Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Tesouros ocultos do Youtube – edição Março / 2010

Monday, March 15th, 2010

“Ears open, eye ball click” é um documentário sobre o processo de formação de um fuzileiro naval americano. São 10 partes.

Divirta-se não estando lá:

Temos aqui tambem uma entrevista com o Francis Bacon. Não é o filósofo nem algum personagem de LOST. Em 2 partes:

Uma palestra em direito internacional, por Jurgen Habermas. Uma pena que ele seja fanho:

E para finalizar , um documentariozinho sobre o Eliot. Participação de Frank Kermode.

Mas esse eu só descolei o link: http://www.youtube.com/watch?v=wnD75tk6uO4&feature=related

Grandes homens do meu tempo : Márvio dos Anjos – edição Março / 2010

Monday, March 15th, 2010

Dessa vez pedi uma entrevista ao Márvio, vocalista da banda Cabaret e editor-chefe da edição carioca do jornal Destak. Seu disco tá prometido para maio. Gentilmente me concedeu esta entrevista abaixo:

A Pira > E aí, como foi de carnaval?

Márvio > Foi incrível. Já sabia disso há tempos, mas hoje é inegável que o
melhor lugar para se estar no mundo durante os dias de Carnaval é o
Rio de Janeiro. A cidade inteira fantasiada, decidida a ser feliz, os
blocos varrendo as ruas e praças como nuvens de gafanhotos, e eu lá,
de General Leônidas do filme “300″. Sunga, sandália franciscana, capa
de veludo vermelho, lança e escudo de sexta a terça. E nunca fui tão
feliz, e nunca os beijos desapegados foram tão lindos e valiosos.
Carnaval ensina a amar intensamente no mais curto espaço de tempo e a
deixar ir, porque, no fim, ninguém pertence a ninguém.

Márvio no carnaval do Rio


A Pira > Ninguem pertence a ninguem, mas só é feliz quem namora. Ou não? Nesses tempos de mulher é o novo homem, ta sendo mais difícil descolar uma namoradinha?

Márvio > É impossível ser feliz sozinho, como se sabe. Mas é o consumismo, né,
brou? Nós ensinamos essa porra às mulheres, elas adoraram e agora elas
consomem vorazmente. É um grande leilão coletivo, todo mundo esperando
o lance melhor.

A Pira > Tais familiarizado com o conceito de “sabinismo“? É algo como um gosto estético irônico, engraçadinho, forçadamente excêntrico e cheio de picardia. Praga de nossos tempos. Mas não te acuso disso, fica de boa. Pra mim tu é maluco mesmo, legítimo, do escocês. É papo de Queen ser melhor que Beatles, Berlioz ser melhor que Mozart, Petkovic mais craque que Zidane. Tu tem consciência dessa tua condição? Como é ter mau gosto?

Márvio > Eu não tenho um compromisso de alinhar meu senso estético com os
cânones, porque muitas vezes eles não me servem, e minhas obsessões me
tomam muito tempo, como o Queen – embora ame Beatles, acho que faltou
a eles dar ao palco o sentido maior que a vida que Freddie Mercury
deu. Isso me guia muito na performance – na verdade, já guiou mais, no
início.

Eu dialogo com a cultura mundial, com as listas de top 10, mas a
verdade é que eu me dou o direito de discordar de muita coisa. O bom
gosto, você sabe, é um esterilizante cerebral, é também um ponto
tranquilo onde as pessoas tentam se situar, muitas vezes só para
evitar polêmica, muitas vezes por preguiça ou medo de dizer que
Mozart, é sim, um compositor palaciano e trivial como uma bala de
morango, enquanto Berlioz injetou a paixão de que sou feito em toda a
sua pequena obra. Realmente acredito que o bom gosto é uma virtude de
quinta categoria, como afirmava Nelson Rodrigues. E eu hoje gosto de
ser a régua do meu mundo, julgo as coisas a partir da minha medida,
mas não nego que adoraria – repito em caps lock: ADORARIA – ser um
profundo amante de jazz, de cinema francês e de música indie do século
21. Só que, como eu disse, minhas obsessões me tomam tempo, e eu acho
nosso mundo muito utilitário na produção e na absorção da arte, num
movimento retilíneo uniforme de tédio. Topo ser esse Quixote
antiquado, porque o mundo em que vivo é bem mais interessante.

