Vou atualizar amanhã.
Hoje to muito ocupado.
Mal ae.
Até amanhã.
Vou atualizar amanhã.
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Mal ae.
Até amanhã.
Feliz ano novo.
Vamo nessa.
A entrevista desse mês é com o cartunista (humorista é o mais correto) Arnaldo Branco.
Gentilmente nos concedeu esta entrevista:
A Pira >Quando te fazem a protocolar pergunta “o que voce faz da vida?” e voce responde “cartunista” , te olham como você passasse fome? Aliás… é um equívoco ter essa idéia dos cartunistas?
Arnaldo Branco > Mas cartunista passa fome mesmo. Aliás, não entendo quem trabalha com humor e fica restrito ao cartum, aos quadrinhos. Prefiro dizer humorista, que abre mais o leque, mesmo que seja mais conhecido (claque) pelos quadrinhos e cartuns do que por escrever roteiros e textos para revistas e sites. Aliás, também acho me definir como humorista restritivo – se você sabe fazer personagens, escrever ficção, não entendo porque ficar só na seara do humor. Sempre quis trabalhar com outras coisas, com cinema – não só em comédias – por exemplo.
A Pira > Mas vamos continuar no cartunismo mais um pouco. Angeli ou Laerte? Quem é o maioral?
Arnaldo Branco > Tenho essa teoria, do melhor e do mais legal: Beatles é melhor, Rolling Stones é mais legal; Clash é melhor, Sex Pistols é mais legal; Pelé é melhor, Garrincha é mais legal (pelo menos como figura trágica, hehe). Laerte é o melhor cartunista do Brasil disparado, com mais recursos, cabeceia, chuta com as duas. Mas Angeli foi o cara que me botou nessa vida, é o rockstar dos cartunistas.
A Pira > Sei que voce é um defensor do humor de texto, das boas tiradas , do diálogo ácido, e etc. Sei até de relatos de que voce é fã de Gilmore Girls. Já eu acho que aquele tradicional close no rosto do Lucio Mauro vale por 50 tiradas do Woody Allen. É o fim do humor da careta? Existe uma hierarquia no humor?
Arnaldo Branco > Não sou defensor ferrenho, só que ainda estamos na pré-história de humor de texto aqui. Queria muito que primeiro fabricássemos nosso Groucho Marx para depois negá-lo, gostaria de viver em um país em que o trash fosse apenas mais um dos subgêneros, ao invés de ser a única opção. E ademais, quem é o novo Lucio Mauro, o novo Costinha? Esses stand-ups que fazem sobrancelha é que não, até o humor de careta está em péssima fase. Mas enfim, sempre fui uma criança chata, odiava palhaços, pensava: “cair de bunda eu também sei fazer”… curto engenho, sacada. Tem público pros dois tipos de humor, creio, e às vezes rola até interseção entre esses públicos. E também não entendo porque não podemos ter o melhor de dois mundos, Woody Allen (que, porra, é um puta comediante de careta também) escrevendo pro Lucio Mauro. Ah, e Gilmore Girls eu não acho engraçado, acho bem escrito, um smart ass contest, me lembra os filmes antigos, em que os atores falavam igual a máquinas de telex, ali tem um certo descompromisso com o naturalismo que eu curto.

"Its like...Oh my God, you know?!"
A Pira > Quanto à hierarquia do humor… me diga…o trocadilho é a forma mais pobre de humor? Ou é piada com Jesus?


Volta, porra!

"quanto mais sujeira, mais limpeza"

