marcantes que passei na companhia do bardo de Manchester. De quebra, preparei para cada item da lista uma tradução de um trecho da <em>Mozipedia </em>que seja pertinente ao momento em questão. Ei, se aparecer alguma editora interessada em lançar o livro aqui, posso indicar um bom tradutor…</p>
<p>(Este post é dedicado aos meus bons amigos Everton e Zervane, que talvez – talvez – gostem mais do Morrissey do que eu.)</p>
<p><strong>1 – “This Charming Man”/ The Boy with the Thorn in his Side” (inícios de 1986)</strong><br />
Eu tinha acabado de fazer 12 anos. Um amigo apareceu lá em casa com um cassete da coletânea <em>Hit Parade 86</em> -<strong> <a href="http://fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2010/11/1986-Hit-Parade-86-Front.jpg">a capa me causou grande impressão</a>.</strong>Perdida no repertório que misturava Wham!, Glenn Frey (!) e Simple Minds, lá estava a banda sobre a qual a revista Bizz não parava de comentar. “The Boy with the Thorn in his Side” foi a primeira canção dos Smiths a qual eu ouvi<em>sabendo</em> que do que se tratava. Eu já conhecia (sem saber que era deles) “This Charming Man” – ouvia pedaços aqui e ali, tocando no rádio esporadicamente, e me perguntava que banda seria aquela. Não havia MTV, não havia internet, eu nem conhecia a Fluminense FM ainda (só passei a ouvir a rádio em 1987). Então como saber?</p>
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<p>Só fui finalmente botar as mãos num fonograma de “This Charming Man” quando comprei, lá pros idos de 1987, meu <em>Hatful of Hollow </em>em vinil. Mas a versão que vinha no disco, como todos sabem, era a versão “devagar” gravada numa sessão para a BBC. Essa versão aqui:</p>
<p><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/VcBUsaUunUw?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/VcBUsaUunUw?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Quando eu comprei meu <em>The Smiths</em> (o primeirão), em meados de 1988, notei que o lado A era encerrado por, vejam só, “This Charming Man”. Era a versão que se segue, finalmente a versão que eu perseguia há anos (em que o Morrissey berra). Completista obcecado, eu?</p>
<p><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/_S8d3jim9Gg?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/_S8d3jim9Gg?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>“<em>This Charming Man”: Na cronologia da banda (…) a música chegou depois que grande parte das músicas de </em>The Smiths<em>, o disco, já havia sido composta (…) e marcou o começo de uma nova fase no songbook de Morrissey/Marr; movia-se para longe do fúnebre clima depressivo do repertório inicial, em direção a um território pop mais jovial. (…) Mereceu o elogio do NME: “Um daqueles momentos nos quais renasce a presença elétrica e vívida do poder da música” </em>(páginas 444-445).<br />
<em>“The Boy”: Marr lembra que a alegre melodia “simplesmente jorrou” de dentro dele, durante uma viagem de ônibus em meio à turnê de </em>Meat Is Murder. <em>“Era uma música leve, feita com espírito leve.” (…) É exatamente isso: os Smiths em seu momento mais leve, como uma pluma. Ainda assim, seus versos simples parecem ter um significado pessoal mais intenso para Morrissey; em 2003 ele a elegeu como uma das duas canções favoritas de sua própria obra, ao lado de “Now My Heart Is Full” </em>(páginas 48-49).</p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>2 – <em>The Queen Is Dead</em>, o LP (provavelmente outubro/novembro de 1986)</strong></p>
<p>Não importava. Já impressionado por “The Boy…”, resolvi que compraria um disco dos Smiths para saber se, afinal, a banda realmente correspondia a todos aqueles elogios da Bizz. Detalhe: eu nunca tinha comprado um disco na vida. Pouco depois de comprar a Bizz 15 (outubro de 1986), que vinha com o Morrissey na capa – foi a primeira Bizz que comprei por conta própria – comprei, num espaço de poucas semanas, <em>The Queen Is Dead, True Blue </em>(sim, Madonna) e <em>Dois</em>, da Legião Urbana. Os dois primeiros foram comprados, Deus meu, <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sandiz">numa loja que não existe mais há uns 20 anos.</a> </strong>Da lista de canções, eu só conhecia “The Boy”.  