Ah, e o Petkovic > Zidane é parte de outro lado da minha
personalidade: sou um piadista hiperbólico, e o Pet é nosso.


A Pira > Pois o que eu acho que vai acontecer é o seguinte: lá pelas tantas você vai voltar ao cânone, um por um, Shakespeare, Rafael, Beethoven, Beatles, Boticelli, etc. , e vai se dar conta de que existe um motivo pelo qual essa galera tá no caderninho da civilização ocidental. Essa projeção te intimida? Tens medo de concordar com a humanidade, no final das contas?

Márvio > Nada disso me intimida. Esses aí que você citou moram no meu coração.
Mas eu tenho uma ou duas coisinhas a ensinar a humanidade, e abrir o
leque é fundamental.

A Pira > Conta pra galera aqui do cerrado como começou tua relação com a Legião. Conta pra gente daquela show na praia, quando tu era moleque.

Márvio > Quando eu fui convidado a ser vocalista de uma banda, eu precisei de
um modelo. E achei que a Legião era um produto realmente sério de
rock. Influenciou muito o fato de que ele me dava assunto para
conversar com a minha primeira grande musa, Thaís, que era apaixonada
por eles. Mas ele cantava bem, as letras eram legais – havia fúria,
havia simbolismo, havia melancolia, e almas românticas como a minha
adoram isso – e além de tudo a figura magnética do
lead singer.

O lance do Tributo em Ipanema surgiu em 1998,  eu já era amigo do Fred
Nascimento, ex-guitarra de apoio da Legião – ele cresceu com meu pai e
meu tio. A gente falava muito de rock, e ele me levou para esse
ensaio. Eu tava a fim de ver os cantores ensaiando, gente como
Raimundos, Toni Platão, Cauby Peixoto, Paulinho Moska, Lobão, vários
artistas legais. Só que no primeiro ensaio não havia cantores. como eu
cantava as letras no meu canto, o maestro da orquestra pediu que eu
cantasse tudo no ensaio, e aí eles me contrataram. E aí, ensaiei e
tive a chance de subir ao palco, fazendo backings da Sandra de Sá e do
Evandro Mesquita. Só que choveu pacas no dia do show, que foi
transferido, e aí Zélia Duncan cancelou a sua participação. Tentaram o
paulo Ricardo, ele não topou, e aí me perguntaram se eu cantava “Quase
sem Querer” no tom dela. Disse que era o meu tom e aí eu cantei. Ainda
rolou de cantar “Monte Castelo” ao lado de Ângela Maria e Agnaldo
Timóteo, porque ele amarelou com o tom altíssimo da música.

Persigo o repeteco disso – cantar na praia para 20 mil pessoas – até
hoje. Vou morrer tentando. Já cantei com o Cabaret para 5 mil, 2 mil,
7 mil. Mas em Ipanema, de novo, seria cósmico.

Renato Russo, poeta nascido em Brasília no dia 27 de março de 1960.

A Pira > Mas deixa eu aproveitar teu parentesco com Augusto dos Anjos e, sabendo que voce próprio tem sua produção poética, me diga o que significa “Lá em casa tem um poço / mas a água é muito limpa-aaa” para você? Me ajuda nessa.

Márvio > Eu acho que Renato Russo curtia ser lúdico e pregar peças herméticas
nas letras, e aí cabe a quem lê extrair o melhor. Eu acho que no final
de Há Tempos, rola um salto temporal. Uma voz que caga regras
“Disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza…” e de repente ela é
cortada por uma voz que lamenta que haja tanta pureza assim. Talvez
seja preciso um pouco de sujeira nessa água, um pouco de pecado no
sangue.

A Pira > Como foi gravar com o Ney Matogrosso? Ele ainda curte um rock?