Can é uma banda alemã formada no final dos anos 60.
O som é multicultural , experimental, cabuloso, e bom pacas. Acho que tem tudo a ver com essa época em que vivemos , um lance globalizado / Obama / Animal Collective.
Aí vão as 10 melhores músicas da banda, pra voce arrupiar:
Este é um documentário dedicado exclusivamente à uma grande obra de Sandro Boticelli. Trata-se de sua “Primavera”. O melhor de tudo são os vários especialistas mandando ver nas teorias (incluindo análises junguianas e psicanalíticas bem heterodoxas) e o grande Ernst Gombrich dizendo que é tudo besteira. Metem até o Dario Argento na parada.
Confiram:
“A última coisa séria” é como Garcia Lorca definiu as touradas. Neste documentário feito pelo diretor do clipe da Madonna em que rola uma tourada, a vida de dois matadores é acompanhada de perto. Eu sei que vão ter altos amigos da Izadora fazendo birra, mas enfim…Foda é pouco pra esse documentário:
parte 7 está faltando, não sei porque diabos. :/
“Me and my slaves” é um documentário sinistro da BBC que mostra a vida de um Mestre de Sado-Masoquismo que tá tentando parar e mudar de vida. É triste, mas altamente interessante. Recomendo.
E pra finalizar a edição desde mês dos tesouros ocultos do Youtube, temos a presença de um historiador australiano dinamitando completamente aquele documentário/conspiração chamado “Zeitgeist”. Pô, galera…vamo estudar.
“Os dedos esticados de uma das mãos, movendo-se lentamente para diante e para trás, debaixo do queixo erguido, significam “não há coisa que menos me interesse e eu não tenho nada com isso. Não conte comigo.” Foi esse o gesto feito em 1860 pelo avô de Signor O. O, de Messina, em resposta a Garibaldi. O general, que conquistara a Sicília com seus voluntários e marchava para frente rumo à península, tinha avistado aquele homem, na época um robusto jovem, a cochilar sobre um pequeno muro de pedra à sombra de uma alfarrobeira, numa vereda do campo. Colheu as rédeas do cavalo e perguntou-lhe:
-”Moço, voce nao quer juntar-se a nós, numa luta para libertar os nossos irmãos da Itália Meridional, da sangrenta tirania dos reis Bourbons? Como consegue dormir quando o país precisa de você? Acorde e pegue em armas!”
O rapaz fez o tal gesto , silenciosamente. Garibaldi chegou as esporas ao cavalo e seguiu adiante.

Foi anunciado aos oficiais do Rei e ao exército grego que estava em Jerusalem, na cidade de Davi, que alguns homens, que tinham transgredido a ordem do Rei, se haviam retirado a lugares escondidos do deserto, e que muitos os tinham seguido. Imediatamente marcharam contra eles e prepararam-se para os atacar em dia de sábado. Disseram-lhes: “Chega o acontecido até agora! Saí, obedecei às ordenjs do Rei, e vivereis.” Eles responderam: “Não sairemos, nem obedeceremos à ordem do Rei, pois seria profanar o dia de sábado.” Então as tropas do Rei arrojaram-se contra eles; eles não lhes resistiram, nem lhes atiraram uma só pedra, nem taparam as cavernas onde estavam escondidos. “Morramos todos”, disseram, “na nossa simplicidade, e o céu e a terra serão testemunhas de que nos fazeis morrer injustamente. Acometidos, assim, em dia de sábado, foram mortos com suas mulheres, seus filhos e seus gados, cerca de mil pessoa.
Resolução tomada por Matatias:
Souberam-no Matatias e os seus amigos, e choraram por eles amrgamente. Todavia diseram uns aos outros: se todos fizermos como os nossos irmãos, se não lutarmos contra os gentios pelas nossas vidas e pelas nossas leis, em bem pouco tempos nos exterminarão da face da terra. Tomaram, pois, naquele dia esta resolução: se alguém, quem quer que seja, nos atacar em dia de sábado, lutaremos contra ele, não nos deixaremos matar todos, como nossos irmãos nos esconderijos.
* Macabeus I, capítulo 2, vers. 31 – 41

Theodore Roosevelt gostava de procurar caçadores lendários para companhá-lo em suas muito publicizadas caçadas, entre eles Holt Collier, um ex-escravo que matou mais de 3 mil ursos, e o fascinante Jack “Catch’em alive” Abernathy, que guiou Roosevelt em uma caça de lobos elo Oklahoma em 1905. Abernathy, um homem de família, abstêmio, e muitas vezes homem-da-lei em um amplo território sem lei, podia pular de seu cavalo em cima de um lobo ainda correndo e subjulgá-lo ao chão com suas próprias mãos, uma técnica chamada de “wolf coursing” – algo bem distante de matar lobos com um poderoso rifle de um helicóptero, à là Sarah Palin.

Helmuth James, Conde von Motlke, bisneto do marechal Moltke cuja estratégia causou a vitória na Guerra Franco-Prussiana, foi exetucado na prisão de Plotzensee em janeiro de 1945 por discutir assuntos “que eram de interesse exclusivo do Führer”. Devido ao seu nome e posição, Moltke poderia ter aspirado com sucesso a qualquer cargo no Reich de Hitler; ao invés disso, ele concordou com seus algozes o disseram em seu julgamento: “o cristianismo e nós nacional-socialistas temos uma coisa em comum, e somente uma coisa: nós clamamos pelo homem inteiro. Concordando, Moltke morreu um homem inteiro – um homem cristão. Para sua esposa Moltke escreveu: “Eles podem me tirar os bens, minha honra, meu filho e minha esposa; o corpo eles podem matar; a verdade de Deus permanece, Seu reino é eterno.”
p.s.: Freya von Moltke, viúva de Helmuth James, morreu no primeiro dia deste ano aos 98 anos.