Como eu não sabia o título de “This Charming Man”, tinha esperança que alguma das outras faixas fosse, afinal, aqueeeela música que me intrigava há meses. Frustrei-me, o que não impediu que eu amasse todo o resto do disco, especialmente “I Know It’s Over”, “Never Had no one Ever”, “Some Girls Are Bigger Than Others”  e “There’s a Light that Never Goes Out”. Tudo para mim era ali era misterioso, fascinante: as letras, que eu me esforçava para entender, os vocais idiossincráticos, o enigmático descompasso entre a imagem da capa e o título do disco (Alain Delon = abaixo a monarquia = WTF?), os detalhezinhos dos arranjos (os fades na intro de “Some Girls…”,<strong> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=71PQcRha1gQ&amp;feature=related">o sample arcano na abertura da faixa-título</a></strong>, as cordas sintéticas de “There’s a Light…”). Versos como “If you’re so funny, than why are on your own tonight?”, para um rapaz introvertido como eu, eram a pura perdição – afinal, alguém também entendia o que significava ser adolescente e “criminosamente tímido”, mesmo que esse alguém estivesse na distante Manchester. Os Smiths não soavam como nada que tocasse no rádio ou aparecesse na TV, naquele distante ano de 1986.  Meus pais não ouviam rock, eu não tinha o proverbial irmão/primo/amigo mais velho para me emprestar discos. Eu não conhecia nem os Beatles naquela época.</p>
<p>Post-scriptum: hoje não tenho mais meu vinil de <em>The Queen Is Dead, </em>o primeiro LP que comprei na vida. Emprestei prum vizinho que deu uma festa (para qual eu não fui convidado!) e deixou que algum convidado levasse o disco. Ao menos foi essa história que ele contou. Numa incrível coincidência, minha primeira cópia em CD do disco também seria roubada; tive de recomprar toda a minha discografia dos Smiths depois de um assalto a meu apartamento.</p>
<p><object width="600" height="360" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/THhw9jHc5Zs?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="600" height="360" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/THhw9jHc5Zs?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p><em>“I Know It’s Over:” “Era algo que os Smiths sempre ameaçaram fazer”, lembra Marr. “Uma grande balada melancólica, mas ainda assim do-it-yourself, pós-punk. Não é uma superprodução mas ainda ainda assim é carregada de emoção. É uma música que somente nós poderíamos fazer.” (…) Entre os leviatãs inquestionáveis do repertório de Morrissey/Marr, para muitos fãs esta música só fica atrás de “There’s a Light that Never Goes Out” na hora de decidir qual é a mais perfeita balada dos Smiths</em> (páginas 181-182).</p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>3 <em>- Hatful of Hollow</em> (algum momento de 1987)</strong></p>
<p><em>The Queen Is Dead</em> foi o primeiro.  <em>Meat Is Murder</em>, que comprei depois, é para mim o melhor. Mas provavelmente o disco dos Smiths que mais ouvi foi <em>HoH</em>, que adquiri entre <em>TQID </em>e<em> MIM</em>. Oito músicas de cada lado, todas excelentes, cada uma exibindo uma faceta diferente do som e da poesia da banda. “Heaven Knows I’m Miserable Now” tornou-se o hino para os momentos de depressão/autocomiseração/autodepreciação. “Girl Afraid” era para dançar (lembram que tocava numa vinheta do <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_Realce">Realce</a></strong>?). “Accept Yourself”, “You’ve Got Everything Now”, “These Things Take Time” e “What Difference Does it Make?” eram para pular e berrar junto. “How Soon Is Now?” era para ficar ouvindo quieto, tentando entender que sons eram aqueles. “Reel Around the Fountain”, “Back to the Old House” e “Please Please Please Let me Get What I Want” eram para tentar tocar ao violão (e para se emocionar). Meu vinil, comprado de segunda mão, não tinha o envelope com as letras, então eu tentava tirar os versos de ouvido. Devo um pouco de minha (relativa) fluência no inglês a aquelas tardes.</p>
<p><object width="600" height="360" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/dLEdiOWAgAY?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="600" height="360" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/dLEdiOWAgAY?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Hatful of Hollow<em>: Julgado puramente em termos de composição, suas 16 faixas (…) são uma coleção de originais de Morrissey/Marr tão impecável quanto qualquer outro dos quatro discos oficiais de estúdio da banda. (…) Documentava o desenvolvimento musical do grupo, de “Hand in Glove”, de maio de 1983, aqui na versão original do single, até o polido esplendor pop de “William, It Was Really Nothing” (agosto de 1984). (…) Uma introdução acessível para os não-iniciados e desinformados entenderem a singularidade dos Smiths (páginas 159-160).</em></p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>4 </strong>- <strong><em>Rank </em>(finais de 1988? Começo de 1989?)</strong></p>