Márvio > Cara, o Ney foi incrível. É um intérprete, então ele se obriga – sem
muito esforço, com um prazer imenso – a ouvir o que é novo, a conhecer
propostas, a aceitar convites. Foi úm momento inigualável vê-lo cantar
Dentro de Você“, de minha autoria, no dueto que vai estar no nosso
próximo disco, porque você tem uma estranha sensação de confirmação.
Eu era capaz de imaginar como ele cantaria e ele simplesmente confirma
a minha imaginação quando canta.
O foda é que não dá pra relaxar: eu já estive com ele umas cinco
vezes, ele é sempre muito gente boa, mas eu ainda não consigo relaxar
diante dos meus ídolos. Fico lá todo cerimonioso, porque ser fã é foda
né? Você quer absorver o máximo dos minutos que vc passa com o cara e
ao mesmo tempo quer ser o último a incomodar alugando. Mas enfim, ver
o lado piadista dele – ele perguntou brincando se eu me incomodaria se
as pessoas pensassem que a gente teria um affair, dada a letra safada
do dueto, e eu respondia que “pra minha carreira, de repente é até
bom”.

E tem outra né? O cara tem pelo menos 36 anos passados diante de
microfones. É uma naturalidade absurda na hora do play+rec. Sonho em
chegar a essa tranquilidade, saber quem eu sou assim que eu abro a
boca para cantar. Ainda me sinto procurando a minha voz a cada
gravação.

A Pira > Tu tem alguma vontade de entrar no panteão da MPB? Um lance meio Marcelo Camelo , de largar a banda e a guitarra, sentar num banquinho e etc?

Márvio > Vontade eu tenho total, mas não vai ser à base de paumolescência não.
Marcelo Camelo é muito proparoxítono pro meu gosto. Não vejo paixão,
vejo artificialismo. Projeto capa da Bravo comigo não.


A Pira > Nesses tempos politicamente corretos e multiculturais, onde o lance é frequentar um terreiro, praticar uma yoga e casar ao som de Beach Boys, tu abraça teu iberismo na maior. O pacote completo: com catolicismo, tourada, e o lugar da mulher. Tu é muito recriminado?

Márvio > Alto lá; catolicismo não: sou de formação cristão histórico. Não
acredito em trindade nem em santos, nem em outros dogmas papais. Dito
isso, vamos lá.

Eu acho que, da mesma forma que o mundo não me serve totalmente, meu
mundo não serve a todos e é perfeitamente óbvio que precisamos nos
tolerar. O problema é que a nossa geração não tem causas a abraçar, e
fica por aí, atirando a esmo. Eu tolero tudo, praticamente tudo, e só
reservo intolerâncias para a minha vida PESSOAL: aborto: eu acho que
tem que ser legalizado mesmo, porque existem um monte de pessoas que
não acrditam no que eu acredito, a gente aparentemente nunca vai
chegara  um consenso: existem vários ótimos argumentos de ambos os
lados. Então, que ambas as coisas coexistam: deixemos os que precisam
do aborto abortar de forma segura, e que se previnam contra a gravidez
indesejada todas aqueles que achem que vão se entender com Deus
posteriormente. Religião é para moldar a vida e o caráter do
indivíduo, e não pode ser freio na vida de quem não é obrigado a crer
em Deus. Aí, você não mexe na minha religião e eu não mexo nas suas
leis.

Aí, é o seguinte: eu vejo beleza na tourada sim, e não acho problema
nenhum que touros sejam mortos na arena como forma de arte. Eles

crescem como reis, superbem tratados, e o espetáculo é uma metáfora sinistra da nossa civilização, inclusive também é uma metáfora essa persistência desse espetáculo diante do mundo que, semcausas a abraçar, resolve corrigir e reparar tudo, uma espécie de stalinismo mais brando. Do jeito que vamos, reescreveremos a história, fingir que os
povos não se mataram e tentar dar compensações a torto e a direito, criar culpas onde não existem e desmotivar o lance mais bonito do ser humano, que é construir a si mesmo, do jeito que vamos. Até o ponto em que devolveremos Niterói aos herdeiros de Arariboia, porque eles que moravam lá antes.