“Quando Machado de Assis morreu, um de seus amigos, José Veríssimo, escreveu um artigo em sua homenagem. Numa explosão de admiração pelo homem de origens modestas e ancestrais negros que tornara-se um dos maiores romancistas do século, Veríssimo violou uma convenção social e refeiu-se a Machado como o mulato Machado de Assis. Joaquim Nabuco, que leu o artigo, rapidamente percebeu o faux-pas e recomendou a supressão da palavra, insistindo que Machado não teria gostado dela. “Seu artigo no jornal está belíssimo” – escreveu a Veríssimo – “mas esta frase causou-me arrepio: mulato, foi de fato grego da melhor época. Eu não teria chamado o Machado de mulato e penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. Rogo-lhe que tire isso quando reduzir os artigos a páginas permanentes. A palavra não é literária e é pejorativa, basta ver-lhe a etimologia. O Machado para mim era um branco e creio que por tal se tomava…”
*retirado de “Da Monarquia à República: momentos decisivos” , de Emilia Viotti da Costa.

“Na primavera de 1210, o assalto de Bram de Simon de Montfort:
“Chegaram ao Castelo de Bram , sitiaram-no e tomaram-no de assalto em menos de três dias, sem o emprego de máquinas. Aos homens do castelo, que eram mais de cem, vazaram os olhos e cortaram o nariz, mas a um deles conservaram um olho afim de que pudesse conduzir os demais a Cabaret…”
* Pierre des Vauxde Cernay: “Hystoria Albigensis”

“Dercílio Brito, marido de uma sua sobrinha, prático em prótese dentária e, num lugar sem dentista, nem enfermeiro, nem médico, nem farmaceutico, atuando em todas essas frentes, acabou por ter um certo prestígio, daí se gerando uma inimizade com Chico Romão. Empolgou-se com a liderança, o que o fez tentar competir com o Coronel. Deu-se mal. Incidentes, desde um em torno da direção da Associação Rural, que disputavam presidir, até as remoções na sua função pública, em emprego ensejado pelo Coronel, antecederam o final sangrento de Salgueiro, em circunstâncias ainda não de todo esclarecidas. Sabe-se é que Dercílio atirou nele, mortalmente. O velho tentou – e o conseguiu – sacar do revolver porém a mão poderosa e em tantas ocasiões decisoras estava vencida. Mas, velho valente, Chico Romão morrue como um bravo – revolver na mão cerrada , a face contraída de dor onde os lábios repetiam , sob um céu limpo de sertão gostoso que ele perdia, numa imprecação de macho:
- “Matou-me…cabra da peste…cabra da peste!”
* retirado de “Coronel , Coronéis” , de Marco Vinícius Vilaça e Roberto C. de Albuquerque.

“Depois de formar-se no staff college em 1898, Hoffmann servira seis meses como intérprete na Rússia e cinco anos na seção russa do Estado Maior, sob as ordens de Schlieffen, antes de seguir como observador militar da Alemanha na Guerra Russo-Japonesa. Quando um general japonês recusou-lhe permissão para assistir uma batalha do alto de uma colina próxima, a etiqueta cedeu lugar àquela qualidade natural nos alemães cuja expressão tantas vezes os torna desagradáveis aos outros:
- Seu amarelo, você não me deixa subir aquela colina porque é um selvagem! – Hoffmann gritou ao general, na presença de outros adidos estrangeiros e pelo menos um correspondente.
Pertencendo a uma raça que se equipara aos alemães em matéria de auto-importância, o general berrou de volta:
- Nós, japoneses, estamos pagando com o nosso sangue essa informação militar e não pretendemos dividi-la com outros!
Nessa ocasião o protocolo foi completamente ignorado.
*retirado de “Canhões de Agosto”, de Barbara Tuchman
Este é o fodérrimo documentário de Martin Scorsese sobre o cinema italiano, chamado “My Voyage to Italy”.
É a melhor crítica de cinema que eu conheço. Não é superficial e não é francês: é exatamente no ponto. A paixão pelo cinema transborda pela telinha. É de chorar.
São trocentas partes, mas vale todas as penas do seu corpo.
Confiram!