<p>Os Smiths se dissolveram em meados de 1987. Morrissey lançaria seu primeiro solo em 1988.  <em>Rank</em>, primeiro e único  disco ao vivo do grupo, sairia em outubro de 88, e creio que no Brasil saiu simultaneamente à versão britânica. Considero o álbum um dos melhores registros de show de todos os tempos. Perdi muitas tardes ouvindo incansavelmente o disco e cantando junto.  Neste contexto, obviamente a versão de “Still Ill” era o highlight:</p>
<p><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ZpatyAxOtOY?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/ZpatyAxOtOY?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Rank:<em> Como documento ao vivo, </em>Rank <em>é uma justa indicação do poder e da paixão expostas  pela banda no prematuro fim de sua carreira nos palcos, que ganhou solidez extra com a guitarra adicional de Craig Gannon e destacava o vigor rítmico de Mike Joyce como uma indispensável âncora. Houve, como Morrissey diz, “momentos mais brilhantes” (e piratas melhores), mas </em>Rank <em>é a prova de que um show dos Smiths poderia ser uma ocasião ruidosa e selvagem </em>(páginas 342-343)<em>.</em></p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>5 – “The Last of the Famous International Playboys” (meados/final de 1989)<br />
</strong><br />
Eu já era bem grandinho, já tinha superado o fim do grupo e já tinha me conformado com a ideia de Morrissey solo. Só que  a carreira individual do bardo não me convencera de todo. Claro que <em>Viva Hate</em> tinha vários momentos brilhantes, alguns dos quais (“Alsatian Cousin”, “Late Night, Maudlin Street”) até fugiam do padrão smithiano mais óbvio. A primeira música solo do cantor que relamente me empolgou foi “The Last of the Famous…”, que, claro, não fugia nem pouco ao padrão smithiano mais óbvio. Quando vi o vídeo que juntava nada menos que três ex-Smiths (Mike Joyce, Andy Rourke e o bissexto Craig Gannon) a Morrissey, confesso que cheguei a me emocionar. “Cara, os bons tempos voltaram! Eu sabia que ele não iria me decepcionar!” Infelizmente, <em>Bona Drag</em>, o disco que trazia o single, não me desceu muito bem de primeira. (Um adendo: comprei o disco numa Ultralar, outra loja que não existe mais.)</p>
<p><object width="600" height="360" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/FcQHohdxdA0?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="600" height="360" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/FcQHohdxdA0?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>“<em>The Last of the Famous International Playboys”: <strong></strong>Após admitir que amava “a romantização do crime”, “Playboys” era um exame explícito do tema: uma descarada carta de admiração aos notórios gangsters londrinos dos anos 60 Reggie e Ronnie Kray, “escrita” por um jovem criminoso iniciante desejoso de alcançar a fama através de similares métodos vilanescos. (…) Sem dúvida, em seu confiante balanço musical e com a audaciosa  proclamação de seus versos, “Playboys” permanece como um dos mais vibrantes singles de toda a carreira de Morrissey (</em>páginas 215-216).</p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>6 – “We Hate It When Our Friends Become Sucessful” (meados de 1992)</strong></p>
<p>Os tempos eram outros, então. Eu já ouvia eletrônica, hip hop e MPB; bandas como Pixies, Stone Roses e Nirvana já haviam entrado em minha vida. Os Smiths continuavam lá, no seu panteão sagrado, mas Morrissey não tinha mais a importância que um dia tivera.  <em>Kill Uncle</em>, seu segundo trabalho solo (descontando a coletânea <em>Bona Drag</em>) me desanimou bastante. Por isso, quando ouvi “We Hate it…” na Fluminense, me espantei – positivamente. O som era pesado, rascante; a letra era engraçada (existe título mais morrisseyniano que este?); a performance, empolgada. Morrissey parecia rejuvenescido. Contendo minha animação, aguardei o álbum e não me frustrei.<em>Your Arsenal </em>marcava a estreia oficial dos dois guitarristas-compositores (Boz Boorer e Alain Whyte) que ajudaram o cantor a, afinal, achar sua sonoridade própria, cinco anos após o fim dos Smiths.  A nova banda trazia guitarras roncando alto (“You’re Gonna Need Someone on Your Side”, “Tomorrow”, “The National Front Disco”)  herdadas do interesse de Morrissey pela cena rocakbilly/psychobilly de Londres. Mas também era  capaz de momentos de sutileza e melancolia ímpares (“We’ll Let You Know”, “I Know It’s Gonna Happen”, “Seasick, Yet Still Docked”). “CARA, OS BONS TEMPOS VOLTARAM! EU SABIA QUE ELE NÃO IRIA ME DECEPCIONAR!”</p>