Não sei dizer o que é o papel da mulher, acho que não dá para colocar tudo na conta delas. O homem criou a babaquice, e a mulher quis ser igual ao homem. O problema é que as mulheres ainda estão decidindo o que querem, enquanto os homens sabem direitinho.

A Pira > Escapou da polêmica nessa. Mas agora não vai ter jeito: explica pra
gente o seu conceito de “medo estatístico”!

Márvio > Nem tudo que parece racismo é racismo. O fato de ter 5 pretos e 150
brancos numa empresa pode simplesmente dizer que, dados acontecimentos
históricos que têm a ver com a escravidão e má inclusão, mais brancos
se qualificam rapidamente a cargos que brancos. A não ser que o RH
seja repleto de filhos da puta, o que me parece conspiração demais.
Isso é natural porque, estatisticamente, os negros tiveram mais
dificuldades de se integrar às classes mais abastadas, que são as que
historicamente têm mais oportunidades de estudo. O fruto de uma
injustiça anterior não é necessariamente uma injustiça atual.

Da mesma maneira, se ao passar perto de uma favela à noite e ver um
negro vindo na sua direção, você dá um corridão, isso não quer dizer
que você seja racista. Provavelmente um negro faria a mesma coisa, e
muitos já me disseram que sim. Só que, atualmente, é sábio também
correr dos brancos. Enfim, de qualquer maneira, sendo branco ou preto,
mantenha um bom preparo físico ao passar por uma favela.

A Pira > Como é esse negócio de que tu nao faz download de música na internet? Tem que ser macho pacas, hein?

MárvioNão faço simplesmente porque não priorizo uma conexão megapowerflex lá
em casa, nem vivo atrás das maiores novidades tecnológicas do mercado.
Nunca tive um mp3 player, e ainda curto meu discman. Meu estilo
preferido de música é o clássico, e o melhor jeito de consumi-lo ainda
é em CD. E o YouTube sempre tem a música contemporânea que quero ouvir
pontualmente. Se vc tiver um hit, eu vou no YouTube e ouço. Se eu
curtir pra caralho, eu compro o CD.

Nem é uma posição política extrema sobre a favor ou contra o download.
É que eu também acho que música é pra ser apreciada com calma, e as
pessoas baixam música demais, o consumo é muito efêmero. É coca-cola,
e às vezes eu quero vinho. E tem outra: eu sou compositor e reparei
que, quando eu rpestava atenção demais na música dos outros, eu me
retraí na hora de compro as minhas. Aí achei melhor botar ordem na
casa.

A Pira > E o tchose? Se fosse contigo, tu legalizava?

Márvio > Acho que tem que legalizar, sim. De alguma forma, a maconha tem que
ser legalizada.

A Pira > Valeu, Márvio. Agora vou desligar e ouvir um Mozart.

Atualização edição Março / 2010

Wednesday, March 10th, 2010

Não atualizarei hoje, e tal.
Quem quiser tomar satisfação , que apareça berrado no Balaio.

Grande homens do meu tempo – edição Fevereiro de 2010

Friday, February 12th, 2010

Lauro Montana é ator, professor , DJ, e muitas outras coisas. Gentilmente me concedeu esta entrevista abaixo. Confira:

montana

A Pira> Tu é de que quadra, véi?

Montana> Sou da 215 Sul, palco de grandes panqueides nos anos 80 e 90, quando filhos de sub-oficiais da Aeronáutica degladiavam-se com filhos de bancários nos gramadões das entrequadras. Tempos difíceis aqueles, difíceis mas com fibra.

A Pira> 215 sul aqui no meu manual do entendedor do Plano tá indicada como quadra de milico. Tu como filho de milico, andou muito por esse Brasilzão? Tu sente uma diferença entre as pessoas que nasceram e viveram aqui desde sempre e os que já moraram fora da cidade, em relação à apreciação que fazem da cidade? Eu por exemplo ja morei em Anápolis, Fortaleza, Rio e o escambau…por isso sei que melhor do que aqui é dificil de achar. Mas tu conhece a baixo autoestima que Brasilia tem né? Aquele lance de querer morar em São Paulo a qualquer custo, e tal….

