Não sei para vocês, mas para mim o filme mais injustiçado deste Oscar é “Blue Valentine”, que tem apenas uma indicação – a de melhor atriz, para Michelle Williams. O trabalho, como bem sugeriu o Alejandro Iñárritu, tem um argumento poderoso: fala do coração.
No caso, a história de um casal, do começo ao fim. É de apertar o peito, já aviso.
Um dos grandes momentos de “Blue Valentine” é uma certa música que aparece num dado momento. Trata-se de um soul lindo, doído, que demorei semanas para descobrir seu nome e autor : “You and Me”, de um tal Penny and the Quarters.
Ao procurar pelo artista, achei uma história ainda mais deliciosa: ninguém sabe quem é a banda! Acredita-se que “You and Me” tenha sido gravada nos anos 1970, no estúdio Columbus’ Harmonic Sounds. E só.
Ela foi descoberta por acaso há uns anos, durante um leilão de fitas usadas e demos de ensaios do estúdio, já fechado. Tava sozinha, com a etiqueta “Penny and the Quarters”.
A faixa caiu na web e todo mundo começou a questionar sua autoria. Os caras do Numero Group, especialistas em escarafuncharem os autores de faixas obscuras, chegaram a pegar a fita e tocá-la para mais de 100 executivos e músicos de décadas atrás. Novamente, nada.
“Penny & the Quarters’ “You And Me” is a random rehearsal by a group no one can remember but, one more song we wouldn’t let be forgotten”, descrevem os caras do Numero Group.
Depois dessa só fiquei mais fã do filme, de boa.