<p><object width="480" height="320" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.dailymotion.com/swf/video/xctg3s?additionalInfos=0" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="320" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.dailymotion.com/swf/video/xctg3s?additionalInfos=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p><em>“We Hate It When Our Friends Become Sucessful”:  O título espelhava uma das frases mais famosas de Oscar Wilde – “Qualquer um pode se compadecer com o sofrimento de um amigo, mas é necessária uma natureza muito delicada para alegrar-se com o sucesso do mesmo amigo” (…) Rumores que a  música era uma afiada mensagem destinada ao vocalista da <a href="http://www.wearejames.com/"><strong>banda James</strong></a>, Tim Booth, afinal foram confirmados (…) Era uma bem-vinda adição ao repertório de canções sobre fama e frustração, algo como uma “You Just Haven’t Earned It Yet, Baby” (…) com uma lambada extra de sarcasmo, até mesmo resgatando a risada despeitada de “Bigmouth Strikes Again”</em> (páginas 469-470).</p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>7 – <em>Vauxhall and I</em> (meados de 1995)</strong></p>
<p>O melhor solo de Morrissey viria logo depois de <em>Your Arsenal. </em>Mais melódico e pop, com guitarras domesticadas e substituindo a hiperatividade pela melancolia, o disco reúne pérolas melodramáticas como “Now My Heart Is Full”, “The More You Ignore Me, the Closer I Get”, “Hold on to Your Friends” e “The Lazy Sunbathers”. E fecha com uma das melhores, se não a melhor canção da trajetória individual do homem: “Speedway”.  Minha fé no mancuniano estava plenamente reestabelecida, e eu – diferentemente de muitas pessoas menos esclarecidas – já superara a ideia de que a carreira solo de Morrissey deveria ser considerada à sombra do legado dos Smiths. Morrissey era apenas Morrissey. E por mais que a parceria com Johnny Marr tenha rendido, sim, os anos mais inspirados de sua trajetória, a banda era passado e deveria ser considerada como mais uma parte da progressão artística do cantor – que seguia evoluindo, de forma independente. Em mais uma dessas cagadas que costumam assolar a minha vida, perdi meu primeiro <em>VaI</em> num assalto (era um CD importado!) e fui obrigado a comprar outro.</p>
<p><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/GEo0dcccM5U?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/GEo0dcccM5U?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Vauxhall and I:<em> (…) 1993 seria um dos anos mais traumáticos para o cantor, com a morte de pessoas próximas e uma ”longa fase” de depressão. (…) Ainda assim, desta abissal escuridão veio o álbum insuperável de Morrissey. Sua “obra-prima solo” definidora. (…) “Antes de</em> Vauxhall and I, <em>nunca tinha me sentido tão completo, satisfeito”, ele afirmou. “Um álbum no qual nenhuma faixa destoa, e em que todos os títulos são um sucesso. É uma nova e terrivelmente excitante emoção. (…) Encaixa-se na minha ideia de perfeição. Eu não poderia fazer nada melhor.”</em> (páginas 455-458)</p>
<p>___________________________________________________________</p>
<p><strong>8 – “Moonriver” (finalzinho de 1995)<br />
</strong></p>
<p>Havia uma garota de quem eu gostei muito. E ela gostava de mim, mas… não o suficiente. E na primeira vez que ouvi essa versão morrisseyniana para o clássico de Henry Mancini, eu estava ao lado dela. Enfim. Eu já tinha uma ligação anterior com a música –<strong> <a href="http://www.imdb.com/title/tt0054698/">o filme para o qual ela foi composto é um dos meus favoritos de todos os tempos</a></strong>. Fiquei impressionado com a ousadia da versão, na qual a performance vocal é escanteada em favor de um longo,  lindo e etéreo interlúdio instrumental, encharcado de reverbs e samples de choro feminino.  O disco que trazia a canção, a coletânea <em>World of Morrissey</em>, tinha outros ótimos momentos, como “Whatever Happens, I Love You” e “Boxers”.</p>
<p><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/aiM3oJsLxJY?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/aiM3oJsLxJY?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p><em>“Moonriver”: Parecia surpreendente ouvir Morrissey apropriando-se de um clássico de cabaré, mas uma inspeção detalhada da letra (celebrando amor, amizade eterna e ambição juvenil) a coloca em posição análoga à de “Hand in Glove”. (…) Há uma suave tristeza pairando em sua interpretação, invertendo o otimismo original com uma sensação de perda e tragédia iminentes e que o sonho, “logo ali depois da curva”, nunca vai chegar. (…) O choro sampleado pertence à atriz Peggy Evans, soluçando em agonia depois de ser estapeada no rosto pelo canalha Dirk Bogarde no filme </em>The Blue Lamp<em> (1950) (páginas 270-271).</em></p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>9 – O show (5 de abril de 2000)</strong></p>