Montana> Bom a minha quadra não é de milico, eram de funcionários do antigo Ministério do Interior e Caixa Econômica. Mas como vc é asa-nortino vou perdoar essa generalização. Na real não muito, pois pouco tempo depois que eu nasci minha mãe se separou do meu pai. Chegamos a morar na Praia Vermelha quando meu pai cursava a ESG. Sempre curti morar em Brasília, acho que em grande parte ainda reside aquela falsa ilusão de viver em grandes centros metropolitanos, mas sempre achei grandes cidades caras e insalubres, prefiro o bom e velho DF. Preferencialmente o final da asa sul, mas ainda quero morar naquelas casas das 700’s feitas pelo Milton Ramos.

A Pira > Vivemos numa época em que qualquer Almodovar é chamado de gênio, qualquer HIT do Franz Ferdinand é chamado  de obra-prima. Tudo anda muito banalizado. Mas na real… “Demência” é mesmo uma obra-prima. Voce escreveu previamente algumas daquelas falas? Chegou a ter ensaio? Conta pra gente o processo criativo por detrás daquela jóia do estoicismo contemporâneo.

Montana> Deixa eu corrigir a sua sentença. Vivemos numa época em que qualquer imbecil é chamado de gênio! Acho que houve uma banalização da genialidade, tal qual da violência, num mundo de hoje onde as pessoas não têm um pensamento crítico, vivem na impessoalidade de facebooks e orkuts, qualquer releitura que se reproduza é chamada de GENIAL. Acho que a idéia não está em questionar se Almodovar (que eu acho uma bela merda) ou Franz (que eu acho razoável) são geniais, mas devemos questionar o próprio conceito de genialidade nessa época de merda em que vivemos. Quanto ao Demência é um obra inteiramente visceral e improvisada. Um surto, se prefere assim.

A Pira> E o Kikito? Tocaste uma zona lá em Gramado?

Montana> Cara acredita que eu estava em BsB dormindo durante a premiação? Nem fui pra Gramado, tinha duas opções: ou ia pra Gramado, ou ia pra Niterói no Festival de Cinema Universitário. Como pensei que não comeria ninguém em Gramado, escolhi Nikity. Também não comi ninguém lá.

A Pira> Quais sao as diferenças entre o Landscape e a Play, e o saudoso São Rock? O que mudou na naite rock em Brasília?

Montana> O Lands já foi uma grande casa, nao sei se por descaso do público ou dos proprietários (ou dos dois) o Lands está em coma. Acho que ele se encontra no fim de uma era,  sua própria era. A Play pra mim parece um show de calouros do Rock. Colocam como convidados pessoas de fama razoável que nunca viram uma cdj na vida pra entreterem um público apático e em sua maioria imbecil. Mas acho que isso não seja culpa do evento. É o período em que estamos vivendo agora. A naite mudou pra caralho, além dos índices de inflação, as estruturas das casas, os DJs e o público na época do São Rock (1996/97) eram bem melhores do que hj. Não falo por saudosismo ou porque estou mais velho não, mas hoje vemos uma garotada completamente imbecilizada, acham que festas são passarelas de moda, cultivam grupos imbecis como Britney, Lady Gaga e outras retardadas do gênero. É um juventude festiva completamente anencéfala e imbecil, espero que o Governo Federal tenha um programa de esterelização pra essa garotada.

A Pira> Tu tem explicação pra esse fenômeno de que quando não rolava internet e mp3, o público conhecia mais bandas e dava pra tocar até um Guided by Voices, e hoje em dia, quando tu pode baixar até a discografia inteira do Fall, neguinho só dança se for REPETILLIA?

