
“Quando Machado de Assis morreu, um de seus amigos, José Veríssimo, escreveu um artigo em sua homenagem. Numa explosão de admiração pelo homem de origens modestas e ancestrais negros que tornara-se um dos maiores romancistas do século, Veríssimo violou uma convenção social e refeiu-se a Machado como o mulato Machado de Assis. Joaquim Nabuco, que leu o artigo, rapidamente percebeu o faux-pas e recomendou a supressão da palavra, insistindo que Machado não teria gostado dela. “Seu artigo no jornal está belíssimo” – escreveu a Veríssimo – “mas esta frase causou-me arrepio: mulato, foi de fato grego da melhor época. Eu não teria chamado o Machado de mulato e penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. Rogo-lhe que tire isso quando reduzir os artigos a páginas permanentes. A palavra não é literária e é pejorativa, basta ver-lhe a etimologia. O Machado para mim era um branco e creio que por tal se tomava…”
*retirado de “Da Monarquia à República: momentos decisivos” , de Emilia Viotti da Costa.

“Na primavera de 1210, o assalto de Bram de Simon de Montfort:
“Chegaram ao Castelo de Bram , sitiaram-no e tomaram-no de assalto em menos de três dias, sem o emprego de máquinas. Aos homens do castelo, que eram mais de cem, vazaram os olhos e cortaram o nariz, mas a um deles conservaram um olho afim de que pudesse conduzir os demais a Cabaret…”
* Pierre des Vauxde Cernay: “Hystoria Albigensis”

“Dercílio Brito, marido de uma sua sobrinha, prático em prótese dentária e, num lugar sem dentista, nem enfermeiro, nem médico, nem farmaceutico, atuando em todas essas frentes, acabou por ter um certo prestígio, daí se gerando uma inimizade com Chico Romão. Empolgou-se com a liderança, o que o fez tentar competir com o Coronel. Deu-se mal. Incidentes, desde um em torno da direção da Associação Rural, que disputavam presidir, até as remoções na sua função pública, em emprego ensejado pelo Coronel, antecederam o final sangrento de Salgueiro, em circunstâncias ainda não de todo esclarecidas. Sabe-se é que Dercílio atirou nele, mortalmente. O velho tentou – e o conseguiu – sacar do revolver porém a mão poderosa e em tantas ocasiões decisoras estava vencida. Mas, velho valente, Chico Romão morrue como um bravo – revolver na mão cerrada , a face contraída de dor onde os lábios repetiam , sob um céu limpo de sertão gostoso que ele perdia, numa imprecação de macho:
- “Matou-me…cabra da peste…cabra da peste!”
* retirado de “Coronel , Coronéis” , de Marco Vinícius Vilaça e Roberto C. de Albuquerque.

“Depois de formar-se no staff college em 1898, Hoffmann servira seis meses como intérprete na Rússia e cinco anos na seção russa do Estado Maior, sob as ordens de Schlieffen, antes de seguir como observador militar da Alemanha na Guerra Russo-Japonesa. Quando um general japonês recusou-lhe permissão para assistir uma batalha do alto de uma colina próxima, a etiqueta cedeu lugar àquela qualidade natural nos alemães cuja expressão tantas vezes os torna desagradáveis aos outros:
- Seu amarelo, você não me deixa subir aquela colina porque é um selvagem! – Hoffmann gritou ao general, na presença de outros adidos estrangeiros e pelo menos um correspondente.
Pertencendo a uma raça que se equipara aos alemães em matéria de auto-importância, o general berrou de volta:
- Nós, japoneses, estamos pagando com o nosso sangue essa informação militar e não pretendemos dividi-la com outros!
Nessa ocasião o protocolo foi completamente ignorado.
*retirado de “Canhões de Agosto”, de Barbara Tuchman
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