<p>Morrissey se apresentou no Rio em abril de 2000, no ATL Hall (depois Claro Hall, hoje Credicard Hall). O texto que se segue foi publicado na edição 25 da revista Rock Press (junho de 2000).</p>
<p><em>E, numa noite quente de outono, ele veio até nós. Alguns já esperavam há pelo menos uma década. Outros (em números surpreendente) estavam no jardim de infância quando os Smiths eram a maior banda do mundo, levados ao show pela campanha idiótica de alguma “rrrrrrrádio rrrrock”. (Dois flagrantes da plateia: ao meu lado, um sujeito de uns 30 anos ficava de braços cruzados, olhando para todos os lados – menos para o palco – durante as músicas da carreira solo do cantor. Quando surgia alguma música dos Smiths, ele pula, cantava junto, erguia as mãos… Do outro lado, uma menina que não podia ter mais de 17 anos berrava sem parar: “Ask Me”, “Ask Me” – sic! Pobres e desavisados infieis.)<br />
O fato é que, como ou sem Smiths no repertório, ver Morrissey ao vivo é a oportunidade única de encarar aquele que talvez seja o último pop star que mereça o termo. Nesta época de DJs anônimos, adolescentes louras peitudas e garotos da rua de trás, o velho mancuniano é a única figura inconfundível, o único com carisma real, o único digno de adoração – por parte de gente que esperou mais de 10 anos ou de gente que acabou de conhecê-lo.<br />
E ao vivo, meus amigos, o bicho pega. Se ouvir Morrissey em casa é uma viagem introspectiva, que pode levar o ouvinte aos risos ou à comoção, no palco o negócio é só rock’n&#8217;roll, celebração, diversão, showmanship. O “inglês deprimido” é um mito; o ATL Hall (quase) lotado pôde comprovar isso. O cara suou, literalmente, e fez todo mundo suar  (os mais comovidos sempre podiam dizer que não eram lágrimas, mas o suor escorrendo…) Conversou com a plateia, tentou arrastar um fã afoito para o palco, pegou flores, cartazes, peças de roupa; negou, com um sorriso, pedidos de músicas (“‘Bigmouth’? No, no. Small mouth.”); atirou pelo menos umas cinco camisetas molhadas de suor ao público – a última, esfregada por dentro da calça em suas partes pudendas. Depressão, onde? Ritmo de festa.<br />
O repertório não teve obviedades; na verdade, os hits foram praticamente evitados. Com sua banda afiadíssima, comandada pelo guitarrista Boz BorrellBoorer, Mozz lascou rock de cara, com “The Boy Racer” e “Billy Budd” – e foi inacreditável vê-lo entrar no palco, sorridente, todo de couro preto (suava!). Vários momentos brilhantes de sua carreira solo estiveram presentes. “Now My Heart Is Full” (numa versão sutil), “November Spawned a Monster”, “Trouble Loves Me”, “The More You Ignore Me…” Faltaram alguns sucessos, claro, mas não deu para sentir saudade, tal era o vigor com que o topetudo e sua banda se entregavam às canções. Pérolas menores como “Break Up the Family” ou “Hairdresser on Fire” foram mais que suficientes para completar.<br />
E teve Smiths? Apenas quatro, e nenhum big hit. “Meat Is Murder”, “Half a Person”, “Is It Really So Strange?” e (no único bis) “Shoplifters of the World, Unite”. Foi ótimo – especialmente para contrariar os bobalhões que pediam “I Know It’s Over” e coisas do tipo. A emoção de ouvir aquelas maravilhas, mesmo sendo de segunda mão, é algo que só quem cresceu ouvindo Smiths pode entender. Mas nem precisava. Tanto que o momento mais iluminado da noite foi a magistral versão de “Speedway”, a melhor música do melhor disco solo de Morrissey.<br />
P.S. 1: Não, ele não está gordo.<br />
P.S. 2: Não, ele não está careca.</em></p>
<p><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/QmZCag8ivQ0?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/QmZCag8ivQ0?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>____________________________________________________________</p>
<p><strong>10 – <em>Ringleader of the Tormentors</em></strong> <strong>(2006)</strong></p>