Montana> A resposta é óbvia: a comodidade leva à ignorância. Na nossa época a gente lia Bizz, Rock Brigade, Top Rock (não que sejam periódicos respeitáveis), a galera corria atrás das músicas e das bandas exatamente porque sua acessibilidade era limitada (reserva de mercado e tals). Com o advento da internet pensou-se que a nova geração ficaria antenada nessas vertentes  mas o que acontece é que essas bandas supracitadas continuaram no anonimato do hype. Acredito que a reserva hoje em dia não é mais de mercado e sim intelectual. Criar uma geração inteira de idiotas independe de recursos tecnológicos ou mesmo tornar a propriedade intelectual de livre acesso não quer dizer que a demanda por essas bandas aumente. Eu me lembro que mesmo nas queimas de estoque da Redley Records, da WOM (asa sul) ou até mesmo da extinta Sounds, petardos como esse ficavam no limbo e 60% da população brasileira era fã da Banda Eva. Esse é um prospecto antropológico e histórico da nossa cultura e acredito que transnacionalmente isso também se reflita. Caso contrário O The Fall ganharia um Grammy por conjunto da obra e não a Beyonce por conjunto da bunda.

A Pira> Laurinho, como é que é essa historia de que tu era snevol?

Montana> Fui não, tenho amigos Snévol como o Eduardo Políbias, o Dj Ed, entre outros, mas nunca vesti a camisa não, aliás não visto a camisa de ninguém.

A Pira> E aquele lance de metal do fim da asa sul? Explica isso pra gente.

Montana> Não ficava recluso ao Metal apenas. Apesar de todos os membros da ARFAS (Associação dos Roqueiros do Final da Asa Sul) curtirem metal, o que originou a sigla foi o fato da galera do fim da Asa Sul curtir rock num perímetro pequeno entre si. Claro que a Associação contava com celebridades como: da 416 Sul Podrão (Detrito Federal, BSB-H), Zeca (Animais dos Espelhos, Divine), da 215 Sul eu, todos os primeiros integrantes do Deceivers, Marcelo Capa (Beto Só), Pablo do Capotones, Linhos Restless, Robson do Abohent, Foca do Bois, na 213 Túlio do DFC, Leandro do Abohent, Bernardo do Marfusha, na 216 Reco (não lembro o nome da banda banda agora mas era cover do Allman Brothers). Foi no fim da asa onde ocorreram shows clássicos de Escola de Escândalo entre outros no CFO (Conselho Federal de Odontologia) e na ASP (Ação Social do Planalto). Isso sem contar que era muito mais limpeza queimar um tchose lá do que em qualquer lugar das ASAS.

A Pira> Montana, é difícil escapar do humor? Voce acha que as pessoas fazem coisas engraçadas  ou irônicas por medo de se expor? Arriscarias uma poesia?

Montana> Cara ser engraçado é uma dádiva, infelizmente tem gente que é imbecil e pensa que foi abençoado. Odeio poesia.

A Pira> Até a do Renato?

Montana> Cara tem uma passagem em Daniel na Cova dos Leões que expressa bem o comportamento do brasiliense: “Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
a motor e insistir em usar os remos”.
Sempre que escuto essa passagem lembro daquela molecada nas sextas-feiras dos anos 90 subindo e descendo a 109 sul pra saber da balada maneira e todos iam parar na mesma festa. Geralmente era na concha acústica do IdA ou no CA de antropologia ou quando a night acabava no Bar do Luíz. Isso antes do advento do Balacobaco e Wlöd é claro.

A Pira> Como é a expectativa de ser pai?

Montana> É uma vibe estranha, mas estou otimista. É um emaranhado de pensamentos e preocupações, mas acho que dará tudo certo.

A Pira> Boto fé que deve ser sinistro. Mudando um pouco de assunto… outro dia tava pensando e acabei concluindo que voce é a pessoa mais conhecida do DF, sem exagero. Acho que rola até um distrital. Como foi que isso aconteceu?

Montana> A vida pública coloca vc numa posição estranha (não de 4 é claro). Você fica à mercê de pessoas das mais variadas idéias e manias também, isso muitas vezes é desgastante, mas quando se sabe levar rende bons frutos. Não que eu tenha feito mais sexo em virtude disso (ao contrário), mas dá pra se entreter na “alta roda” de vez em quando, sem cair no colo do Carlinhos Beauty.

Iconologia do Pinxo – edição Fevereiro de 2010

Friday, February 12th, 2010

Pra começar, vamos com esta novidade. Apareceu recentemente ali naquela rua dos anexos, embaixo da L2, onde ficam umas putas baratas.

