Policiais e narcotraficantes discutem em um porto. Um tiro certeiro explode um caminhão, dando início a uma frenética perseguição por vielas e escadarias. Essa descrição, que mais parece retirada de um filme de Michael Bay (“Bad boys”, “Transformers”), dá o tom de “Prófugos”, que estreia neste domingo (4), às 22h, na HBO.
Sétima produção original do braço latino do canal de TV a cabo, o seriado/thriller de ação rodado no Chile é protagonizado por quatro narcotraficantes que se tornam fugitivos da polícia e da máfia após uma operação frustrada. O quinto personagem é a peculiar geografia chilena, explorada de todas as maneiras durante as fugas.
“Fomos colocados em uma situação que combina com a série. Sentimos a adrenalina do roteiro o tempo todo. Muito do que fizemos não era atuação, como correr pela neve ou se sentir enjoado a 4 mil metros de altura”, diz ao G1 Néstor Cantillana, que em “Prófugos” tem o papel de Vicente, o herdeiro do cartel Ferragut. “A gente se sentia o Bruce Willis”, brinca Luis Gnecco. Na série ele é Mario, um violento capanga que no passado teve ligações com a ditadura do país.
Os 13 episódios da 1ª temporada de “Prófugos” levaram sete meses de gravações. O diretor Pablo Larraín, fã de filmes de perseguição dos anos 1970 e do diretor Michael Mann (“Colateral” e “Miami vice”), orgulha-se de não ter usado em nenhum momento efeitos de computação gráfica para a construção dos cenários e das situações calamitosas. As paisagens escolhidas vão desde a capital Santiago até a litorânea Valparaíso, da arborizada Iquique até o deserto do Atacama, na fronteira do salar de Uyuni, na Bolívia.
O primeiro capítulo da série dá uma boa ideia dessa extensão geográfica. A história que é apresentada fala sobre uma grande operação que envolve o transporte de cocaína líquida da fronteira da Bolívia até o porto da histórica Valparaíso. São percorridos mais de 2 mil quilômetros para a realização da tarefa, primeiro com um caminhão-tanque e depois com a droga embalada em garrafas de vinho. A missão falha ao ser descoberta pela polícia e por um cartel concorrente.
Quem consegue escapar são os quatro traficantes designados para a operação – daí o nome “prófugos”, que significa “fugitivos” em espanhol. Apesar de todos os personagens terem perfis distintos (há até um policial infiltrado), a ambição financeira é o que os conecta. “Todos eles são pessoas solitárias, corajosas, que precisam ficar juntas para sobreviverem. O problema é que ninguém confia em ninguém”, resume Francisco Reyes, que na série interpreta o veterano Oscar, um idealista esquerdista e doente terminal que começa a traficar para garantir a segurança econômica da filha no futuro.
“Prófugos” explora o narcotráfico no Chile, que não é tão noticiado como o colombiano e o boliviano. Segundo os produtores, tudo o que é apresentado na série é baseado em fatos reais – caso do corredor que o país é para a droga que vem da Bolívia e depois é enviada à Europa.
Para exemplificar, os atores citam um fato que ocorreu durante uma gravação no deserto chileno: um caminhão da equipe ficou atolado e naquele cenário inóspito a ajuda parecia demorar a chegar. Que os “salvaram” foram os passageiros de outro caminhão que vinha da Argentina.
“Dentro dele haviam eletrônicos piratas, jaquetas falsificadas e cocaína, muita cocaína”, afirma Reyes, explicando que a droga – real – estava escondida em diversos papelotes. “A cocaína não era engarrafada, como na série. ‘Prófugos’ é um comentário forçado da realidade. É ficção”.
* Matéria publicada no G1Tweet