<p>Sete anos se passariam entre <em>Maladjusted</em>, o último disco que Morrissey lançaria no século 20, e seu retorno com <em>You Are the Quarry</em>, em 2004. De modo geral, os fãs e a crítica tendem a preferir <em>YAtQ</em> em lugar de <em>RotT</em>. Mas eu não. Foi muito bom reencontrar o cantor, ainda com a verve poética vigorosa e capaz de compor ótimas músicas como “Irish Blood, English Heart”, “The World Is Full of Crashing Bores” e “First of the Gang to Die”. Entretanto, para mim, o comeback só foi realmente concretizado com o lançamento de<em>Ringleader</em>, a contrapartida mais melodramática e musicalmente mais rebuscada de <em>YAtQ</em>, que era soava mais direto. Nas letras, Morrissey parecia obcecado com a ideia de morte (“You Have Killed Me”, “In the Future When All’s Well”, “The Father who Must be Killed”). Em “On the Streets I Ran”, ele dá um dos mais memoráveis chiliques de sua carreira (“Dear God, take him, taker her, take anyone – the newborn, the stillborn, the infant, take anyone, take/ People from Pennsylvania, Pittsburgh but spare me”). Com “Dear God Please Help Me”, ele descrevia um encontro homossexual com riqueza de detalhes (algo que não passou despercebido pelos patrulheiros de plantão) ao som de um arranjo de cordas de Ennio Morricone. Já “I Will See You in Far-Off Places” e principalmente “Life is a Pigsty” davam seguimento às ousadias instrumentais que marcaram álbuns como <em>Southpaw Grammar</em>. Equilibrando punch roqueiro e melodias inspiradas, foi o melhor trabalho do homem desde <em>Vauxhall and I. </em>Belíssimo reencontro.</p>
<p><object width="480" height="385" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/qTqo2DrMCOw?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="385" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/qTqo2DrMCOw?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p><em></em>Ringleader of the Tormentors: <em>Mesmo durante o auge do triunfante comeback de 2004, circulavam rumores de que You Are the Quarry nada mais era que um último</em> hurrah, <em>cuidadosamente planejado, antes de o cantor aposentar-se. (…) A reação a Ringleader foi tudo o que Morrissey poderia ter desejado. (…) Houve comentários na imprensa com termos como “gênio” e “a obra-prima” (…) e o disco estreou no topo da parada inglesa. (…) Sejam quais forem suas falhas, ao consolidar o comeback de Morrissey no século 21,</em>Ringleader of the Tormentors<em> foi um triunfo incontestável</em> (páginas 354-357).</p>
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		<title>MOZIPEDIA – UMA ENCICLOPÉDIA PARA MORRISSEYMANÍACOS.</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2012 13:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marco</dc:creator>
				<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160; Não existem muitas enciclopédias dedicadas a artistas de rock, por mais populares que sejam. Sei que os Beatles têm mais de uma, mas outros casos não me vêm à mente de imediato. &#8230;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/05/mzpackshot.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-323" title="DIGITAL CAMERA" src="http://www.fubap.org/telhadodevidro/wp-content/uploads/2012/05/mzpackshot.jpg" alt="" width="576" height="509" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não existem muitas enciclopédias dedicadas a artistas de rock, por mais populares que sejam. <strong><a href="http://www.cgpublishing.com/Books/beatlemania.html">Sei que os Beatles</a></strong> têm <strong><a href="http://www.amazon.com/Beatles-Encyclopedia-Bill-Harry/dp/0753504812">mais de uma</a></strong>, mas outros casos não me vêm à mente de imediato. Então, quando deparei-me com a aparição da <strong><em><a href="http://www.rhgdigital.co.uk/blogs/ebury/?p=347">Mozipedia </a></em><a href="http://www.rhgdigital.co.uk/blogs/ebury/?p=347"><em>- The Encyclopedia of Morrissey and The Smiths</em></a></strong>, fiquei naturalmente intrigado e interessado. Afinal, mais interessante que o formato e o conceito do livro, só mesmo seu assunto: Morrissey &amp; seu mundo. Os Smiths são um dos motivos pelos quais eu passei a me interessar por música pop. Depois que a banda acabou, seu vocalista permaneceu na minha vida, e o acompanhei através de altos e baixos, e ele (ou melhor, sua música) também seguiu meus altos e baixos. O sossego só veio quando a Amazon, numa demonstração de surpreendente agilidade, deixou na porta de casa o <strong><a href="http://www.amazon.com/Mozipedia-Encyclopedia-Morrissey-Simon-Goddard/dp/0452296676/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;qid=1289480966&amp;sr=8-1">meu exemplar da <em>Mozipedia</em>, comprado ainda em pré-venda</a></strong> (claro).</p>