"E Deus fez o krack..."

"E Deus fez o krack..."

Em seguida vamos com este aqui que fica na 313 norte. Uma pergunta vem à mente dos iconólogos: se foi permitido, ainda assim é pinxo? Este fica exatamente atrás de um posto policial e tem toda a pinta de ter sido encomendado. No começo , olhando de longe, achei que se tratasse de Jonas aparecendo ali na porta da boca da baleia pra dar um “alô” pra galera. Mas depois ficou claro que trata-se de um presépio. Provavelmente inacabado, já que não há sinal algum de Maria. O bebê Jesus e José trocam olhares meio estranhos, não vou negar. Há algo de misterioso nesse pinxo. Aposto que a inspiração foi Correggio.

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Na sequência tive que registrar esse singelo pinxo, uma espécie de homenagem ao anonimato em forma de moldura. Fica ali no final da 201, rua do Balaio. Bonitinho, não?

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Pra finalizar, um pinxo de inspir5ação clássica que apareceu aqui na 513 norte. Digo clássico pois se baseia na grande tradição dos pinxos escritos em espanhol. Pinxo político escrito em espanhol é uma corrente das mais tradicionais do pinxo mundial. Não lembram do mitológico “Viva Cuba socialista!”? Pois então,  o castelhano confere uma dignididade ao pinxo, um certo ar de revolta justificada. Um grito de dor e de indignação. Outro elemento que é ultra-clássico é o do anarquismo. Neguinho viaja, mas neguinho é maneiro!

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Para gostar de Chopin – edição Fevereiro de 2010

Friday, February 12th, 2010

Para comemorar os 200 anos de nascimento de Chopin, vou mandar aqui as MINHAS 10 prediletas.

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Quem sabe alguem anima e dá uma olhada no resto da obra.

É só clicar e baixar: http://www.megaupload.com/?d=RA6JZL9H

01- Estudo numero 1, opus 10.

02- Prelúdio numero 2, opus 28

03- Estudo número 4, opus 25

04- Grande Valsa Brilhante

05- Estudo número 5, opus 10

06- Prelúdio numero 15, opus 28

07- Estudo número 2, opus 10

08- Estudo número 3, opus 10

09- Estudo número 3, opus 25

10- Estudo número 1, opus 25

Causos – edição Fevereiro de 2010

Friday, February 12th, 2010

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André Midani, executivo da indústria fonográfica, nos conta um causo de sua infância na França:

“O sol se levantava por volta das cinco e meia. Meu primo Paul e eu escapamos do porão da casa e fomos ver o que acontecia na rua. Ninguém…Nem uma alma, nem soldados… Nada! A curiosidade era forte demais; andamos, pouco a pouco, até o cassino de Cabourg, uma construção menor, porém de estilo muito parecido com o hotel Copacabana Palace, e que servia de Estado-Maior para os alemães… Também não havia ninguém. Parecia que todos os soldados haviam deixado o lugar e se refugiados nas fortificações da praia. Dali, com muito medo, contornamos o cassino e apareceu o mar.

Esse mar, que havíamos sempre visto sereno, zangado, cinzento, nunca muito azul por ser um mar normando, porém sempre um mar de água salgada, habitada por peixes, estava agora dividido, da extrema ponta esquerda do horizonte até a extrema ponta direita, por navios de guerra imponentes, de todos os tipos que se possa imaginar – encouraçados, destróieres, porta-aviões etc. – , ancorados de tal maneira que a proa de um quase tocava a popa de outro, formando um quebra-mar naquela chuvosa madrugada de ondas violentas.

Para nosso assombro, da barriga de todos eles saíam muitas centenas de pequenas embarcações vindo rapidamente em direção à praia.”

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Richard Nixon, quando visitou a Grande Muralha da China em 1972, disse: “Acho que podemos concluir que trata-se de um grande muro.”