<p>As cifras impressionam. São 544 página e um total de 350 mil palavras divididas em cerca de 600 verbetes em ordem alfabética cobrindo aparentemente todos os aspectos da vida de Steven Patrick Morrissey, sobre o ou fora do palco, antes, depois e durante os Smiths. Parece não ter ficado coisa alguma de fora – dos “grandes temas” que regem a vida do cantor (ambiguidade sexual &amp; celibato, New York Dolls, vegetarianismo, a parceria com Johnny Marr) a minúsculas minúcias como os programas de TV favoritos de Morrissey durante a adolescência e detalhes sobre sua dieta (basicamente “batatas, torradas e ovos”). A revista Q classificou o calhamaço como “a obra de um maníaco”. O autor, <strong><a href="http://simongoddardwords.blogspot.com/">Simon Goddard</a>,</strong> tem estofo para a tarefa. O cara escreveu <strong><a href="http://www.shvoong.com/books/369167-smiths-songs-saved-life/"><em>The Smiths: Songs that Saved Your Life</em></a></strong>, considerado a analíse definitiva do cancioneiro smithiano (música a música, num formato similar ao de <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Revolution_in_the_Head%3A_The_Beatles'_Records_and_the_Sixties"><em>Revolution in the Head</em></a></strong>, sobre os Beatles). Há dois bons cadernos de fotos, misturando imagens de todas as fases da carreira do mancuniano e retratos de seus ídolos – Oscar Wilde, os citados New York Dolls, a dramaturga <strong><a href="http://www.queens-theatre.co.uk/biographies/shelaghdelaney.htm">Shelagh Delaney</a></strong>, atores como Terence Stamp, Harvey Keitel e Dirk Bogarde.</p>
<p>A escolha do formato deve ter sido a forma que o autor – naturalmente um smithófilo/morrisseymaníaco juramentado – encontrou para manter o distanciamento crítico em relação ao assunto. E também para garantir a própria confecção do livro. Biografias de rock costumam seguir dois padrões. Um é o texto corridão, que garantiu narrativas já clássicas como os livros sobre <strong><a href="http://www.lojaconrad.com.br/lojas/conrad/__Detalhes.cfm?produto=RQ19376">Dylan</a>, <a href="http://www.larousse.com.br/imprensaCompleto.asp?codRelease1=9f0f2b58">Zeppelin </a></strong>e, uma vez mais, os <strong><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,bob-spitz-fala-com-exclusividade-ao-estadaocombr,98598,0.htm">Beatles</a></strong>. A hipótese se provaria difícil, sabendo-se previamente que o personagem principal não colaboraria. Avesso a expor sua intimidade, Morrissey não falou nem com Johnny Rogan, autor da biografia definitiva dos Smiths <em>(Morrissey &amp; Marr: The Severed Alliance</em>). E também não conversou com Goddard para a enciclopédia (os outros membros da banda falaram). No prefácio, Goddard diz que muitos dos amigos, ex-amigos e associados de Morrissey não toparam falar ou só quiseram falar em off – e vários deram para trás em cima da hora, temendo a fúria de cantor. Essas dificuldades não inviabilizariam, mas sem dúvida dificultariam o trabalho de apuração. A outra opção de formato seria a tal da história oral, que se provou válida em livros como <em>Mate-me Por Favor</em> e, que coisa, o <em>Anthology </em>dos Beatles. Ora, uma história oral de Morrissey sem falas do próprio seria… nada.</p>
<p>Há incontáveis referências, todas minuciosamente pesquisadas, aos filmes/livros/discos/atores/atrizes/escritores/novelas de TV favoritas de Morrissey. Todos os artistas obscuros que ele já citou como influência, especialmente nos primeiros anos dos Smiths, estão lá (com direito a alentados verbetes biográficos). Trechos das cartas que o cantor trocava com amigos nos anos 70. Excertos das resenhas escritas por Morrissey nos breves anos em que tentou ser jornalista musical freelancer. Seus jogadores de futebol favoritos.  Fontes originais de onde sairam cada uma das citações, por mais crípticas que sejam, a figurar nas letras do cantor. Os fatos por trás das várias polêmicas que o artista já protagonizou, sejam inventadas por ele (como o mito do celibato ou sua sempre nebulosa opção sexual), seja aquelas para as quais foi arrastado (como as acusações de racismo, xenofobia e associação com a extrema direita britânica). É uma obra fanática, feita por um fã e dirigida apenas aos outros fãs. E nesse quesito, é irresistível e insuperável. Morrisseyianos são seres devotos, obcecados e minuciosos no que tange o objeto de sua adoração. Sim, é IMPORTANTE saber que os Smiths, em sua fase mais embrionária, pensaram em gravar uma versão da música “I Want a Boy for Birthday” (hit menor do grupo vocal The Cookies), apenas pelo potencial provocativo/andrógino do título.  É FUNDAMENTAL saber que, apesar de dizer publicamente que nunca usara drogas, Morrissey batia na porta do baixista Andy Rourke pedindo o que chamava de  “docinhos” – tranquilizantes e antidepressivos.  É ESSENCIAL saber do paradeiro (desconhecido, aliás) de <strong><a href="http://www.discogs.com/artist/Annalisa+Jablonska">Annalisa Jablonska</a></strong>, moça que o cantor diz ter sido sua namorada (!) no começo dos anos 80 – e que só foi vista por Marr e o resto da banda uma ou duas vezes, tendo depois desaparecido. Se Morrissey é, para usar uma expressão criada por Wilde, uma “esfinge sem segredos”, é NECESSÁRIO  apreender todos os fragmentos possíveis de sua persona, tentando capturar o incapturável: sua essência, tão debatida em milhares de entrevistas, e mesmo assim tão nebulosa.</p>
<p>Como toda enciclopédia, a <em>Mozipedia</em> não foi feita para ser lida direto, e sim consultada quando em dúvida. (Mas que fã resistiria?) O retrato que emerge não é 100% agradável.  Steven Patrick cresceu superprotegido pela mãe, que o influenciou a tornar-se vegetariano e o apoiou incondicionalmente em cada decisão de sua vida. Sabemos como pessoas criadas assim podem ser “difíceis” e “sensíveis”, certo?  O cantor é um declarado misantropo. E ainda assim busca sempre estar cercado de amigos e colaboradores  – que podem ser descartados sem aviso prévio, em geral por terceiros (e não pelo próprio Morrissey). Brigou com sucessivos parceiros (Stephen Street, Mike Joyce, Mark Nevin) por comportar-se como um unha de fome incorrigível, protelando pagamentos e negando royalties. No verbete dedicado a David Bowie, Goddard explica como Morrissey abandonou na cara dura a turnê conjunta que empreendeu em 1995 com o Camaleão… e saiu falando cobras e lagartos do (ex?-)ídolo.  No relacionamento com os vários melodistas com quem compôs após separar-se de Marr, o cantor assume um papel passivo (ops): os músicos mandam constantemente ideias para novas canções em fitas-demo e o  vocalista, olimpicamente, seleciona as que julga mais dignas de seus versos. Goddard sugere, mais de uma vez, que isso já causou fricções entre os guitarristas Boz Boorer e Alain Whyte, principais parceiros do cantor desde 1993 (Whyte teria até gabado-se: “Eu sei do que Morrissey gosta”).</p>
<p>Morrissey é um ser humano extremamente complicadinho – em todos os sentidos da expressão – e isso fica evidente em suas entrevistas e mais ainda em suas letras. O calhamaço de Goddard dá as pistas para o caminho através do qual essas complicações foram construídas. Garoto nos anos 60, “Steven” cresceu assombrado por uma Inglaterra cinzenta, empobrecida e melancólica, uma construção mental que se deve menos à observação da realidade do que à sua obsessão com os filmes, peças de teatro e livros sobre a classe operária britânica. Esse interesse por uma imagem (romantizada) do povão inglês permanece até hoje, manifesto no apreço do cantor por boxe, futebol e pubs estilo pé-sujo. A confusão/ambiguidade sexual sem dúvida foi amplificada pelos<em>role models </em>que o adolescente Morrissey adotou – Bolan, Bowie, <strong><a href="http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&amp;sql=11:hekcikm6bbo9~T0">Jobriath</a></strong>, os New York Dolls (sem esquecer de Oscar Wilde). O advento do punk afinal permitiu que o vislumbre de uma carreira musical se tornasse realidade. Quando ele se encontra com Marr, em 1982, “Steven” já era Morrissey; e não se engane, a persona ambígua, irônica, depressiva e contraditória foi cuidadosamente construída, projetada para causar o máximo impacto <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/New_romantic">num cenário pop marcado por frivolidades e fru-frus</a>.</strong></p>
<p>Minha desconfiança é de que Goddard deixou o lado fã falar mais alto. Ao “limitar-se” a apresentar os fatos, com um mínimo de interpretação e/ou de intervenção, o jornalista certamente escolheu o caminho mais exaustivo. Mas também evita a tentação de explicar o mito, algo que seria quase inevitável num livro de narrativa mais convencional. Não por acaso, na introdução ele compara seu trabalho ao do repórter que protagoniza <em>Cidadão Kane</em> – mas exime-se de apontar o que seria o Rosebud de Morrissey.  Ele joga todas, ou praticamente todas, as peças do quebra-cabeças lá, e cabe ao leitor juntar tudo. Talvez Goddard, ao juntar as peças  por conta própria, tenha chegado à mesma conclusão pouco agradável a que cheguei – a de que Morrissey é, ora essa, humano também.  E por isso lavou as mãos.  Admiração absoluta  não rima com conhecimento absoluto.   Voltando a Goddard: “Aprendi a amar Morrissey pelo grande artista que ele é”. Bem, nós também. Ou não?</p>
<p>[<strong><a href="http://www.fubap.org/telhadodevidro/2012/05/22/top-10-morrisseynianas/"><em>E não deixe de clicar aqui para ler também meus 10 maiores momentos morrisseynianos, com direito a trechos traduzidos da </em>Mozipedia<em>!</em></a></strong>]</p>
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