Ronald Reagan, visitando a Grande Muralha em 1984, disse: “O que posso dizer além de que é assombroso? É uma das grandes maravilhas do mundo.” Perguntado se gostaria de construir sua própria grande muralha, Reagan fez um círculo no ar com um dedo e disse: “Em volta da Casa Branca”.

Bill Clinton, visitando a Muralha em 1998, disse: “Se tivéssemos algumas horas livres, podériamos andar uns 10 kilometros e chegar ali na próxima inclinação. Teríamos feito um belo exercício quando acabássemos. Ou estaríamos acabados. ”

George W. Bush, vicitando a Muralha em 2002, assinou o livro de visitas e disse: “Vamos pra casa”, sem fazer qualquer outro comentário.

Barack Obama, visitou a Grande Muralha em 2009 e disse: “É majestoso. É mágico. Me faz lembrar do movimento da História, que não temos muito tempo de vida aqui na Terra, e que devemos fazer o melhor de si durante esse tempo.” Durante a visita de Obama, o Starbucks e o KFC da base da Muralha permaneceram fechados.

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Lá pelo fim do Império Romano , existiam várias pequenas seitas que, apesar de não estarem diretamente conectadas com o maniqueísmo, mantinham a mesma visão básica do universo, e pregavam o extremo ascetismo  com base a crença de que todas as coisas materiais eram más. Proeminente dentre estas seitas eram os marcionitas, fundada durante o reino de Adriano por Marcião, que rejeitavam o Antigo Testamento e ensinavam que seu Deus, o demiurgo que havia criado o mundo, era mau. Teodoreto (aprox. sec. IV) pessoalmente conheceu um velho marcionita que havia durante toda a sua vida lavado seu rosto com o próprio cuspe, evitando desta forma usar água, criação do demiurgo.

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Tolstói havia decidido parar de escrever literatura já havia algum tempo, para desespero de seu grande amigo ( e muitas vezes inimigo) Ivan Turgueniev. No seu leito de morte, Turgueniev encontrou forças para escrever para Tolstói e fazer seu último pedido. Ele escreveu:

“Meu bom e querido Leo Nikolayevich, eu não lhe escrevi por um longo tempo pois eu estava e ainda estou, para lhe dizer a verdade, no meu leito de morte. Eu não consigo melhorar, é inútil até mesmo pensar numa cura. Estou lhe escrevendo para em primeiro lugar lhe dizer como estou feliz em ter sido seu contemporâneo e fazer um último e sincero apelo. Meu amigo, volte para a literatura! Esta dádiva veio a você da mesma fonte que todo o resto. Oh, como eu ficaria feliz em pensar que esta carta teria alguma influ~encia sobre voce! Eu estou acabado, os médicos não sabem nem que nome dar à minha doença. Gota estomacal neurálgica! Eu não consigo andar ou comer ou dormir. Me incomoda falar disto. Meu amigo, grande escritor da terra russa, ouça minha prece. Me avise do recebimento desta carta, e me permita abraçá-lo mais uma vez, forte, muito forte, você, sua esposa e toda sua família. Não consigo continuar, estou cansado…”

Tolstói não voltou a escrever.

Tesouros ocultos do Youtube – edição Fevereiro de 2010

Friday, February 12th, 2010

Este é um documentário feito pelo Kubrick em 1953. Chama-se “The Seafarers”.

Esta aqui parece que é a única entrevista televisiva concedida pelo Georges Bataille, filósofo doidão e queridinho da galera do devir.

Abaixo uma interessante palestra sobre um dos mais famosos movimentos de quaretos de cordas. Trata-se do Heileger Dankgesang, do opus 132 de Beethoven. É um movimento em que Beethoven agradece a Deus pela cura de uma doença que ele acreditava que faria com que ele fosse abraçado pelo jacaré. O interessante é que é uma palestra dedicada aos médicos. Muitíssimo interessante, e a música é, obviamente, mais que foda.

Edição Fevereiro de 2010

Wednesday, February 10th, 2010

Vou atualizar amanhã.

Hoje to muito ocupado.

Mal ae.

Até amanhã.

Edição Janeiro de 2010

Sunday, January 10th, 2010

Feliz ano novo.

Vamo nessa.